Häagen-Dazs deixará de ser distribuída no Brasil após 29 anos

A Häagen-Dazs deixará de ser distribuída no Brasil após 29 anos de presença no mercado nacional. A decisão faz parte de uma reestruturação da operação da General Mills no país, que anunciou mudanças em seu portfólio e a saída da marca de sorvetes premium do mercado brasileiro. Com a medida, os produtos devem deixar de ser comercializados regularmente em supermercados e demais pontos de venda no país.

A marca chegou ao Brasil em 1997 e, ao longo de sua trajetória, conquistou espaço entre os consumidores de sorvetes premium. Durante parte desse período, a Häagen-Dazs também manteve lojas próprias em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. As unidades foram encerradas em 2018, e a empresa passou a concentrar a distribuição dos produtos em supermercados e outros estabelecimentos comerciais.

A saída da Häagen-Dazs ocorre em meio à reorganização dos negócios da General Mills no Brasil. Em 2026, a companhia também anunciou a venda de sua operação brasileira para a 3corações, em uma negociação estimada em cerca de R$ 800 milhões. A operação envolve marcas como Yoki e Kitano e representa uma nova etapa na estratégia da multinacional no mercado brasileiro. A decisão encerra quase três décadas de presença da Häagen-Dazs no país.

O desafio de vender sorvete na era das canetas emagrecedoras: como o novo consumo está se redesenhando

O prato do brasileiro está mudando, e de forma acelerada. Dados recentes mostram uma queda estrutural no consumo de itens como açúcar e ultraprocessados, enquanto cresce a busca por densidade nutricional. Mas, para além de uma conscientização natural, estamos diante de um catalisador inédito e poderoso: a popularização das canetas emagrecedoras.

O presidente da Abrasorvete Fábio Favaro, tem observado de perto como esse fenômeno está forçando a indústria de gelados comestíveis a recalibrar suas bússolas. O sorvete, historicamente visto como o ápice da indulgência, está cruzando a fronteira da funcionalidade para atender a esse novo perfil de público.

Menos apetite, mais exigência nutricional

Segundo Fábio, “estamos entrando na era do “prazer com propósito”. O consumidor que faz uso das canetas emagrecedoras apresenta uma redução natural de apetite, mas enfrenta um desafio crítico: a necessidade de ingerir proteínas e nutrientes de alta qualidade para manter a massa magra. Nesse cenário, o sorvete deixa de ser apenas uma “recompensa calórica” para se tornar um veículo estratégico de nutrição funcional.

Favaro aforma não se tratar de uma tendência passageira. Um levantamento inédito realizado com os associados da Abrasorteve revela que 77,8% das indústrias já produzem ou planejam investir em linhas proteicas ou funcionais até o final de 2026. O mercado não está apenas reagindo; ele está se antecipando a uma mudança de comportamento que veio para ficar.

Essa mudança atinge diretamente o formato do consumo. O tradicional pote de 2 litros, embora ainda relevante pelo custo-benefício familiar, está cedendo espaço para as porções individuais. Hoje, para 48,1% do nosso setor, os picolés e potes pequenos já superam o formato familiar em relevância de faturamento.

O controle rigoroso de ingestão calórica dita a regra: se o cliente vai consumir uma porção menor por conta do uso das canetas emagrecedoras, ele exige que aquela experiência entregue o máximo de sabor e benefício técnico. É a vitória da densidade sobre o volume.

Os números confirmam que o sorvete “saudável” saiu definitivamente do nicho e ganhou o varejo de massa. Metade dos fabricantes já registrou aumento na procura por esses produtos nos últimos 12 meses, com casos em que o salto de vendas ultrapassa os 10%.