Lesões mais comuns entre iniciantes na corrida acendem alerta para praticantes

Com a popularização da corrida de rua como uma atividade acessível e eficaz para melhorar a saúde, cresce também o número de praticantes iniciantes, junto com eles, a incidência de lesões. A Sociedade alerta que a falta de preparo físico e erros comuns no início da prática são fatores determinantes para o surgimento de problemas que podem comprometer a continuidade da atividade.

Entre as ocorrências mais frequentes está a canelite (síndrome do estresse tibial medial), caracterizada por dor na região da canela, geralmente provocada pelo impacto repetitivo e pela sobrecarga sem adaptação adequada do corpo. Outra queixa recorrente é a sobrecarga no joelho, especialmente na articulação patelofemoral, que pode causar dor anterior e limitar o desempenho do corredor.

Um dos principais erros cometidos por iniciantes é o aumento rápido da intensidade e do volume de treino. Muitas pessoas começam a correr com grande entusiasmo, mas sem respeitar o tempo necessário para adaptação muscular, articular e cardiovascular. A falta de fortalecimento muscular e de orientação adequada também contribui significativamente para o risco de lesões.

O grande problema entre iniciantes é a pressa em evoluir. O corpo precisa de tempo para se adaptar ao impacto da corrida, e quando esse processo não é respeitado, as lesões acabam surgindo com mais facilidade”, afirma o Dr. Adriano Almeida, presidente da SBRATE.

Além disso, fatores como uso de calçados inadequados, ausência de aquecimento, técnica incorreta e até mesmo o tipo de terreno podem influenciar diretamente na saúde do corredor iniciante.

A boa notícia é que a maioria dessas lesões pode ser evitada com medidas simples de prevenção. Entre as principais orientações estão: iniciar a prática de forma gradual, alternando caminhada e corrida; investir em fortalecimento muscular, especialmente de membros inferiores e core; utilizar um tênis adequado para o tipo de pisada; respeitar períodos de descanso e priorizar o alongamento e aquecimento antes das atividades.

Outro ponto fundamental é buscar acompanhamento profissional, seja de um educador físico ou fisioterapeuta, principalmente para quem está começando ou possui histórico de lesões. A orientação adequada permite a elaboração de um plano de treino seguro e eficiente, reduzindo riscos e potencializando os benefícios da corrida.

A prática regular de atividade física é essencial para a saúde, mas deve ser feita com responsabilidade. Respeitar os limites do corpo e evoluir de forma progressiva são atitudes fundamentais para garantir que a corrida seja uma aliada, e não uma fonte de problemas.

Veja os nomes das marcas de Ozempic proibidos pela Anvisa no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão dos produtos Ozempic Power, Mounjmax, Maxtwo + 3D Slim e Maxtwo Detox, fabricados por uma empresa não identificada. Além da retirada dos itens do mercado, a medida proíbe a comercialização, distribuição, fabricação, exportação, propaganda e uso dos produtos em todo o país.

Segundo a Anvisa, a decisão foi tomada após a identificação de anúncios de venda dos itens, que não possuem registro, notificação ou cadastro junto ao órgão regulador. A agência também informou que os produtos são fabricados por empresa desconhecida, o que representa risco à saúde dos consumidores.

A determinação foi publicada no Diário Oficial da União.

Mounjaro KwikPen

A Anvisa também determinou a apreensão de dois lotes irregulares do medicamento Mounjaro KwikPen, utilizado no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Os lotes D830169 e D830169D estão proibidos de serem armazenados, comercializados, distribuídos, divulgados, transportados e utilizados.

De acordo com a agência, a medida foi adotada após a identificação da circulação, no mercado nacional, de unidades com rotulagem em inglês, sem registro na Anvisa, de origem não comprovada e transportadas em desacordo com as normas sanitárias brasileiras.

Gordura abdominal aumenta risco de incontinência urinária em mulheres, aponta estudo da UFSCar

Um estudo da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com apoio da FAPESP, revelou que o acúmulo de gordura abdominal — especialmente a gordura visceral, localizada entre os órgãos — pode aumentar significativamente o risco de incontinência urinária de esforço em mulheres. A pesquisa, publicada no European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology, aponta que a distribuição da gordura corporal tem impacto maior sobre o problema do que o peso total ou o Índice de Massa Corporal (IMC).

A incontinência urinária de esforço é caracterizada pela perda involuntária de urina durante atividades simples do cotidiano, como tossir, rir, carregar peso ou praticar exercícios físicos. Segundo a pesquisadora Patricia Driusso, professora da UFSCar e orientadora do estudo, a condição ocorre quando a pressão dentro do abdômen aumenta e a musculatura do assoalho pélvico não consegue sustentar adequadamente a bexiga. O problema, muitas vezes associado apenas ao envelhecimento, pode atingir mulheres de todas as idades, inclusive jovens, principalmente quando há enfraquecimento muscular e falta de treinamento da região pélvica.

A pesquisa avaliou 99 mulheres entre 18 e 49 anos na cidade de São Carlos, interior de São Paulo. As participantes passaram por exames de composição corporal considerados padrão-ouro, capazes de medir gordura total, gordura abdominal, gordura ginecológica e gordura visceral. Os resultados mostraram que mulheres com maior concentração de gordura visceral apresentaram cerca de 51% mais chances de desenvolver incontinência urinária. De acordo com os pesquisadores, esse tipo de gordura provoca aumento constante da pressão abdominal e também libera substâncias inflamatórias que podem comprometer a força muscular do assoalho pélvico.

Especialistas destacam que o fortalecimento da musculatura pélvica, por meio da fisioterapia, é considerado o tratamento mais eficaz para a incontinência urinária de esforço. O acompanhamento profissional é essencial para garantir a execução correta dos exercícios e evitar agravamento do quadro. Os pesquisadores também alertam para a importância da prevenção, do controle da gordura abdominal e da quebra de tabus sobre o tema, já que muitas mulheres convivem silenciosamente com o problema sem buscar ajuda médica.

Baixo estoque de sangue no HC-UE de Ribeirão Preto coloca em risco a realização de cirurgias de urgências

O Hemocentro de Ribeirão Preto emitiu um alerta crítico, nesta quinta-feira, 07/05, devido à queda drástica em seus estoques de sangue, especialmente dos tipos A Negativo e O, que atingiram níveis abaixo do nível de segurança. A escassez forçou a Instituição a adotar um protocolo rígido de triagem: a liberação de bolsas de sangue está restrita aos casos considerados graves.

Há apenas uma bolsa de O Negativo, quando são necessárias 61 bolsas. O volume de estoque já reflete diretamente no cotidiano das unidades de saúde da região e por isso, o Hemocentro pede aos hospitais para suspenderem as cirurgias eletivas ou adie por tempo indeterminado.

De acordo com a administração do Hemocentro, o objetivo da triagem é “racionalizar o uso dos hemocomponentes para garantir àqueles que mais precisam a bolsa de sangue”. No entanto, se o fluxo de doadores não aumentar imediatamente, até mesmo as operações de urgência — como as de vítimas de acidentes graves ou hemorragias agudas — podem ser comprometidas.

A grande preocupação das autoridades de saúde é o caráter imprevisível das emergências. Enquanto uma cirurgia eletiva pode ser remarcada, um trauma grave não espera. “Se o estoque de tipos sanguíneos universais e negativos zerar completamente, perderemos a capacidade de resposta rápida que salva vidas em minutos”, afirma a coordenação da unidade.

Horário – O Hemocentro, no campus da USP, vai funcionar, nesta quinta, das 7h às 19h30, e o Posto de Coleta, na rua Quintino Bocaiúva, 470, das 7h30 às 17h30.

O Hemocentro convoca a população em caráter de urgência. Para doar, é necessário:

  • Idade: Entre 16 e 69 anos (menores de 18 anos precisam de autorização).
  • Peso: Mínimo de 50 kg.
  • Saúde: Estar em boas condições gerais e bem alimentado.
  • Documento: Apresentar documento oficial com foto.

As doações podem ser agendadas para evitar filas através do site oficial do Hemocentro ou pelo telefone 0800 979 6049.

Dia Mundial do Lúpus: alerta para uma doença invisível que atinge principalmente mulheres

No dia 10 de maio, o mundo volta seus olhos para uma enfermidade silenciosa e complexa: o lúpus. Marcada como Dia Mundial do Lúpus, a data busca ampliar a conscientização sobre essa doença autoimune crônica que afeta cerca de 5 milhões de pessoas no planeta. No Brasil, estima-se que entre 150 mil e 300 mil indivíduos convivam com o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), nome técnico da doença, segundo dados do Ministério da Saúde. A maioria dos casos ocorre em mulheres em idade fértil, entre 20 e 45 anos, o que reforça o impacto social e familiar da enfermidade.
 

A doença é caracterizada por uma resposta imunológica desregulada, em que o próprio organismo passa a atacar tecidos saudáveis. Por ser multissistêmico, pode comprometer pele, articulações, rins, coração, pulmões, sangue e até o sistema nervoso.
 

Entre os sintomas, estão: fadiga intensa, febre sem causa aparente, dores articulares, queda de cabelo, feridas na boca e manchas na pele que pioram com a exposição solar. Essa diversidade de manifestações torna o diagnóstico um desafio, exigindo a combinação de história clínica, exame físico e exames laboratoriais.
 

A detecção precoce é crucial para evitar danos irreversíveis em órgãos vitais. “O que costuma chamar a atenção do médico de família e comunidade é a combinação de sintomas que, isoladamente, poderiam parecer inespecíficos”, explica o coordenador técnico da Amparo Saúde, Leonardo Demambre Abreu, empresa do Grupo Sabin dedicada à Atenção Primária.
 

Segundo o médico, exames como hemograma, função renal, urina e testes imunológicos (como FAN e autoanticorpos específicos) ajudam na investigação, mas não são conclusivos isoladamente. “O diagnóstico depende da soma de evidências clínicas e laboratoriais”, destaca.
 

Embora não exista cura definitiva, o lúpus pode ser controlado. O tratamento varia conforme a gravidade e os órgãos acometidos, incluindo medidas de fotoproteção, uso de antimaláricos (como a hidroxicloroquina), corticoides e imunossupressores em casos mais severos.
 

Prevenção e qualidade de vida
Não há forma comprovada de prevenção, já que fatores genéticos, hormonais e ambientais estão envolvidos. Contudo, pacientes diagnosticados podem reduzir crises e complicações com medidas como:

  • evitar exposição solar excessiva e usar protetor diariamente;
  • não fumar;
  • manter vacinação em dia;
  • controlar estresse e garantir sono adequado;
  • praticar atividade física conforme tolerância;
  • realizar acompanhamento médico regular;

A proteção solar é considerada uma das medidas mais importantes, já que a radiação ultravioleta pode desencadear ou agravar manifestações da doença.

O papel da atenção integrada 
Segundo Leonardo Demambre Abreu, o manejo ideal do lúpus envolve acompanhamento conjunto entre médico de família e reumatologista. Enquanto o especialista em doenças imunes conduz o tratamento específico, a Atenção Primária coordena o cuidado longitudinal, previne complicações e monitora comorbidades. Esse modelo integrado é essencial para lidar com uma doença que alterna períodos de remissão e reativação, exigindo vigilância constante.
 

“Mesmo quando o lúpus está controlado, o paciente precisa de acompanhamento contínuo, com monitoramento clínico, exames periódicos, avaliação de função renal, controle cardiovascular, atualização vacinal, orientação sobre exposição solar, saúde mental, planejamento reprodutivo quando aplicável e atenção aos efeitos colaterais dos medicamentos”, orienta o coordenador da Amparo.

Anvisa autoriza e Butantan vai produzir vacina nacional contra chikungunya

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, nesta segunda-feira (4), o Instituto Butantan a produzir a vacina contra a chikungunya, chamada Butantan-Chik. Com a decisão, o imunizante poderá ser incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) e passa a ter fabricação oficial em território nacional.

A vacina é indicada para pessoas entre 18 e 59 anos expostas ao vírus. Apesar de ter sido aprovada pela agência reguladora em abril de 2025, até então a produção estava vinculada às unidades da farmacêutica franco-austríaca Valneva. Agora, a formulação e o envase serão realizados no Brasil, mantendo os mesmos padrões de qualidade, segurança e eficácia, segundo o governo de São Paulo.

De acordo com o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, a internalização da produção representa um avanço estratégico. “Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Butantan, como instituição pública, poderá oferecer a vacina a um custo mais acessível, sem comprometer a qualidade e a segurança”, afirmou.

Os estudos clínicos contaram com a participação de cerca de 4 mil voluntários, com idades entre 18 e 65 anos, nos Estados Unidos. Resultados publicados na revista científica The Lancet, em 2023, indicaram que 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos neutralizantes.

O imunizante também apresentou bom perfil de segurança, com eventos adversos majoritariamente leves ou moderados, como dor de cabeça, dores musculares, fadiga e febre.

Em fevereiro de 2026, a vacina começou a ser aplicada no SUS em municípios com alta incidência da doença, dentro de uma estratégia piloto do Ministério da Saúde. Além do Brasil, o imunizante já foi aprovado no Canadá, na Europa e no Reino Unido.

O que é chikungunya?

A chikungunya é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, também responsável pela dengue e pelo vírus Zika. Os principais sintomas incluem febre alta de início súbito (acima de 38,5°C) e dores intensas nas articulações, especialmente em mãos, pés, tornozelos e punhos.

Outros sinais frequentes são dor de cabeça, dores musculares e manchas vermelhas na pele. Em alguns casos, a doença pode evoluir para quadros de dor crônica nas articulações, persistindo por meses ou até anos e impactando significativamente a qualidade de vida.

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apontam que, em 2025, foram registrados cerca de 500 mil casos da doença no mundo. No Brasil, o Ministério da Saúde notificou mais de 127 mil casos e 125 mortes no mesmo período.

5 de maio: Dia Mundial de Higiene das Mãos

As infecções relacionadas à assistência à saúde (IRAS) seguem como um dos principais desafios dos sistemas de saúde no mundo, representando risco direto para pacientes atendidos em hospitais, clínicas e outros serviços, especialmente em cenários de emergências sanitárias. Além de aumentarem a mortalidade e as incapacidades, essas infecções contribuem significativamente para a resistência antimicrobiana (RAM), elevando custos hospitalares e dificultando a oferta de um atendimento seguro e de qualidade.

Em 2026, a campanha global SAVE LIVES: Clean Your Hands (Salve Vidas: Higienize suas Mãos) completa 18 anos, reforçando a importância da higiene das mãos como medida essencial de prevenção. A iniciativa segue alinhada ao Plano de Ação Global para Prevenção e Controle de Infecções (2024–2030), incentivando países a fortalecerem estratégias de segurança do paciente. No Brasil, a mobilização é coordenada pela Anvisa, que integra ações em toda a rede de atenção à saúde, destacando a necessidade de protocolos, monitoramento e adesão contínua às práticas de controle de infecções.

Com o tema “Ação que Salva Vidas”, a campanha de 2026 reforça que a higienização correta das mãos é uma das medidas mais eficazes para evitar IRAS e preservar recursos da saúde. No entanto, para alcançar padrões adequados, é fundamental garantir infraestrutura básica — como água, sabonete, papel toalha e preparação alcoólica — além de investir em capacitação contínua dos profissionais. A adesão aos protocolos, incluindo os “5 momentos” da higiene das mãos, e o monitoramento de indicadores são estratégias-chave para proteger pacientes, profissionais e todo o ambiente assistencial.

Oftalmologistas lançam campanha 24 Horas pelo Glaucoma

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG) lançaram nesta segunda-feira (4) a campanha “24 Horas pelo Glaucoma – 24 Dias de Cuidado”, iniciativa nacional de conscientização sobre o glaucoma, principal causa de cegueira irreversível no mundo. A ação, realizada ao longo de maio, busca ampliar o diagnóstico precoce por meio de mobilização em todo o país e estratégias de educação em saúde.

A campanha prevê a produção e distribuição de conteúdos informativos em múltiplas plataformas, incluindo uma série de podcasts direcionada a médicos, gestores e à população em geral. Os materiais abordam fatores de risco, importância da adesão ao tratamento, uso correto de colírios e o combate à desinformação, com foco em ampliar o conhecimento sobre a doença silenciosa que pode evoluir sem sintomas nas fases iniciais.

Segundo especialistas, o glaucoma costuma ser identificado apenas quando já há perda significativa da visão. No Brasil, cerca de 1,7 milhão de pessoas convivem com a doença. Como o dano visual é irreversível, o diagnóstico tardio segue como um dos principais desafios de saúde pública. Entre os fatores de risco estão histórico familiar, idade acima de 40 anos, alta miopia e maior predisposição em pessoas negras e asiáticas. O acesso ao diagnóstico e tratamento é garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece exames, acompanhamento e medicação.

Dados do CBO indicam que, entre 2019 e 2025, mais de 12 milhões de exames para detecção do glaucoma foram realizados pelo SUS. O volume anual passou de 1.377.397 procedimentos em 2019 para 2.269.919 em 2025, representando um crescimento de 65%. Apesar do avanço, a distribuição regional ainda é desigual: o Sudeste registrou aumento de 115%, enquanto o Nordeste teve o menor crescimento, de 36%, evidenciando disparidades no acesso aos serviços oftalmológicos no país.

Uma nova gripe tem alerta para alta de casos de no Hemisfério Sul


A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) emitiu um alerta sobre o início da temporada de maior circulação de vírus respiratórios no Hemifério Sul. O período deve ter predominância da gripe causada pela variante K do vírus Influenza H3N2. 

Essa nova variante do vírus da gripe, identificada pela primeira vez no ano passado, foi predominante na temporada de inverno do Hemisfério Norte.

No Brasil, o subclado K foi detectado em dezembro de 2025. Apesar de não ser mais grave do que as outras variantes, ela está associada a temporadas mais longas de transmissão. 

A Opas considera, no alerta epidemiológico publicado na segunda-feira (27), que o cenário na América do Sul é “consistente com o início gradual da temporada de inverno”.

“A atividade da Influenza permanece baixa, com sinais iniciais de aumento em alguns países, predominando o vírus A(H3N2)”, informa a organização. 

Mas, considerando o que ocorreu durante o inverno nos países da parte norte do globo, a Opas alerta que as nações do Hemisfério Sul “devem se preparar não apenas para uma temporada de potencial alta intensidade, mas particularmente para picos de demanda hospitalar concentrados em períodos curtos, que poderiam colocar à prova a capacidade de resposta dos serviços de saúde”. 

No Brasil, a taxa de positividade para a Influenza permaneceu abaixo de 5% no primeiro trimestre do ano, mas já começou a subir no final de março, chegando a 7,4%. O indicador informa qual foi a proporção de testes que deram positivo para o vírus.

“Observa-se uma clara predominância da Influenza A(H3N2), com alta intensidade de circulação”, ressalta o alerta. 

O Ministério da Saúde realiza o sequenciamento do material genético desses vírus por amostragem, para identificar as variantes mais circulantes. Dos 607 testes realizados até o dia 21 de março, 72% corresponderam ao subclado K. 

Mas esse não é o único vírus que inspira preocupação das autoridades de saúde. A Opas também destacou que a circulação do vírus sincicial respiratório (VSR) está aumentando gradualmente em vários países, incluindo o Brasil, “antecipando seu padrão sazonal típico, com potencial impacto na carga de doença em crianças pequenas e outros grupos de risco nas próximas semanas.”

Vacinação

Esse cenário de aumento simultâneo do VSR e do Influenza, somado aos casos de Covid-19, que estão em baixa mas ainda ocorrem em número importante, pode levar ao esgotamento dos serviços de saúde. Por isso, a Opas recomenda que os países da região intensifiquem as ações de vacinação, para prevenir internações e mortes. 

Mesmo com o surgimento dessa nova variante, a vacina contra a gripe se mostrou eficaz no Hemisfério Norte, com uma eficácia de até 75% contra a hospitalização de crianças no Reino Unido, por exemplo, mostra o alerta da Opas. 

A vacina da gripe aplicada no Brasil é atualizada anualmente, para oferecer proteção contra os tipos que mais circularam na temporada de inverno do hemisfério Norte. Entre as três cepas presentes no imunizante deste ano, está a H3N2. 

A campanha nacional de vacinação contra a influenza está em vigor, com prioridade para crianças com menos de 6 anos, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades, que têm mais risco de desenvolver quadros graves.

Também fazem parte do público prioritário alguns grupos como trabalhadores da saúde, população indígena, professores e pessoas privadas de liberdade.

O Sistema Único de Saúde também oferece a vacina contra o vírus sincicial respiratório para as gestantes, com o objetivo de imunizar os bebês recém-nascidos e protegê-los da bronquiolite, infecção pulmonar geralmente causada pelo VSR e que pode levar ao óbito. 

Além disso, a Opas recomenda a intensificação de ações de higiene e “etiqueta respiratória”. “Lavar as mãos é a forma mais eficiente de diminuir a transmissão. Pessoas com febre devem evitar ir ao trabalho ou a locais públicos até que a febre diminua. Da mesma forma, crianças em idade escolar com sintomas respiratórios, febre ou ambos devem ficar em casa e não ir à escola”, explica o documento. 

Boletim infogripe

A nova edição do Boletim Infogripe, divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz nesta quarta-feira (29), confirma a avaliação da Opas. Dados coletados entre 19 e 25 de abril mostram aumento nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causados por Influenza A e VSR em todas as regiões do país. 

De acordo com o boletim, 24 das 27 unidades federativas do país estão em nível de alerta, risco ou alto risco para a síndrome, que ocorre quando há agravamento de sintomas, geralmente após a infecção por algum vírus. Em 16 estados, há tendência de aumento dos casos em longo prazo. 

Em 2026, já foram notificados mais de 46 mil casos de SRAG no Brasil e em 44,3% a infecção viral foi confirmada por testes de laboratório. Desses, 26,4% foram causados por Influenza A e 21,5% por vírus sincicial respiratório. Já nas últimas quatro semanas, a proporção de casos positivos por influenza A subiu para 31,6% e a de infecções por VSR atingiu 36,2%. 

Anvisa suspende venda de xaropes com clobutinol por riscos de arritimia cardíaca

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta segunda-feira (27), a suspensão imediata da venda e do uso de todos os medicamentos que contenham a substância clobutinol. O componente é utilizado na formulação de diversos xaropes antitussígenos comercializados no mercado brasileiro.

A decisão fundamenta-se em um parecer técnico da Gerência de Farmacovigilância do órgão, que identificou um aumento significativo no risco de arritmias cardíacas graves em pacientes que utilizam a substância. Segundo a agência, a gravidade dos efeitos colaterais supera qualquer benefício terapêutico oferecido pelo fármaco.