OMS lança guia para enfrentar obesidade em crianças e adolescentes

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou nesta quarta-feira (7) seu primeiro guia para o enfrentamento da obesidade em crianças e adolescentes. Segundo a entidade, a prevalência da doença nessa população quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%. Em 2024, cerca de 170 milhões de pessoas entre 5 e 19 anos viviam com obesidade: 70 milhões na faixa de 5 a 9 anos e 100 milhões entre 10 e 19 anos. Considerada uma doença crônica e recorrente, a condição pode provocar consequências ainda na infância e aumentar o risco de diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Para o tratamento, a OMS recomenda intervenções estruturadas que combinem alimentação, atividade física e mudanças de comportamento, realizadas individualmente ou em programas que integrem diferentes estratégias de cuidado. Recursos digitais podem ser utilizados de forma complementar, mediante supervisão dos pais ou cuidadores. Para crianças de até 9 anos, a organização não recomenda medicamentos, cirurgia bariátrica ou dispositivos para perda de peso. Entre adolescentes de 10 a 19 anos, medicamentos aprovados, incluindo as chamadas canetas emagrecedoras, podem ser considerados quando um programa supervisionado de mudanças no estilo de vida não alcançar os resultados esperados. A cirurgia bariátrica pode ser avaliada em casos de obesidade grave, sob condições rigorosas.

As diretrizes também ressaltam a necessidade de cuidar da saúde mental durante o acompanhamento. Ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades na regulação das emoções podem contribuir para hábitos alimentares pouco saudáveis, sedentarismo e isolamento social. Crianças e adolescentes com obesidade também estão sujeitos a estigma, discriminação e bullying. Por isso, a OMS defende que os profissionais abordem precocemente as questões físicas e emocionais, com estratégias adequadas à idade e participação da família.

A organização alerta que o tratamento, isoladamente, não será suficiente para reverter o avanço da obesidade. A resposta exige políticas públicas que facilitem o acesso à alimentação saudável e à atividade física, com custos mais acessíveis. A entidade também aponta a necessidade de ações integradas em educação, planejamento urbano, transporte e proteção social para favorecer o desenvolvimento saudável e a qualidade de vida de crianças e adolescentes.

Ribeirão Preto amplia teste de HPV para 11 unidades de saúde; veja quem pode fazer

A Prefeitura de Ribeirão Preto ampliou, nesta segunda-feira (5), a oferta do teste de DNA-HPV, exame molecular utilizado no rastreamento do câncer do colo do útero. Com seis novas unidades, a rede municipal passou a contar com 11 pontos de coleta. Agora, o atendimento também está disponível nas UBSs Vila Tibério, Campos Elíseos, Central, São José e Vila Mariana, além do Centro de Saúde-Escola (CSE) Vila Tibério. Essas unidades se somam às UBSs Presidente Dutra, Maria das Graças, Santa Cruz e João Rossi e à USF Heitor Rigon, que já ofereciam o exame.

O teste é destinado a mulheres de 25 a 64 anos, que devem agendar uma consulta com ginecologista ou enfermeiro em uma das unidades participantes. Após a avaliação, o profissional indicará o rastreamento, quando necessário. Diferentemente do Papanicolau, que identifica alterações nas células do colo do útero, o teste molecular detecta tipos de HPV associados ao desenvolvimento do câncer, permitindo identificar o risco antes do surgimento de lesões. Quando o resultado é negativo, o intervalo de rastreamento passa de três para cinco anos, conforme o novo modelo.

A substituição gradual do Papanicolau pelo teste de DNA-HPV busca fortalecer a prevenção e reduzir as mortes por câncer do colo do útero. Ribeirão Preto iniciou a implantação do modelo em agosto de 2025, na UBS Presidente Dutra, e também realizou uma ação com 400 coletas na Penitenciária Feminina do município. O exame não substitui a vacinação contra o HPV: as duas medidas são complementares, e a população deve procurar uma unidade de saúde para verificar a indicação da vacina e manter a prevenção em dia.

Anvisa investiga 13 casos suspeitos de cegueira em usuários de canetas emagrecedoras

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de uma doença rara que pode provocar perda súbita da visão em pessoas que utilizavam medicamentos para obesidade ou diabetes. A condição é chamada de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noiana) e afeta o nervo óptico. Os registros estão sob análise: até agora, não é possível afirmar que os medicamentos causaram os episódios relatados.

Quais medicamentos aparecem nas notificações?

Os relatos mencionam Ozempic, Wegovy, Wegovy FlexTouch, Rybelsus e Mounjaro. Os quatro primeiros contêm semaglutida; o Mounjaro contém tirzepatida. Para avaliar cada caso, a Anvisa verifica se o diagnóstico foi confirmado, quando os sintomas começaram, quais outras condições de saúde o paciente apresenta e se há explicações alternativas para a perda de visão. Uma notificação de suspeita não comprova uma relação de causa e efeito.

O que é a Noiana?

A Noiana ocorre quando diminui o fluxo de sangue para uma parte do nervo óptico. Ela pode causar perda repentina da visão, geralmente sem dor, e deixar sequelas permanentes. Em 12/06/2025, a Anvisa já havia alertado que essa condição poderia ocorrer como evento adverso muito raro associado à semaglutida e informado que o risco seria incluído nas bulas dos medicamentos com essa substância. A notificação envolvendo tirzepatida permanece sob investigação.

O que fazer se a visão piorar?

Quem apresentar perda súbita ou piora rápida da visão deve procurar atendimento médico imediatamente e informar quais medicamentos utiliza. Pacientes em tratamento também devem conversar com o profissional que os acompanha para avaliar seus riscos individuais. As notificações não indicam que todos os usuários terão o problema nem são motivo, por si só, para interromper o tratamento sem orientação médica.

Em 30 anos, obesidade triplica e atinge 1/4 da população adulta

Um estudo publicado neste mês no site da revista Lancet mostra que a prevalência de obesidade no país em adultos mais do que triplicou no período de 1990 a 2023. A pesquisa é parte da série de estudos Carga Global de Doenças (GBD, do inglês Global Burden of Disease) e mostra que, entre os adultos com 25 anos ou mais de idade, a prevalência passou de 7,8% para 27,7% no período de três décadas.

O Brasil foi o país que apresentou maior crescimento entre os 17 países latino-americanos pesquisados.

Somando-se todos os casos de excesso de peso, que incluem sobrepeso e obesidade, a prevalência no país subiu de 40,3%, em 1990, para 66,8%, em 2023. Ou seja, dois em três brasileiros estavam acima do peso normal para a altura.

Junto com a Colômbia, o Brasil foi a nação com maior crescimento na parcela da população com excesso de peso (69%), na América Latina, região que teve um aumento médio de 47% no período.

O sobrepeso e a obesidade são calculados com base em um índice de massa corporal (IMC) que considera a relação entre peso e altura. O sobrepeso é o degrau logo acima do peso normal, ou seja, quando o IMC se situa entre 25,00 e 29,99. Já a obesidade é um degrau acima do sobrepeso, quando o IMC é de 30,00 ou mais.

Mudança de hábitos

Segundo a pesquisadora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Deborah Carvalho Malta, que participou da elaboração do estudo, esse aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade é reflexo da mudança nos hábitos, como alimentação e a prática de exercícios físicos.

De acordo com ela, nas últimas décadas, o Brasil vem passando por uma transição nutricional, com dois resultados antagônicos, com redução dos níveis de desnutrição e piora na qualidade da alimentação. 

“Houve melhoras das condições reais de vida, de acesso a alimentos, de melhora da merenda escolar, com muitas políticas importantes de proteção social, incluindo o Bolsa Família, com uma melhora real também do salário mínimo. Então, isso faz com que a desnutrição seja cada vez mais um problema residual”, afirma Deborah.

Por outro lado, houve também uma piora na qualidade dos alimentos consumidos pela população como um todo.

“A gente tem visto uma substituição dos alimentos saudáveis pelos alimentos não saudáveis, como os ultraprocessados. Porque são mais baratos, tem um marketing muito grande da indústria, são alimentos palatáveis, com altos teores de gordura, de açúcar e de sódio, mas com um sabor que as crianças e os adultos gostam. E são de fácil preparo, é só abrir a caixinha”, ressalta a pesquisadora.

Ela explica, por exemplo, que estudos têm mostrado a queda no consumo do feijão, leguminosa considerada uma importante fonte de proteínas, fibras, vitaminas e minerais, como ferro, cálcio, magnésio, potássio e fósforo.

De acordo com a pesquisadora, é preciso haver políticas de estímulo à alimentação saudável, como o aumento da taxação sobre produtos ultraprocessados (como refrigerantes) e a redução de impostos sobre alimentos saudáveis, como carnes, frutas, verduras, hortaliças, arroz e feijão. “Isso vai fazer muita diferença na mesa do brasileiro, especialmente o brasileiro de renda mais baixa”.

Segundo Deborah, é importante também estimular o aleitamento materno até os dois anos de idade e garantir a oferta de alimentos saudáveis na merenda escolar.

Sedentarismo

Academia, exercício físico

Sedentarismo cresceu entre a população adulta – José Cruz/Agência Brasil

Outro fenômeno apontado pela pesquisadora é o aumento do sedentarismo da população, que se exercita menos e está mais exposta a telas de celulares, computadores e televisão.

“Essa combinação, da dieta com a atividade física, ela é muito determinante do aumento do excesso de peso. E é uma combinação ocidental, onde você piora sua alimentação e se torna mais sedentário”.

Ela destaca que é importante reverter o excesso de peso, com a oferta de alimentação saudável e a prática de exercícios físicos, ainda na infância.

“É muito mais difícil você reverter uma obesidade adquirida na infância. Então, essa criança [obesa] tem também uma predisposição muito maior não só para ter obesidade na vida adulta, como também doenças crônicas não transmissíveis. Então, é muito importante a gente ter uma atenção especial para a obesidade na infância”, alerta Deborah.

A pesquisadora, que é médica pediatra e doutora em saúde coletiva, destaca que o excesso de peso está ligado ao desenvolvimento de diversas enfermidades crônicas, como doenças cardiovasculares, renais, osteomusculares e vários tipos de câncer. Além disso, há um efeito psicológico na autoestima da pessoa.

Anvisa apreende medicamentos falsificados usados contra câncer e em procedimentos estéticos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de medicamentos falsificados, incluindo um lote do Phesgo, utilizado no tratamento do câncer de mama, e três lotes da toxina botulínica Dysport 500 U. A medida foi divulgada nesta segunda-feira (21) e proíbe a comercialização, distribuição e uso dos produtos identificados como irregulares. No caso do Phesgo, a determinação atinge o lote B5011B05, fabricado em junho de 2025, após a Roche identificar unidades com características diferentes do medicamento original.

A Anvisa também determinou a apreensão dos lotes P08191, P08192 e P22368 do Dysport, utilizado em tratamentos terapêuticos e procedimentos estéticos. Segundo a empresa Beaufour Ipsen Farmacêutica, responsável pelo registro do produto no Brasil, esses lotes não são reconhecidos como originais. A orientação é para que pacientes, profissionais e estabelecimentos de saúde verifiquem a numeração das embalagens e não utilizem medicamentos pertencentes aos lotes falsificados, comunicando eventuais suspeitas à Vigilância Sanitária.

Além dos medicamentos falsificados, a Anvisa suspendeu propagandas irregulares de medicamentos manipulados comercializados pela Queen Pharma Aesthetic e pela Farmácia Malheiro. A agência também proibiu a divulgação e venda de produtos à base de cannabis sem autorização sanitária. A recomendação aos consumidores é verificar, antes da compra ou utilização, se medicamentos e demais produtos sujeitos à vigilância sanitária possuem registro ou autorização da Anvisa.

Ribeirão Preto registra queda de 26% nas mortes por AVC em 2026

Ribeirão Preto registrou 34 mortes por AVC (Acidente Vascular Cerebral) entre janeiro e 4 de setembro de 2026, número 26% menor que o observado no mesmo período de 2025, quando a cidade contabilizou 46 óbitos. Ao longo de todo o ano passado, foram registradas 64 mortes provocadas pela doença.

Diante dos dados, a Prefeitura de Ribeirão Preto, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, realiza durante o mês de setembro uma série de ações e capacitações voltadas à prevenção do AVC e das doenças cardiovasculares. A iniciativa busca orientar profissionais da rede municipal de saúde e ampliar o combate aos principais fatores de risco.

Setembro Vermelho reforça prevenção de doenças cardiovasculares

As atividades fazem parte do Setembro Vermelho, campanha dedicada à conscientização e prevenção das doenças cardiovasculares. A programação também está relacionada ao Dia Mundial da Segurança do Paciente, celebrado em 17 de setembro, que neste ano tem como tema o cuidado seguro para doenças não transmissíveis.

As primeiras ações serão realizadas nos dias 17 e 18 de setembro e devem reunir aproximadamente 200 profissionais da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto.

A programação contará com atividades práticas de prevenção e promoção da saúde, como alongamento, yoga, avaliação de risco cardiovascular, aferição da pressão arterial e medição da circunferência abdominal, utilizada como um dos indicadores para avaliação do risco metabólico.

A proposta também pretende incentivar os profissionais da saúde a cuidarem da própria saúde física e cardiovascular.

Profissionais recebem capacitação para prevenção de AVC e infarto

No dia 23 de setembro, profissionais da Atenção Primária à Saúde participarão de uma capacitação específica sobre prevenção de doenças cardiovasculares, além do acompanhamento e controle de problemas como hipertensão arterial e diabetes.

As duas condições estão entre os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de problemas graves, como AVC e infarto. Após a capacitação, os profissionais poderão compartilhar as informações com pacientes e equipes das unidades municipais de saúde.

“Oferecer o tratamento adequado para condições crônicas como diabetes e hipertensão é fundamental para garantir uma melhor qualidade de vida aos pacientes. Quando não controladas, essas condições estão entre os principais fatores de risco para doenças cardiovasculares e podem aumentar as chances de ocorrências graves, como infartos e AVCs”, explica Adrielen Calixto, enfermeira da área técnica de Atenção às Doenças Crônicas Não Transmissíveis.

Quais são os principais fatores de risco para AVC?

Entre os principais fatores relacionados às doenças cardiovasculares estão hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, consumo excessivo de álcool, estresse crônico, sedentarismo e obesidade.

Essas condições, principalmente quando aparecem de forma combinada, podem aumentar o risco de problemas como AVC, infarto e insuficiência cardíaca.

Segundo as orientações de prevenção, parte significativa desses riscos pode ser reduzida com hábitos mais saudáveis, incluindo prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, abandono do cigarro, moderação no consumo de bebidas alcoólicas, controle do estresse e acompanhamento médico periódico.

Consultas regulares e exames preventivos também ajudam na identificação e no controle de doenças como hipertensão, diabetes e colesterol alto, reduzindo o risco de complicações cardiovasculares.

Retinopatia diabética: entenda condição ocular causada pelo diabetes

Já se sabe que o diabetes causa alterações nos vasos sanguíneos que podem resultar em problemas de circulação. O que poucos sabem é que, quando essa situação acomete especificamente a retina, o quadro, se não for diagnosticado e controlado precocemente, pode levar a complicações oculares importantes e até mesmo à cegueira. 

Apesar de pouco conhecida pela população em geral, a retinopatia diabética é uma das complicações mais comuns associadas ao diabetes. Por esse motivo, além do controle dos índice de glicemia, a orientação do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) é que pacientes diabéticos consultem regularmente um oftalmologista – preferencialmente uma vez ao ano. 

“O diabetes é uma doença que agride os vasos sanguíneos. E, assim como ele agride os vasos do organismo em geral, também agride os vasos que estão na retina. Por esse motivo, o controle do diabetes é extremamente importante para os olhos”, explicou a presidente do CBO, Maria Auxiliadora Frazão. 

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador do departamento de Saúde Ocular da Sociedade Brasileira de Diabetes, Fernando Malerbi, lembrou que o Siabetes é uma doença crônica que afeta praticamente o organismo inteiro. “Alguns órgãos são mais afetados que outros. E essa parte do olho, a retina, é um desses órgãos mais sensíveis a esse tipo de alteração”. 

Malerbi reforçou que a preocupação com danos à visão ou mesmo com a cegueira, como consequência da retinopatia diabética, só valem para quadros de diabetes que não estão sendo controlados e não para todos os pacientes diagnosticados com diabetes.

“A perda da visão não é uma sentença pra quem tem diabetes. O paciente pode sim ter uma vida saudável”. 

“O problema acontece quando a pessoa não sabe que tem ou não sabe se cuidar. É quando as complicações podem acontecer. E a retinopatia diabética é uma das alterações mais temidas porque mexe com a nossa visão”, explicou o médico. 

O exame que detecta a retinopatia diabética é conhecido como exame de fundo de olho e exige a dilatação da pupila. “A retina é um tecido muito frágil e bastante vascularizado. O diabetes também causa danos na parte neural da retina, algo que que a gente consegue detectar com exames específicos. Se o quadro estiver presente e não for tratado adequadamente, a pessoa pode ter prejuízo da visão. Mas, na fase inicial, a gente consegue reverter”. 

As orientações para pacientes diabéticos, como forma de prevenir a retinopatia diabética, incluem manter um peso adequado, alimentar-se corretamente, praticar atividade física e fazer a prevenção primária. A depender do caso, as consultas com oftalmologista podem ser ainda menos espaçadas – gestantes que já eram diabéticas antes da gravidez, por exemplo, devem ser examinadas a cada três meses.

*A repórter viajou a convite do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

HC de Ribeirão Preto estreia cirurgia robótica de prótese de joelho e prevê ampliar atendimentos

Novo equipamento auxilia médicos na implantação de próteses com maior precisão; hospital estima passar de cerca de 70 para 170 procedimentos por ano

O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto realizou pela primeira vez uma cirurgia para implantação de prótese de joelho com o suporte de um sistema robótico. A nova tecnologia passa a fazer parte da estrutura utilizada pela equipe de ortopedia da instituição e deve contribuir tanto para a precisão dos procedimentos quanto para a ampliação da capacidade de atendimento.

Segundo o HC, a estreia do equipamento representa também a primeira utilização dessa tecnologia em um hospital público da América Latina.

O primeiro procedimento foi realizado em um paciente com desgaste avançado da articulação do joelho. A partir da implantação do sistema, a expectativa é que a cirurgia robótica seja utilizada juntamente com as técnicas convencionais já realizadas no hospital.

Tecnologia auxilia cirurgião durante o procedimento

O equipamento conta com um braço robótico que funciona como ferramenta de apoio ao médico durante etapas da operação, principalmente nos cortes realizados nos ossos para a colocação da prótese.

Com o sistema, a equipe consegue planejar e executar esses cortes com maior precisão, buscando melhorar o alinhamento da articulação e o posicionamento dos componentes que formam a prótese.

A utilização do robô não substitui a atuação do cirurgião. As decisões médicas e a condução da operação continuam sob responsabilidade dos profissionais, enquanto o equipamento auxilia na execução do planejamento estabelecido pela equipe.

A precisão também pode ajudar a preservar estruturas próximas à articulação, como ligamentos, além de reduzir a retirada de tecido ósseo além do necessário.

Procedimento pode auxiliar em casos mais complexos

Entre os pacientes que podem se beneficiar da tecnologia estão aqueles que apresentam alterações mais acentuadas no joelho, como deformidades importantes ou consequências de fraturas anteriores.

O maior controle durante a cirurgia também pode diminuir intervenções em estruturas ao redor da articulação. A expectativa é que isso possa favorecer a recuperação após o procedimento e, em determinados casos, contribuir para um período menor de internação.

A evolução de cada paciente, no entanto, depende de fatores individuais e das condições clínicas apresentadas.

Número de cirurgias pode chegar a 170 por ano

Além dos benefícios relacionados à precisão, a implantação do sistema robótico deve permitir ao HC aumentar o número de pacientes atendidos.

De acordo com Fabricio Fogagnolo, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) e coordenador da equipe cirúrgica, o hospital realiza atualmente aproximadamente 70 cirurgias convencionais de joelho por ano.

Com o novo equipamento funcionando em conjunto com os procedimentos tradicionais, a projeção é chegar a cerca de 170 cirurgias anualmente.

Caso a estimativa seja alcançada, o HC terá um crescimento de aproximadamente 143% na capacidade anual para esse tipo de procedimento.

Equipamento também terá uso em ensino e pesquisa

A tecnologia não ficará restrita à assistência aos pacientes. Por estar inserido em um complexo hospitalar ligado à formação médica e à produção científica, o sistema também deverá ser utilizado no desenvolvimento de pesquisas e no treinamento de profissionais.

Segundo Fogagnolo, a utilização do equipamento permitirá produzir novos dados científicos e ampliar as possibilidades de formação das equipes envolvidas nos procedimentos.

A chegada da cirurgia robótica reforça, assim, a integração entre assistência, ensino e pesquisa desenvolvida pelo Hospital das Clínicas e pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Com a incorporação da tecnologia, o HC passa a contar com uma nova alternativa para procedimentos de prótese de joelho, combinando maior precisão cirúrgica com a perspectiva de ampliar o número de pacientes atendidos.

Cantor sertanejo Marcelo Gasparini morreu vítima de Leucemia Mieloide Aguda; doença pode ser prevenida?

A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) é um câncer de evolução rápida que se origina na medula óssea e provoca a produção descontrolada de células sanguíneas anormais. Apesar dos avanços no conhecimento sobre a doença, não existe uma forma capaz de prevenir a maioria dos casos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), grande parte das pessoas que desenvolvem leucemia não apresenta fatores de risco conhecidos que possam ser modificados, o que limita as possibilidades de prevenção direta.

Isso não significa, porém, que todos os riscos sejam inevitáveis. O tabagismo é um dos fatores modificáveis associados à LMA e, segundo a American Cancer Society, é o único fator de estilo de vida com relação comprovada com esse tipo de leucemia. Substâncias cancerígenas presentes na fumaça do cigarro entram na corrente sanguínea e podem atingir células da medula óssea. Por isso, não fumar ou abandonar o cigarro está entre as principais medidas que podem contribuir para reduzir o risco da doença.

Outro ponto de atenção é a exposição ao benzeno, substância associada ao aumento do risco de leucemia e presente em determinados ambientes industriais, derivados de petróleo, gasolina e também na fumaça do cigarro. A radiação ionizante em doses elevadas e determinados tratamentos anteriores com quimioterapia ou radioterapia também estão relacionados a maior risco de desenvolver LMA. No ambiente de trabalho, a prevenção passa principalmente pelo controle ou eliminação da exposição a agentes cancerígenos e pelo cumprimento das medidas de proteção ocupacional. Nos casos em que quimioterapia ou radioterapia são necessárias para tratar outro câncer, entretanto, o INCA ressalta que o benefício do tratamento de uma doença potencialmente fatal normalmente se sobrepõe ao risco futuro de uma leucemia secundária.

Há ainda fatores que não podem ser modificados, como o envelhecimento, determinadas alterações genéticas e síndromes hereditárias, histórico familiar e algumas doenças da medula óssea, entre elas a síndrome mielodisplásica. Ter um ou mais fatores de risco não significa que uma pessoa necessariamente desenvolverá LMA, assim como a doença pode surgir em indivíduos sem fatores conhecidos. Por isso, a principal mensagem dos especialistas é que não existe atualmente uma estratégia capaz de impedir todos os casos, mas evitar o tabaco e reduzir exposições comprovadamente cancerígenas são medidas importantes para diminuir riscos que podem ser controlados

Anvisa manda apreender produtos comercializados pela United Labz

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta terça-feira (1º) a apreensão de todos os produtos da marca United Labz. Com isso, os produtos não podem ser fabricados, armazenados, distribuídos, vendidos, importados, divulgados nem utilizados.

Os itens são fabricados por empresa desconhecida e não possuem registro, notificação ou cadastro na agência reguladora, embora sejam anunciados na internet e amplamente comercializados.

Em seu site, a United Labz se apresenta como uma empresa americana e anuncia canetas emagrecedoras importadas. Os produtos são supostamente à base de Tirzepatida e Retatrutida.

A Tirzepatida é o princípio ativo de medicamentos usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Já a Retatrutida ainda está em desenvolvimento clínico e não foi registrada em nenhum país até o momento.

Ciente de que a procura por medicamentos voltados ao tratamento do diabetes e da obesidade está em alta em todo o mundo e o Brasil acompanha o interesse global pelos produtos, a Anvisa reforça o alerta sobre o perigo de consumir produtos de origem desconhecida.

Agência Brasil