Chuvas fortes provocam morte, desaparecimentos e atingem 119 cidades no RS

Um forte temporal no Rio Grande do Sul deixou uma pessoa morta, quatro desaparecidas e milhares de moradores afetados nesta segunda-feira (21). Em Pelotas, um motociclista morreu após ser atingido pela queda de fios de alta tensão durante o vendaval, segundo a Polícia Civil. A prefeitura informou que os ventos chegaram a 89 km/h, provocando destelhamentos, quedas de árvores e postes, além de interrupções no fornecimento de energia. As aulas da rede municipal também foram suspensas.

Em Caxias do Sul, onde o volume de chuva chegou a 159,4 milímetros nesta segunda-feira, quatro pessoas seguem desaparecidas. Três delas estavam em um veículo arrastado pela enxurrada. Um homem conseguiu ser resgatado, mas um adolescente de 13 anos, uma criança de 4 anos e uma mulher de 43 anos ainda não foram localizados. Em outra ocorrência, um homem que realizava a limpeza de uma galeria no bairro De Lazzer também foi arrastado pela força da água.

De acordo com a Defesa Civil do Rio Grande do Sul, desde sexta-feira (18) foram registradas 122 ocorrências relacionadas às chuvas e aos fortes ventos em 119 municípios. Além da morte em Pelotas, três pessoas ficaram feridas em Aceguá, Caxias do Sul e Santa Maria. Ao todo, mais de 485 mil pessoas foram afetadas, sendo 101 desabrigadas e 701 desalojadas. Os temporais também causaram danos em 27 escolas e sete unidades de saúde.

Sobe para 166 número de cidades do Sul que relatam escassez de diesel

Subiu para 166 o número de municípios do Rio Grande do Sul que registram problemas no abastecimento de óleo diesel, segundo boletim da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) obtido pela Agência Brasil nesta quarta-feira (25). O levantamento, atualizado até as 9h, indica aumento em relação à semana passada, quando 142 cidades eram afetadas. Dois municípios, Formigueiro e Tupanciretã, permanecem em estado de emergência, enquanto a capital, Porto Alegre, não enfrenta problemas.

A Famurs explica que os municípios têm priorizado o uso do diesel em serviços essenciais, como transporte de pacientes e atividades de saúde, enquanto obras e trabalhos que dependem de máquinas foram suspensos. O combustível é fundamental para caminhões, ônibus e tratores, e o desabastecimento acende um alerta sobre o funcionamento dos serviços públicos. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ainda não se manifestou sobre a situação, mas, no último balanço, apontou que os problemas se deviam principalmente a questões logísticas, e não à falta de produto.

O cenário de alta no preço e desabastecimento do diesel no estado reflete a guerra no Irã, que afeta a cadeia global do petróleo, considerando que o Brasil importa cerca de 30% do diesel consumido. Desde o início dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao país, em 28 de fevereiro, o preço do combustível subiu cerca de 20%. Para conter o impacto, o governo federal zerou tributos como Pis e Cofins, concede subvenção de R$ 0,32 por litro produzido ou importado e busca apoio dos estados para subsidiar o diesel, enquanto a Petrobras ajusta os valores nas bombas de forma controlada.