Ainda existem aviões da Voepass no aeroporto Leite Lopes em Ribeirão Preto ?

A Voepass tomou conta dos noticiários no Brasil nas últimas semanas após a conclusão das investigações sobre a tragédia ocorrida em Vinhedo que matou 62 pessoas por causa da queda de um de seus aviões, e o indiciamento de várias pessoas que trabalhavam na empresa. Diante de tanta exposição nos noticiários a população da cidade pergunta se ainda existe alguma aeronave da Voepass no aeroporto Leite Lopes.

Segundo o site Aeroin, os dois últimos ATR 72-500 ainda com a identidade visual da Voepass deixaram o Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto no dia 22 de junho. Os aviões, de matrículas PP-PTO e PP-PTQ, decolaram com destino inicial a Cuiabá e, posteriormente, seguiram para o México, com escala prevista na Colômbia.

Os dois aviões eram os últimos ATRs que ainda permaneciam no aeroporto de Ribeirão Preto com a pintura da Voepass, encerrando a presença visual da companhia no terminal. A saída ocorreu mais de um ano após a tragédia do voo 2283 e após a suspensão cautelar das operações da empresa pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 11 de março de 2025, em razão de irregularidades apontadas nos sistemas de gestão da companhia.

Com a saída dos dois aviões, desaparecem do Aeroporto Leite Lopes os últimos vestígios visuais da frota que, durante anos, esteve ligada à Passaredo e à Voepass, marcando o encerramento de uma era para a aviação regional em Ribeirão Preto.

Polícia Federal indicia 16 pessoas por queda de avião da Voepass

A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quinta-feira (6) 16 pessoas por envolvimento na queda da aeronave da Voepass Linhas Aéreas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, após concluir a investigação. Todos os indiciados são ligados à companhia, inclusive o presidente da empresa, José Luiz Felício Filho.

A queda do avião turboélice, ATR 72-500, deixou 62 mortos, sem sobreviventes.    

De acordo com a PF, a Justiça Federal decidiu que todos os indiciados não poderão deixar o país, ou terão de voltar ao Brasil caso estejam no exterior, enquanto o Ministério Público Federal (MFP) analisa o inquérito da polícia e decide quais pessoas serão denunciadas. 

Segundo a PF, 15 foram indiciados pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo (Artigo 261 do Código Penal) e uma (o comandante do voo da madrugada, que pilotou o mesmo avião em que ocorreu a queda) foi indiciada por falsidade ideológica.

Foram indiciados pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo o diretor-presidente da Voepass José Luiz Felício Filho; o comandante do voo imediatamente anterior ao acidente, que teria entregue a aeronave sem reportar falhas; o mecânico que teria se omitido de realizar manutenção; o chefe do Centro de Controle de Manutenção (MCC); o inspetor técnico responsável por responder pela manutenção perante a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac); o diretor de manutenção da companhia; o gerente do Centro de Controle Operacional (CCO); o diretor do CCO; o diretor de operações; o chefe dos pilotos; e o diretor de segurança operacional (safety).

As penas para o crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo é de 4 a 12 anos de prisão, e dobram (de 8 a 24 anos) em decorrência do resultado em morte.

A Polícia Federal informou ainda que solicitou à Justiça Federal que autorize o compartilhamento de todas as informações da investigação com a Anac para que a agência investigue administrativamente se houve falhas de seus servidores no processo de fiscalização da companhia aérea. Com o mesmo objetivo, a PF solicitou que a investigação seja também compartilhada com a Procuradoria da República no Distrito Federal, local da sede da Anac.

“Nossa equipe analisou dezenas de processos de fiscalização da Anac e se pôde perceber que havia ali [na Voepass] uma cultura realmente de omissão e que não era uma cultura de quem estava ali na ponta no dia-a-dia do mecânico da pista, não, era uma cultura de uma omissão implementada na empresa”, destacou o delegado chefe da Polícia Federal em Campinas, André Ribeiro.

Segundo a PF, a aeronave não tinha condições técnicas de realizar o voo na situação a que foi submetida, sob formação de gelo severo e precipitações. Equipamentos imprescindíveis para essas condições, como o sistema de degelo e o limpador do parabrisas do avião, estavam inoperantes. Mesmo assim, a empresa decidiu por autorizar a decolagem do avião. 

Durante o voo, os pilotos receberam, gradativamente, do sistema de segurança do avião, avisos de que as condições de voo estavam decaindo. No entanto, mesmo diante dos avisos sonoros e da lâmpada de “master caution”, a PF diz que os pilotos não tomaram nenhuma atitude.

Segundo a polícia, o avião havia apresentado problemas semelhantes em voos anteriores. No entanto, os pilotos, orientados pela empresa, não reportavam as falhas no relatório pós voo para que a aeronave não ficasse impedida de continuar a voar.

“A investigação comprova que havia, por parte da chefia dos pilotos, e da direção de operações [da companhia], orientação para não reportar as falhas, porque as falhas poderiam parar a aeronave, impedindo um voo subsequente”, destacou o delegado.

Famílias

Familiares das vítimas que estavam presentes na Polícia Federal em São Paulo avaliaram como criminoso o modo em que a Voepass operava. 

“Aquelas ações eram criminosas, eles eram profissionais, eles sabiam o que estavam fazendo. Eram profissionais preparados, sabotando uma fiscalização, fazendo gambiarra numa aeronave que poderia matar, então eles sabiam, todos sabiam que aquela aeronave uma hora ia cair. Correram o risco, não se importavam”, disse Fátima Albuquerque, da Associação de Familiares das Vítimas.

Segundo os advogados da associação, o grupo deverá ingressar com uma ação coletiva por danos morais contra a Voepass.

Acidente da Voepass: Pilotos não relatavam falhas nas aeronaves, diz Cenipa

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que uma sequência de falhas técnicas, operacionais e organizacionais provocou a queda do voo PS-VPB da Voepass, em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), acidente que deixou 62 mortos, entre passageiros e quatro tripulantes. O documento, divulgado nesta quinta-feira (23), revela que alertas de segurança foram ignorados, procedimentos obrigatórios deixaram de ser seguidos e problemas mecânicos recorrentes não eram registrados pela companhia.

As investigações apontaram que a aeronave ATR-72 havia apresentado falhas no sistema de degelo em voos anteriores, mas esses problemas não foram registrados no diário de bordo. Segundo o Cenipa, diferentes tripulações detectaram acúmulo de gelo e anomalias no sistema responsável por remover o gelo das superfícies da aeronave, porém adotavam procedimentos informais sem comunicar oficialmente as ocorrências. Para os investigadores, esse comportamento evidenciou uma cultura organizacional de normalização de desvios, fator considerado determinante para o acidente. “Foram identificados 19 fatores contribuintes, com peso elevadíssimo da cultura organizacional”, afirmou o chefe do Cenipa, brigadeiro do ar Avellar.

O relatório também identificou graves fragilidades na manutenção da frota. Mecânicos relataram a reutilização de componentes com defeito entre diferentes aeronaves, prática incompatível com os requisitos de segurança. Além disso, o avião acidentado possuía restrições operacionais devido a uma pane nos limpadores de para-brisa, que limitava sua operação em condições meteorológicas específicas. Mesmo assim, a aeronave foi liberada para o voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP).

Durante a viagem, o sistema da aeronave emitiu diversos alertas de formação de gelo e de perda de desempenho causada pelo acúmulo de gelo nas asas e na fuselagem. O sistema de degelo chegou a ser acionado, mas apresentou falhas e acabou desligado pelos pilotos. Conforme o Cenipa, o procedimento correto seria reiniciar o sistema e, caso a falha persistisse, reduzir a altitude para regiões com temperaturas menos severas. Nenhuma dessas medidas foi adotada, e também não houve alteração no plano de voo.

A investigação revelou ainda fatores relacionados ao desempenho da tripulação. Áudios da cabine mostram que piloto e copiloto discutiam os sucessivos alertas durante a aproximação para Guarulhos. Em determinado momento, o copiloto alertou que o sistema de degelo sequer havia sido ligado inicialmente, enquanto, minutos antes da queda, comentou que havia “bastante gelo” acumulado na aeronave. Segundo o investigador-encarregado do Cenipa, tenente-coronel Fróes, o excesso de informações simultâneas comprometeu a capacidade da tripulação de reagir adequadamente às emergências.

Para identificar possíveis padrões, o Cenipa analisou cerca de 15 mil voos da Voepass. O levantamento encontrou 1.674 operações com alertas de degradação de desempenho, além de um voo que chegou a registrar perda momentânea de controle da aeronave. Nenhuma dessas ocorrências foi comunicada ao órgão de investigação, embora o reporte fosse obrigatório. A combinação entre falhas de manutenção, deficiência na gestão operacional, problemas no sistema de degelo, condições meteorológicas adversas e resposta tardia da tripulação levou à perda de sustentação da aeronave, que entrou em parafuso antes de colidir contra o solo em Vinhedo.

Avião de Voepass deixa Ribeirão Preto com destino a Europa

Um avião da Voepass deixou Ribeirão Preto na última quinta-feira se despedindo da cidade que tantas vezes pousou e decolou. Trata-se do modelo ATR 600-72. O avião estava estacionado em uma angar desde janeiro de 2025.

A informação foi confirmada pela Rede Voa ao portal Wmais, administradora do aeroporto Leite lopes e também pelo portal Aeoroin. Não se sabe ainda se há mais alguma outra aeronave da Voepass estacionada no local. Um instagram especializado em aviação informou que sim, esta é a última aeronave da empresa que estava na cidade.

A aeronave seguiu para Natal para abastecimento e em seguida partiu para a Europa, em sua fábrica passará por adpatações.

No mês de junho do ano passado, Agência Nacional de Aviação Civil cassou o certificado que permitia a VoePass operar em espaço aéreo brasileiro. Desde março de 2025, de forma cautelar a Voepass estava com as atividades suspensas.

A tragédia ocorrida na cidade de vinhedo em agosto de 2024 com um avião da Voepass vitimando 62 pessoas vai virar um documentário para o GloboPlay conforme já informou o portal Wmais.