Senado aprova fim do imposto de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50

O plenário do Senado Federal aprovou nesta quinta-feira (3), em votação simbólica, a medida provisória conhecida como “taxa das blusinhas”. O texto, que já havia passado pela Câmara dos Deputados, zera o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, cerca de R$ 257, feitas pela internet por meio de remessas postais. A proposta segue agora para sanção presidencial. Durante a tramitação, a relatora da comissão especial mista, senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), incluiu uma emenda que também zera o imposto de importação de medicamentos sem versão similar no Brasil.

A medida aprovada ainda reduz de 60% para 30% a alíquota de importação para compras de até US$ 3 mil por remessas postais vindas do exterior. O texto também estabelece avaliações periódicas do Ministério da Fazenda para analisar os efeitos econômicos da isenção sobre emprego, renda, preços e a indústria nacional. A primeira avaliação será realizada três meses após a mudança, e as seguintes ocorrerão a cada seis meses, além de uma análise anual da isenção tributária. As plataformas digitais e operadores logísticos também terão novas obrigações, incluindo mecanismos para identificar subfaturamento, fracionamento artificial de remessas e ocultação de remetentes, além de rastreabilidade dos vendedores, monitoramento de operações suspeitas, manutenção de registros e cooperação com a Receita Federal.

Durante a votação, parlamentares da oposição criticaram a proposta sob o argumento de que ela favorece empresas estrangeiras em relação à indústria nacional. Ao defender a medida, Leila do Vôlei afirmou que muitos brasileiros recorrem às compras de pequeno valor em busca de produtos mais baratos e como forma de ampliar o poder de compra. Já o deputado federal Gilson Marques (Novo-SC) contestou o benefício concedido às importações. “O exato benefício fiscal que está sendo dado para o mesmíssimo produto com o mesmíssimo preço precisa ser dado para o brasileiro, para quem produz aqui, para quem ainda acredita no Brasil”, afirmou.

Governo aperta e publicidade de bets terá aviso sobre risco de dependência e perdas

As empresas de apostas esportivas online, conhecidas como bets, terão que seguir regras mais rígidas para veicular campanhas publicitárias no Brasil. As novas normas foram anunciadas nesta quinta-feira (9) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, serão publicadas na sexta-feira (10) e passam a valer em 17 de julho.

Entre as principais mudanças está a obrigatoriedade de mensagens de advertência em todas as publicidades de empresas autorizadas. Os anúncios deverão trazer alertas como: “Ministério da Fazenda adverte: apostar faz você perder dinheiro”, “apostar pode causar dependência” ou “aposta não é investimento”. A medida busca conscientizar a população sobre os riscos financeiros e comportamentais ligados às apostas.

As novas regras também proíbem campanhas que apresentem apostas como investimento, ganho fácil ou oportunidade de enriquecimento rápido. Também ficará proibido criar senso de urgência para estimular apostas, divulgar históricos de premiações como forma de convencimento e usar comentaristas, especialistas ou influenciadores para induzir o público a apostar.

Segundo Durigan, o governo quer evitar que análises esportivas ou comentários técnicos sejam usados como estratégia para dar aparência de segurança às apostas. A publicidade também não poderá ser direcionada a crianças e adolescentes, ponto tratado pelo Ministério da Fazenda como de “tolerância zero”.

O governo informou ainda que manterá fiscalização rigorosa contra empresas ilegais. Bets sem autorização não podem operar no país nem anunciar em veículos de comunicação, redes sociais ou plataformas digitais. Empresas, influenciadores e veículos que descumprirem as regras poderão ser responsabilizados.

As penalidades previstas incluem multa de até 20% do faturamento da operadora, suspensão das atividades por até 180 dias e cassação da autorização de funcionamento em casos de reincidência grave. Desde a regulamentação do setor, o governo afirma já ter retirado do ar 56 mil sites de apostas ilegais, derrubado cerca de mil perfis de influenciadores e determinado a autoexclusão de aproximadamente 1 milhão de apostadores em desacordo com a legislação.