Por que bares e restaurantes fecham tão rápido no Brasil?

Em diversas cidades, é comum encontrar portas abaixadas, imóveis sendo repassados e negócios encerrados antes mesmo de se consolidarem. O fenômeno vai além de uma simples crise econômica e revela problemas estruturais que afetam diretamente a sustentabilidade do setor de alimentação fora do lar, um dos mais competitivos da economia brasileira.Especialistas apontam que a mudança no comportamento do consumidor é um dos principais fatores por trás desse cenário. O cliente atual busca mais do que boa comida: quer agilidade, conveniência, experiência positiva e presença digital.

Marilia Liotino, diretora e proprietária da Sou – Conhecimento em Nutrição, empresa de Ribeirão Preto que atua na consultoria e gestão de restaurantes e bares explica esta mudança: “Antigamente, com menos restaurantes, os clientes eram menos exigentes. Hoje, a concorrência exige diferenciação, com ambientes agradáveis, ótimo atendimento e presença nas redes sociais para atrair as novas gerações, que preferem praticidade a cardápios extensos.” Afirma.

Com o avanço dos pedidos online, das avaliações em tempo real e da concorrência cada vez mais acessível, restaurantes que não acompanham essas transformações acabam perdendo relevância rapidamente.Outro ponto crítico está relacionado à gestão interna. Muitos estabelecimentos fecham não por falta de clientes, mas por falhas no controle financeiro, no planejamento de compras e, principalmente, na gestão de estoque. “Muitos restaurantes começam de forma amadora, movidos pelo gosto de cozinhar, mas logo percebem que isso é a parte mais fácil. É essencial ter métricas claras de precificação e garantir a padronização para evitar perdas, incluindo desperdícios invisíveis que comprometem o lucro.” Disse Marilia.

O desperdício de insumos, a perda de produtos por vencimento e a ausência de dados confiáveis impactam diretamente o lucro. Sem processos claros e apoio tecnológico, os gestores acabam tomando decisões no escuro, o que acelera o encerramento das atividades.

Marilia também fala sobre a importância da precificação “A precificação deve manter o custo dos ingredientes em torno de 30% do preço final (CMV), mas não é uma regra fixa. É preciso avaliar a concorrência e se o público está disposto a pagar o valor cobrado. É um verdadeiro quebra-cabeça.”

Inflação sobe mais que o esperado e traz pressão ao setor de bares e restaurantes

A inflação oficial medida pelo IPCA fechou fevereiro em 0,70%, acelerando em relação ao mês anterior e ficando acima das projeções do mercado. Apesar do avanço do índice geral, os preços da alimentação fora do domicílio subiram apenas 0,34%, menos da metade da inflação do período. O dado indica que bares e restaurantes seguem enfrentando dificuldades para repassar integralmente os custos aos consumidores, mesmo após uma recomposição parcial das margens no segundo semestre de 2025.

Levantamento nacional da Abrasel mostra que a pressão sobre o setor continua significativa. Segundo a pesquisa referente a janeiro, 31% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar o cardápio nos últimos 12 meses, enquanto 58% aplicaram aumentos iguais ou abaixo da inflação. Apenas 11% dos empresários conseguiram elevar os preços acima do índice geral, o que evidencia o cenário de margens apertadas e alta sensibilidade do consumo, especialmente em um contexto de aceleração do IPCA.

Para Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, os dados reforçam o desafio financeiro enfrentado pelos negócios. “Os números de fevereiro mostram uma inflação que voltou a ganhar ritmo, enquanto o setor continua sem conseguir repassar integralmente os custos. É uma equação que pressiona o caixa e aumenta a vulnerabilidade das empresas”, afirma. Ainda assim, ele avalia que fatores como um calendário mais favorável de eventos e feriados e o período eleitoral podem a

Abrasel completa 40 anos e reforça legado de atuação nacional pelo setor

A Abrasel completa 40 anos em 2026 celebrando uma trajetória construída ao lado de quem empreende no setor de alimentação fora do lar. O que começou como união para enfrentar problemas comuns virou uma rede nacional com presença em mais de 1.200 municípios. Hoje, são mais de 30 mil negócios associados e um compromisso renovado com um Brasil mais simples, seguro e próspero para empreender.

A Abrasel nasceu pela vontade de organizar o jogo, defender o setor e criar o legado para que bares e restaurantes tivessem voz na rua, nas mesas, nas cidades e nas decisões que moldam o ambiente de negócios.

Uma história construída “na rua”, com governança e gestão

Criada por empreendedores, a Abrasel cresceu mantendo o foco na realidade do setor e ampliando a capacidade de articulação. Ao longo das décadas, aprimorou governança, instituiu planos estratégicos nacionais e consolidou rotinas de gestão, fortalecendo a coordenação entre seccionais e regionais. Surgiu com o objetivo de garantir coerência nacional com resposta local, sem perder o vínculo com as bases e com o cotidiano dos negócios.

Com métodos de gestão mais consistentes, a entidade ampliou sua capacidade de entrega, conectando empresários, poder público e parceiros em iniciativas que fortalecem o setor e ajudam a destravar obstáculos históricos. Isso porque exerce um duplo mandato de representar e desenvolver o setor.

Atuação decisiva para o ambiente de negócios

Em seus 40 anos, a Abrasel tem trabalhado junto aos poderes competentes para modernizar as leis trabalhistas. Dessa forma, contribuiu para a regulamentação do trabalho intermitente e para a lei das gorjetas, esforços que buscam simplificar o empreender no setor.

A entidade também atuou para reduzir distorções que pesavam no caixa do empresário. Entre as ações, está a pressão que levou o Banco Central a regular o mercado de meios de pagamento, reduzindo taxas abusivas cobradas por operadoras de cartão, e a atuação para preservar o parcelamento sem juros, instrumento relevante de competitividade do setor.

No campo regulatório, participou de discussões ligadas à Lei da Liberdade Econômica e ao Selo Arte, voltado ao fortalecimento de pequenos produtores e à expansão de oportunidades no mercado.

Durante a pandemia de COVID-19, em 2020, a entidade assumiu papel central na defesa de medidas emergenciais e na proteção do setor, conquistando a flexibilização temporária de salários e jornadas, que garantiu a sobrevivência de milhares de negócios. Também participou da elaboração de protocolos sanitários e da articulação para que o setor fosse reconhecido como atividade essencial.

Mais recentemente a Abrasel lançou o Conexão Abrasel, um ambiente digital que reúne soluções práticas para aumentar a produtividade, melhorar a gestão e acelerar o crescimento dos negócios no setor de alimentação fora do lar.

Nele aos gestores podem realizar uma autoavaliação detalhada de seus negócios e, com o apoio de inteligência artificial, construir um plano de crescimento personalizado. Além disso, o empreendedor tem acesso a dados sociais e de mercado por região, análise do preço médio dos principais itens do cardápio e recurso para medir a satisfação dos clientes.

Cidades mais humanas e um novo ciclo de crescimento

Os 40 anos também consolidam a visão política-urbana da Abrasel, expressa no Manifesto Simplifica Brasil, que reforça o papel dos bares, cafés e restaurantes como pontos vitais da vida urbana. Cidades mais humanas e seguras começam na valorização dos espaços de convivência.

O foco para os próximos anos é ampliar presença, fortalecer iniciativas em favelas, apoiar a sustentabilidade dos negócios e construir soluções concretas para gestão, caixa e competitividade dos negócios.

As quatro décadas coincidem com um novo ciclo de expansão e fortalecimento, e a mensagem é simples: não é ponto de chegada, é ponto de partida. A história segue com presença, articulação e trabalho diário para que o setor continue sendo um dos segmentos mais vibrantes da economia brasileira.

A presidente do Conselho de Administração da Abrasel, Rosane Oliveira, destaca a confiança do setor e reforça o compromisso com a representação e o desenvolvimento dos negócios.

“Chegar aos 30 mil associados tem um peso enorme, é a prova de que os empreendedores se reconhecem em nós e querem caminhar junto. E isso aumenta a nossa responsabilidade de representar o setor com firmeza, mas também de entregar desenvolvimento de verdade. A Abrasel tem trabalhado na defesa de um ambiente de negócios mais simples e seguro, através da construção de ferramentas, projetos e parcerias que ajudem o empresário. Esse marco mostra que estamos no caminho certo e que o setor quer seguir avançando de forma coletiva”, comenta.

A Abrasel Alta Mogiana, que representa a região de Ribeirão Preto fica na Rua João Penteado 383.