Sobe para 166 número de cidades do Sul que relatam escassez de diesel

Subiu para 166 o número de municípios do Rio Grande do Sul que registram problemas no abastecimento de óleo diesel, segundo boletim da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) obtido pela Agência Brasil nesta quarta-feira (25). O levantamento, atualizado até as 9h, indica aumento em relação à semana passada, quando 142 cidades eram afetadas. Dois municípios, Formigueiro e Tupanciretã, permanecem em estado de emergência, enquanto a capital, Porto Alegre, não enfrenta problemas.

A Famurs explica que os municípios têm priorizado o uso do diesel em serviços essenciais, como transporte de pacientes e atividades de saúde, enquanto obras e trabalhos que dependem de máquinas foram suspensos. O combustível é fundamental para caminhões, ônibus e tratores, e o desabastecimento acende um alerta sobre o funcionamento dos serviços públicos. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ainda não se manifestou sobre a situação, mas, no último balanço, apontou que os problemas se deviam principalmente a questões logísticas, e não à falta de produto.

O cenário de alta no preço e desabastecimento do diesel no estado reflete a guerra no Irã, que afeta a cadeia global do petróleo, considerando que o Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido. Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao país, em 28 de fevereiro, o preço do combustível subiu cerca de 20%. Para conter o impacto, o governo federal zerou tributos como Pis e Cofins, concede subvenção de R$ 0,32 por litro produzido ou importado e busca apoio dos estados para subsidiar o diesel, enquanto a Petrobras ajusta os valores nas bombas de forma controlada.

Gasolina mais barata em Ribeirão. Entenda o motivo para a redução de preços nas bombas

A Petrobras anunciou nessa segunda-feira (26), uma redução de -5,2% no preço do litro da gasolina A, das refinarias para as distribuidoras, valendo já a partir desta terça-feira (27). Com a medida, a perspectiva é de que o litro do combustível custe, em média, R$ 0,09 centavos mais barato, das distribuidoras para os postos revendedores, lembrando que a gasolina vendida nos postos é a do tipo C, composta por 70% de gasolina A e 30% de etanol anidro.

“A tendência é de que a queda de preço deva chegar às bombas na medida que novas remessas do produto chegarem aos postos com o preço menor”, afirma Fernando Roca presidente da Associação Núcleo Postos Ribeirão Preto, que reúne cerca de 100 revendedores da cidade e região.

O último corte no preço da gasolina ocorreu em outubro de 2025, com redução de iguais R$ 14 centavos/litro (-4,9%) das refinarias para as distribuidoras.


Desde o final de 2025, a Associação Núcleo Postos RP já vinha alertando que havia espaço para uma redução do preço da gasolina. Dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) mostram que, nessa segunda (26), por exemplo, a margem para o corte de preço do combustível girava em torno de 8%, comparando com o cenário global que tem apresentado preços relativamente moderados para o petróleo.

Ainda segundo Roca, “Se há espaço para uma redução, a Petrobras tem de colocá-la em prática o quanto antes. Essa diminuição já podia ter sido anunciada há mais tempo, ainda mais com a disparada do etanol nessa entressafra”, observa.

Pequeno alívio
De acordo com o presidente, a redução do preço da gasolina deve gerar um efeito cascata no setor produtivo nacional. “A diminuição dos custos com transportes deve aliviar a pressão inflacionária embora o preço do diesel não tenha caído dessa vez”.

O que compensa mais?
É importante que o consumidor sempre pesquise pelo melhor preço, abasteça em um posto de confiança e não se esqueça de fazer a conta de paridade. “Se o valor do litro de etanol equivaler a, no máximo, 70% do preço do litro de gasolina, compensará abastecer com etanol”, finaliza Fernando Roca.