Governo pede investigação do Cade sobre aumento no preço dos combustíveis

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, encaminhou nesta segunda-feira (10) um ofício ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) solicitando a investigação de recentes aumentos nos preços dos combustíveis registrados em postos da Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e do Distrito Federal.

O pedido foi feito após representantes de sindicatos do setor relatarem que distribuidoras estariam elevando os preços de venda mesmo sem anúncio de reajuste por parte da Petrobras nas refinarias. Segundo as entidades, os aumentos estariam sendo justificados pela alta do petróleo no mercado internacional, em meio às tensões e ataques registrados no Oriente Médio.

Em nota, a Senacon informou que solicitou ao Cade a análise do caso para verificar se há indícios de práticas que possam prejudicar a livre concorrência no mercado. O órgão quer saber se houve tentativa de influência para adoção de conduta comercial uniforme ou combinada entre empresas do setor.

Sindicatos que representam o comércio de combustíveis também manifestaram preocupação com o cenário. Entidades da Bahia, do Rio Grande do Norte, de Minas Gerais e de São Paulo apontam que a elevação do preço internacional do petróleo já começa a gerar reflexos no mercado brasileiro, com relatos de aumento nos custos de distribuição e alerta para possíveis impactos no abastecimento e nos preços ao consumidor.

Preços de gasolina e diesel devem subir em Ribeirão Preto nos próximos dias

A Central de Monitoramento da Associação Núcleo Postos Ribeirão Preto, que reúne 85 revendedores da cidade e região, alerta para tendência de alta nos preços da gasolina e do diesel, nos próximos dias. Nessa segunda-feira (2), os postos locais começaram a receber, das distribuidoras, remessas com alta média de R$ 0,05/litro para os dois combustíveis, mesmo sem a Petrobras ter anunciado qualquer reajuste nas refinarias.

“A explicação percebida junto às distribuidoras é que o preço do petróleo teve uma disparada repentina no mercado internacional (o barril brent saltou de US$ 61 para US$ 85, até a manhã de hoje) com a onda de conflitos no oriente médio. Isso gerou circunstâncias de mercado que fizeram aumentar os preços para os postos”, explica Fernando Roca, presidente da Associação Núcleo Postos RP.

Defasagem e pressão
Segundo dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), a defasagem entre os preços praticados no mercado interno, em relação aos do mercado internacional, também disparou. Na manhã dessa terça-feira (3), atingiu os seguintes percentuais:

  • Gasolina: -11% (principais polos) e -12% (polos da Petrobras);
  • Diesel: -25% (principais polos) e -26% (polos da Petrobras).

“O cenário mundial está gerando grande pressão sobre a Petrobras. Dois agravantes são o fechamento do Estreito de Ormuz, por parte do Irã, e o bombardeio de refinarias na Arábia Saudita. Com a escalada do conflito, resta saber se a estatal brasileira terá força para segurar os preços no mercado interno”, analisa.

Reflexos diretos
A alta de preços dos combustíveis fósseis deve elevar a procura por etanol, nos postos, nos próximos dias. É preciso lembrar que ainda estamos na entressafra da cana-de-açúcar, período em que as usinas param de produzir para fazerem a manutenção de seus equipamentos. “Isso significa que um crescimento repentino da demanda por etanol fará com que os estoques reguladores fiquem ainda mais baixos e, caso essa hipótese se confirme, a tendência é de que o biocombustível também sofra alta de preços como uma consequência de mercado baseada na lei da oferta e da procura”, alerta o presidente.

Ainda segundo Roca, “Outro ponto de atenção importante é o efeito cascata desse movimento junto à cadeia produtiva, uma vez que os preços dos fretes também sobem e, na ponta final, os consumidores acabam pagando a conta. Sem falar na geração de pressão inflacionária”, destaca.