Governo aponta queda no roubo de cargas no interior de SP; região de Ribeirão não aparece na estatística

A queda nos roubos de carga no interior de São Paulo tem sido impulsionada por uma série de medidas estratégicas, como o aprimoramento dos boletins de ocorrência, a capacitação das forças policiais e o reforço em operações integradas de inteligência. No primeiro bimestre deste ano, o crime atingiu o menor patamar em 26 anos, com redução de 44,8% em comparação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo.

Ao todo, foram registrados 75 casos nas regiões do interior paulista, contra 136 ocorrências no ano passado. Apenas no mês de fevereiro, a queda foi de 31,3%, passando de 73 para 32 registros — também o menor índice da série histórica. De acordo com o coordenador do programa Procarga, Carlos Afonso Silva, os resultados refletem ações conjuntas entre forças de segurança e o setor de transporte, com destaque para a melhoria na qualidade das informações registradas nas ocorrências.

Outro fator determinante tem sido o investimento em treinamento e qualificação de policiais civis e militares, além da intensificação de operações com apoio de órgãos como o Ministério Público e a Polícia Federal. O uso de tecnologia também tem papel fundamental, por meio do programa Muralha Paulista, que integra câmeras de monitoramento, leitura de placas e reconhecimento facial para identificar veículos roubados e suspeitos, ampliando a eficiência no combate ao crime organizado.

Algumas regiões se destacaram com reduções expressivas ou até ausência de ocorrências. A Baixada Santista e o Vale do Ribeira registraram apenas um caso em fevereiro, contra 27 no mesmo mês do ano passado. Já cidades de regiões como Campinas, Sorocaba e Piracicaba também apresentaram queda nos índices. No acumulado do ano, áreas como Araçatuba, Presidente Prudente e São José do Rio Preto não registraram nenhum roubo de carga, reforçando a efetividade das ações de segurança no interior paulista.

Perigo na rodovias. Quase 44% das mortes nas estradas envolvem veículos de carga

A Polícia Rodoviária Federal divulgou nesta segunda-feira (23) o balanço da Operação Rodovida e informou que 1.172 pessoas morreram nas rodovias federais brasileiras nos últimos 66 dias. Desse total, 514 vítimas estavam em acidentes com veículos de carga, o que representa 43,93% das mortes. Ao todo, foram registrados 3.149 sinistros envolvendo caminhões e outros veículos pesados, equivalente a 23,81% do total de acidentes nas estradas. Os dados foram apresentados durante evento de encerramento da operação, em Aracaju (SE).

A Operação Rodovida teve início em 18 de dezembro e foi encerrada no último domingo (22), com foco na segurança viária durante períodos de maior fluxo, como férias escolares, Natal, Ano Novo e Carnaval. Segundo a PRF, entre os acidentes com veículos de carga, as colisões frontais lideraram o número de mortes, com 288 óbitos — o maior índice entre os tipos de ocorrência registrados.

O período de Carnaval acendeu um alerta: 130 pessoas morreram nas rodovias federais, tornando-se o Carnaval mais violento da última década, conforme a corporação. Houve ainda um aumento de 8,54% nos acidentes graves durante os dias de folia. A maioria das vítimas estava em automóveis e motocicletas, reforçando a preocupação com imprudência e comportamentos de risco nas estradas brasileiras.

Durante toda a operação, a PRF flagrou 1,2 milhão de veículos trafegando acima da velocidade permitida, além de 58,7 mil ultrapassagens irregulares e 11,1 mil motoristas dirigindo sob efeito de álcool. Também foram registradas 9,6 mil autuações por uso de celular ao volante, 54,5 mil pessoas sem cinto de segurança ou sem cadeirinha para crianças, 10,3 mil motociclistas sem capacete e 17,1 mil motoristas profissionais que desrespeitaram a Lei do Descanso. Os números reforçam o desafio da fiscalização e da conscientização para reduzir mortes nas rodovias federais.