Calor eleva em até 30% os casos de pedras nos rins e acende alerta para prevenção no verão

O verão, estação marcada por altas temperaturas e maior perda de líquidos pelo suor, traz um alerta importante para a saúde: a incidência de pedras nos rins pode aumentar em até 30% nessa época do ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). A combinação entre calor intenso, desidratação e hábitos inadequados cria um cenário favorável para a formação dos cálculos renais, condição que afeta um em cada dez brasileiros.

De acordo com o urologista Luís César Zaccaro, a prevenção começa com cuidados simples, mas contínuos. “Os rins não são apenas um filtro do nosso corpo. Eles regulam funções vitais que impactam desde a energia diária até o equilíbrio hormonal. No verão, quando perdemos mais líquidos, é fundamental redobrar a atenção para manter esse sistema funcionando em harmonia”, explica.

A hidratação adequada é apontada como a principal estratégia preventiva. Beber água em quantidade suficiente ajuda a diluir a urina, reduzindo a concentração de sais e substâncias que podem formar cristais e, posteriormente, as pedras. “A água facilita a filtragem dos resíduos pelo organismo e diminui o risco tanto de cálculos renais quanto de infecções urinárias”, destaca o médico.

A recomendação geral é de dois a três litros de água por dia, podendo variar conforme clima, atividade física e características individuais. Um indicador simples para avaliar se a ingestão está adequada é observar a cor da urina: quanto mais clara e próxima do transparente, melhor o nível de hidratação.

O médico também faz um alerta importante para quem já está em crise de cólica renal. “É comum achar que beber muita água durante a dor vai ajudar a eliminar a pedra, mas isso não é verdade. A hiperidratação nesse momento pode aumentar a pressão dentro do sistema urinário e piorar a dor. Durante a crise, o ideal é manter a ingestão habitual de líquidos, sem exageros, e buscar orientação médica”, explica Zaccaro.

Hábitos saudáveis para os rins

Além da água, o médico chama atenção para outros hábitos que influenciam diretamente a saúde renal. “Uma alimentação equilibrada, sem excesso de sal, a prática regular de exercícios físicos, o controle do consumo de álcool, não fumar e o uso responsável de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios e antibióticos, são atitudes fundamentais para proteger os rins ao longo da vida”, orienta.

Outro cuidado importante está relacionado à alimentação. O consumo excessivo de sal (sódio) aumenta o risco de formação de pedras, pois faz com que o rim elimine mais cálcio pela urina. O sódio está presente principalmente em alimentos industrializados, como embutidos (presunto, salsicha, salame), comidas prontas, enlatados, salgadinhos, fast-food, temperos prontos e macarrão instantâneo.

Além disso, dietas hiperproteicas – muito comuns hoje, com alto consumo de carnes, ovos, suplementos proteicos e Whey Protein -, quando feitas sem orientação médica ou nutricional, podem aumentar o risco de cálculo renal, especialmente em pessoas predispostas. O excesso de proteína sobrecarrega os rins e altera a composição da urina.

Por outro lado, uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes, ajuda a proteger os rins. Em especial, frutas cítricas como limão e laranja têm efeito protetor, pois dificultam a formação de pedras.

Com maior incidência entre adultos jovens, especialmente homens entre 20 e 35 anos, os cálculos renais tendem a se repetir: cerca de metade dos pacientes pode apresentar um novo episódio ao longo de 10 anos. Por isso, a prevenção contínua é essencial, especialmente nos meses mais quentes do ano.