Controle do colesterol em idosos exige mudança de comportamento; veja indicações

A mudança de comportamento é o principal desafio no controle do colesterol. A prática de atividades físicas e a realização de refeições saudáveis são as orientações mais negligenciadas entre os idosos. A adesão a hábitos mais saudáveis é ainda mais difícil para aqueles que moram sozinhos ou têm quadros depressivos. Confira abaixo orientações do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) que podem auxiliar na adoção de uma vida mais saudável.

O que é o colesterol

O colesterol é uma gordura no sangue essencial para o funcionamento do corpo humano, estando relacionada à produção de células, hormônios e vitaminas. Quando em excesso, aumenta os riscos de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de quadros de hipertensão e diabetes. A elevação dos níveis desse lipídeo está associada ao envelhecimento, devido à lentificação do metabolismo, ao sobrepeso e ao sedentarismo.

O cardiologista responsável pelo ambulatório de hipertensão do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), Rui Póvoa, explica que os idosos aderem bem à parte medicamentosa do tratamento. “O ser humano tende a permanecer em comportamentos conhecidos e confortáveis. Essa característica se acentua com o envelhecimento. Por isso, é importante uma boa rede de amigos e familiares para ajudar a tomar o remédio na hora certa, evitar alimentos gordurosos e praticar atividade física”, comenta.

Solidão e depressão agravam quadro

Idosos que moram sozinhos ou que enfrentam quadros depressivos estão mais vulneráveis ao aumento do colesterol. A falta de apoio e de ânimo dificulta a adesão ao tratamento de controle de gordura no sangue, deixando essa população ainda mais vulnerável aos riscos cardiovasculares. No ambulatório de hipertensão do Iamspe, em média, 30% dos pacientes fazem uso de antidepressivo. O acompanhamento psiquiátrico ajuda na manutenção do bom estado geral de saúde.

Exames

Para estar em dia com o colesterol, o ideal é realizar exames de sangue anuais para medir os níveis de gordura no sangue. A recomendação médica existe a partir dos 40 anos para pessoas saudáveis sem histórico de infarto ou AVC em familiares próximos (pai e mãe). Nos demais casos, após a terceira década de vida, é recomendado começar o acompanhamento com especialista.

“O colesterol alto é uma alteração que geralmente não apresenta sintomas fisiológicos, sendo raros os casos em que isso acontece. Por isso, é essencial falar e divulgar cada vez mais a importância do acompanhamento cardiológico e da realização periódica de exames para o controle dos níveis de gordura no sangue”, diz o cardiologista do Iamspe.

Cresce o número de idosos praticantes de atividades físicas no estado de São Paulo

Praticar exercícios físicos é cada vez mais parte da rotina dos paulistas. Mais da metade da população do Estado de São Paulo realiza algum tipo de atividade física, segundo levantamento da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade). Em 2019, esse percentual era de 39%, o que indica um avanço significativo nos últimos anos.

O crescimento é ainda mais expressivo entre pessoas com 60 anos ou mais. Em 2019, apenas três em cada dez idosos praticavam atividades esportivas. Já em 2025, o índice chegou a 52%. Para o Seade, o resultado reflete maior conscientização sobre a importância do autocuidado e da preservação da funcionalidade física ao longo do envelhecimento.

Gênero, renda e frequência

A pesquisa foi realizada em setembro de 2025, por meio de entrevistas remotas com moradores de todas as regiões do estado. Na comparação com os levantamentos de 2019, 2023 e 2024, os dados indicam que o hábito de se exercitar foi incorporado por uma parcela significativa da população.

A adesão é maior entre homens e cresce conforme aumentam a escolaridade e a renda familiar. Entre os praticantes, oito em cada dez afirmam realizar atividades físicas duas ou mais vezes por semana. Além disso, três em cada dez dedicam mais de uma hora por dia à prática esportiva, consolidando a percepção sobre os benefícios da regularidade dos exercícios.

Queda entre jovens

Apesar do avanço geral, o estudo aponta uma redução no percentual de jovens de até 29 anos fisicamente ativos. Apenas no último ano, houve queda de oito pontos percentuais nesse grupo, passando de 61% para 53%.

De acordo com o Seade, o recuo pode estar associado à diminuição do interesse por hábitos saudáveis, impulsionados no período pós-pandemia, além da retomada das atividades presenciais de estudo e trabalho, que impactaram a rotina dessa faixa etária.