Golpistas usam aplicativo falso em nome do INSS para roubar dados

Criminosos estão utilizando um aplicativo falso em nome do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para aplicar golpes e roubar dados financeiros de usuários. A fraude se apresenta como um suposto serviço de reembolso de descontos associativos e tem sido disseminada principalmente para celulares com sistema Android. O golpe foi identificado por pesquisadores da empresa de cibersegurança Kaspersky, que detectaram a presença de um malware conhecido como “BeatBanker”, classificado como um trojan bancário capaz de roubar informações sensíveis e assumir o controle do aparelho da vítima.

O esquema começa com a divulgação de um site falso que imita a aparência da loja oficial de aplicativos do Android. Nesse ambiente fraudulento, os criminosos oferecem um aplicativo chamado “INSS Reembolso”, que se apresenta como ferramenta oficial para solicitar a devolução de valores. Após a instalação, no entanto, o programa passa a comprometer o celular do usuário, permitindo acesso a dados armazenados no dispositivo, além de possibilitar espionagem de aplicativos bancários, captura de senhas e redirecionamento de transferências financeiras.

O INSS orienta a população a não instalar aplicativos fora das lojas oficiais e a desconfiar de promessas de reembolso ou liberação de valores feitas por meio de links ou páginas desconhecidas. O órgão reforça que o único aplicativo oficial para acesso aos serviços previdenciários é o Meu INSS, disponível nas plataformas oficiais, além do atendimento pelo telefone 135 e pelos canais institucionais na internet. Caso o usuário identifique aplicativos suspeitos ou já tenha realizado o download, a recomendação é remover imediatamente o programa, realizar uma verificação de segurança no aparelho e evitar operações financeiras até que o dispositivo esteja seguro.

Veja dicas para proteger seu celular de golpes virtuais no carnaval

Blocos lotados, turistas distraídos e alto volume de transações fazem do Carnaval 2026 um dos períodos mais críticos para golpes financeiros e fraudes digitais. Mesmo quando não há furto ou roubo físico, o celular se tornou a principal porta de entrada para criminosos acessarem aplicativos bancários e esvaziarem contas em poucos minutos. Especialistas alertam que, durante a folia, o aumento das transações via Pix, pagamentos por aproximação e compras rápidas cria o cenário ideal para ataques, elevando o risco de prejuízo financeiro.

Embora muitos golpes no Carnaval aconteçam presencialmente — como maquininhas adulteradas e cobranças indevidas —, o smartphone virou o grande alvo dos estelionatários. Redes wi-fi falsas, mensagens com links maliciosos e ataques de engenharia social estão entre as principais estratégias usadas para invadir dispositivos. Segundo José Oliveira, Diretor de Tecnologia (CTO) da Certta, eventos de grande porte criam o ambiente perfeito para fraudes. “Há quebra de rotina, decisões rápidas e um senso de urgência que inibe a reflexão. É exatamente isso que o fraudador explora”, afirma.

O risco aumenta no Carnaval por três fatores principais: alta concentração de pessoas, que facilita furtos e camufla criminosos; quebra de rotina, que dificulta sistemas automáticos de detecção de fraude; e decisões emocionais, marcadas por pressa e distração. Com o celular desbloqueado — ou após tentativas rápidas de adivinhar senhas — golpistas conseguem transferir valores via Pix, solicitar empréstimos, alterar senhas e recuperar acessos por e-mail ou SMS. Além disso, o uso de inteligência artificial já permite aplicar golpes com deepfakes de voz e imagem, tornando as fraudes ainda mais sofisticadas.

Para evitar golpes no Carnaval, especialistas recomendam ativar biometria facial ou digital nos aplicativos bancários, reduzir temporariamente o limite do Pix, desativar o pagamento por aproximação em ambientes lotados e evitar conexões wi-fi públicas. Também é essencial saber como apagar o aparelho remotamente e bloquear contas imediatamente em caso de roubo. A principal orientação, porém, é simples: desacelerar. Antes de clicar em links, digitar senhas ou confirmar pagamentos, faça uma pausa. Em meio à festa, a tecnologia ajuda, mas a primeira linha de defesa contra fraudes ainda é o comportamento atento do próprio usuário.

Senado aprova redução da pena de condenados pelo 8/1 e trama golpista

O Senado aprovou nesta quarta-feira (17), em votação nominal, o projeto de Lei (PL) 2162/2023, o chamado PL da Dosimetria que prevê a redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe de Estado.

Foram 48 votos favoráveis e 25 votos contra. O texto segue agora para a sanção presidencial.

Os senadores aprovaram o parecer do senador Esperidião Amin (PP-SC), que reduz as penas dos condenados por atos golpistas. Entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mais cedo, o projeto foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Amin, que é favorável à anistia, defende que a redução das penas visa “pacificar o país”.

“Somos da posição de que a anistia para os condenados pelos eventos de 8 de janeiro deveria ser analisada à luz do princípio da unidade nacional e da função integradora do direito constitucional. A manutenção de centenas de cidadãos em regime fechado por atos que, embora ilícitos, não configuraram insurgência armada ou ameaça real à soberania, pode agravar divisões e comprometer a legitimidade das instituições”, argumentou.

“O perdão apresentar-se-ia como solução juridicamente possível e politicamente adequada para encerrar um ciclo de tensão e reafirmar o compromisso do Estado brasileiro com a democracia e a pacificação social”, concluiu.

O relator acatou uma emenda que determina que a redução será aplicada apenas aos condenados pelos atos golpistas. O senador considerou a emenda como apenas um ajuste de redação e não de mérito, para que o projeto não tenha que retornar à Casa de origem – no caso, a Câmara dos Deputados, que aprovou a matéria na noite do dia 9 de dezembro. 

Um grupo de senadores se manifestou contra o projeto por não representar o anseio do país.

“Foi urdida uma trama, foi planejado um golpe de Estado no Brasil e foi tudo coordenado, financiado para que o golpe se concretizasse. Felizmente, não se concretizou por vários fatores”, disse o senador Marcelo Castro (MDB-PI).

“Há uma semana, nós votamos aqui a Lei Antifacção, endurecendo as penas, dificultando a progressão. E, hoje, senhoras e senhores, nós estamos aqui, incoerentemente, fazendo exatamente o contrário”, finalizou.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), o projeto foi construído para beneficiar um grupo político que atentou contra o Estado Democrático de Direito.

“Essa é uma proposta casuística, uma norma jurídica que está sendo criada para beneficiar um grupo, para dar privilégio para um grupo, um grupo que atentou contra a própria Constituição”, afirmou.

“Nós temos que dar ao Brasil um recado importante de que golpe de Estado tem que se tratar com dureza, especialmente num processo que foi totalmente baseado na legalidade, que deu direito de defesa. Um julgamento que o Brasil inteiro acompanhou, um processo em que provas que foram produzidas provas materiais e a maior parte delas, produzidas pelos próprios criminosos”, reiterou.

Senadores do PL defenderam a proposta. O senador Izalci Lucas (PL-DF) disse que a proposta serve para diminuir penas de pessoas que não estavam diretamente envolvidas na trama e que receberam duras condenações.

“Nós precisamos votar essa matéria para virar essa página e tirar essas pessoas: o pipoqueiro, o vendedor de bala, que foi condenado há oito anos, 14 anos”, disse.

“Eu sou a favor da anistia, mas vamos aprovar a redução de pena para tirar os manifestantes da cadeia. Isso é o mais importante”, afirmou o senador Sergio Moro (União-PR).