Associação Núcleo Postos Ribeirão Preto explica redução do preço do diesel anunciada pela Petrobras

A Petrobras anunciou, nesse domingo (31), redução de R$ 0,35 no preço do litro do diesel, das refinarias para as distribuidoras. A medida está valendo desde 0h de hoje, segunda-feira (1). A projeção da estatal é de que o preço médio do litro do produto caia de R$ 3,65 para R$ 3,30 para as distribuidoras.

O desconto faz parte da subvenção econômica instituída pela Medida Provisória 1.538/2026 como tentativa de amenizar, aqui no Brasil, o impacto da disparada do preço do petróleo no mercado internacional, em decorrência da guerra no Oriente Médio.

Segundo Fernando Roca, presidente da Associação Núcleo Postos de Ribeirão Preto e Região, que reúne 95 revendedores, “A redução que entrou em vigor hoje deve gerar algum efeito positivo também para a gasolina e etanol, uma vez que a frota que transporta esses combustíveis é toda movida a diesel”, explica. “Na prática, a Petrobras vai tomando suas decisões conforme a evolução do cenário que vem do mercado global. É o famoso ‘dançar conforme a música’”, completa.

Fatos mais recentes
Na última quinta-feira, 28/5, a Petrobras reajustou em R$ 0,48 o preço do litro de gasolina, das refinarias para as distribuidoras. Com a subvenção governamental de R$ 0,44 por litro de gasolina, que absorveu parte do aumento, a elevação real ficou em R$ 0,04 por litro (R$ 0,48 – R$ 0,44).

Dias antes, em 15/5, a Central de Monitoramento da Associação Núcleo Postos RP mostrou que as distribuidoras estavam aumentando os preços do litro de gasolina (entre R$ 0,15 e R$ 0,20) e do diesel (entre R$ 0,10 e R$ 0,15), para os postos, devido à disparada dos custos de importação dos dois produtos.

“É importante deixar claro que os valores praticados pelos postos, nas bombas, seguem os preços praticados pelas distribuidoras”, diz o presidente.

O que compensa mais?
É importante que o consumidor sempre pesquise pelo melhor preço e abasteça em um posto de confiança. Para quem tem veículo flex, a dica é fazer a conta de paridade: se o valor do litro de etanol equivaler a, no máximo, 70% do preço do litro de gasolina, compensará abastecer com etanol”, finaliza Fernando Roca.

Procon de Ribeirão Preto reforça fiscalização e fica de olho no preço dos combustíveis na cidade

O Procon de Ribeirão Preto iniciou, na última semana, uma operação de fiscalização em postos de combustíveis da cidade e da região com o objetivo de coibir aumentos abusivos e garantir que os reajustes ao consumidor sejam feitos de forma transparente e justificada. A ação verifica se os estabelecimentos estão cumprindo o Código de Defesa do Consumidor (CDC), especialmente em relação à formação de preços nas bombas.

Embora os preços sejam livres, o órgão destaca que a legislação impõe limites para evitar práticas abusivas, como aumentos sem justa causa e a obtenção de vantagem excessiva, especialmente em momentos de instabilidade econômica. Durante as fiscalizações, os agentes solicitam notas fiscais de compra e venda para conferir quando os combustíveis foram adquiridos, identificando possíveis reajustes indevidos em produtos comprados por valores anteriores.

Segundo o chefe da Divisão de Gerenciamento do Procon, Leonardo Thomazini, a operação tem caráter preventivo e educativo, mas também busca responsabilizar irregularidades. Ele ressalta que altas no mercado internacional não justificam repasses imediatos ao consumidor sem comprovação. O Procon orienta que os motoristas exijam nota fiscal, pesquisem preços e denunciem casos suspeitos.

Governo pede investigação do Cade sobre aumento no preço dos combustíveis

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, encaminhou nesta segunda-feira (10) um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando a investigação de recentes aumentos nos preços dos combustíveis registrados em postos da Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e do Distrito Federal.

O pedido foi feito após representantes de sindicatos do setor relatarem que distribuidoras estariam elevando os preços de venda mesmo sem anúncio de reajuste por parte da Petrobras nas refinarias. Segundo as entidades, os aumentos estariam sendo justificados pela alta do petróleo no mercado internacional, em meio às tensões e ataques registrados no Oriente Médio.

Em nota, a Senacon informou que solicitou ao Cade a análise do caso para verificar se há indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado. O órgão quer saber se houve tentativa de influência para adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre empresas do setor.

Sindicatos que representam o comércio de combustíveis também manifestaram preocupação com o cenário. Entidades da Bahia, do Rio Grande do Norte, de Minas Gerais e de São Paulo apontam que a elevação do preço internacional do petróleo já começa a gerar reflexos no mercado brasileiro, com relatos de aumento nos custos de distribuição e alerta para possíveis impactos no abastecimento e nos preços ao consumidor.

Preços de gasolina e diesel devem subir em Ribeirão Preto nos próximos dias

A Central de Monitoramento da Associação Núcleo Postos Ribeirão Preto, que reúne 85 revendedores da cidade e região, alerta para tendência de alta nos preços da gasolina e do diesel, nos próximos dias. Nessa segunda-feira (2), os postos locais começaram a receber, das distribuidoras, remessas com alta média de R$ 0,05/litro para os dois combustíveis, mesmo sem a Petrobras ter anunciado qualquer reajuste nas refinarias.

“A explicação percebida junto às distribuidoras é que o preço do petróleo teve uma disparada repentina no mercado internacional (o barril brent saltou de US$ 61 para US$ 85, até a manhã de hoje) com a onda de conflitos no oriente médio. Isso gerou circunstâncias de mercado que fizeram aumentar os preços para os postos”, explica Fernando Roca, presidente da Associação Núcleo Postos RP.

Defasagem e pressão
Segundo dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), a defasagem entre os preços praticados no mercado interno, em relação aos do mercado internacional, também disparou. Na manhã dessa terça-feira (3), atingiu os seguintes percentuais:

  • Gasolina: -11% (principais polos) e -12% (polos da Petrobras);
  • Diesel: -25% (principais polos) e -26% (polos da Petrobras).

“O cenário mundial está gerando grande pressão sobre a Petrobras. Dois agravantes são o fechamento do Estreito de Ormuz, por parte do Irã, e o bombardeio de refinarias na Arábia Saudita. Com a escalada do conflito, resta saber se a estatal brasileira terá força para segurar os preços no mercado interno”, analisa.

Reflexos diretos
A alta de preços dos combustíveis fósseis deve elevar a procura por etanol, nos postos, nos próximos dias. É preciso lembrar que ainda estamos na entressafra da cana-de-açúcar, período em que as usinas param de produzir para fazerem a manutenção de seus equipamentos. “Isso significa que um crescimento repentino da demanda por etanol fará com que os estoques reguladores fiquem ainda mais baixos e, caso essa hipótese se confirme, a tendência é de que o biocombustível também sofra alta de preços como uma consequência de mercado baseada na lei da oferta e da procura”, alerta o presidente.

Ainda segundo Roca, “Outro ponto de atenção importante é o efeito cascata desse movimento junto à cadeia produtiva, uma vez que os preços dos fretes também sobem e, na ponta final, os consumidores acabam pagando a conta. Sem falar na geração de pressão inflacionária”, destaca.