Inflação sobe mais que o esperado e traz pressão ao setor de bares e restaurantes

A inflação oficial medida pelo IPCA fechou fevereiro em 0,70%, acelerando em relação ao mês anterior e ficando acima das projeções do mercado. Apesar do avanço do índice geral, os preços da alimentação fora do domicílio subiram apenas 0,34%, menos da metade da inflação do período. O dado indica que bares e restaurantes seguem enfrentando dificuldades para repassar integralmente os custos aos consumidores, mesmo após uma recomposição parcial das margens no segundo semestre de 2025.

Levantamento nacional da Abrasel mostra que a pressão sobre o setor continua significativa. Segundo a pesquisa referente a janeiro, 31% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar o cardápio nos últimos 12 meses, enquanto 58% aplicaram aumentos iguais ou abaixo da inflação. Apenas 11% dos empresários conseguiram elevar os preços acima do índice geral, o que evidencia o cenário de margens apertadas e alta sensibilidade do consumo, especialmente em um contexto de aceleração do IPCA.

Para Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, os dados reforçam o desafio financeiro enfrentado pelos negócios. “Os números de fevereiro mostram uma inflação que voltou a ganhar ritmo, enquanto o setor continua sem conseguir repassar integralmente os custos. É uma equação que pressiona o caixa e aumenta a vulnerabilidade das empresas”, afirma. Ainda assim, ele avalia que fatores como um calendário mais favorável de eventos e feriados e o período eleitoral podem a

Educação puxa a inflação em fevereiro e preços sobem 0,70%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, registrou alta de 0,56% em fevereiro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de maior do que em meses anteriores, o resultado é o menor para um mês de fevereiro desde 2020, quando o índice ficou em 0,25%. No acumulado de 2026, a inflação soma 1,03%, enquanto nos últimos 12 meses chegou a 3,81%, abaixo dos 4,44% registrados no período anterior e dentro do limite de tolerância da meta de inflação do governo.

O principal impacto no resultado do mês veio do grupo Educação, que teve alta de 5,21% devido aos reajustes anuais de mensalidades escolares e cursos no início do ano letivo. O grupo respondeu por cerca de 44% do IPCA de fevereiro, com destaque para aumentos no ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%). Junto com Transportes, os dois grupos representaram cerca de 66% da inflação do mês. Entre os itens do transporte, chamaram atenção as passagens aéreas, que subiram 11,4%, além do seguro de veículos (5,62%), conserto de automóvel (1,22%) e ônibus urbano (1,14%).

No grupo Alimentação e bebidas, a variação foi de 0,26%, leve alta em relação a janeiro (0,23%). Entre os produtos que mais subiram estão açaí (25,29%), feijão carioca (11,73%), ovo de galinha (4,55%) e carnes (0,58%). Por outro lado, alguns alimentos registraram queda, como frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%), que acumula oito meses consecutivos de redução. Nos combustíveis, o índice geral ficou em -0,47%, com queda da gasolina (-0,61%) e do gás veicular (-3,10%).

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de menor renda, teve alta de 0,56% em fevereiro, acima dos 0,39% registrados em janeiro. No acumulado do ano, o indicador soma 0,95%, enquanto em 12 meses está em 3,36%, abaixo dos 4,30% do período anterior. Segundo o IBGE, os alimentos aceleraram de 0,14% para 0,26%, enquanto os produtos não alimentícios passaram de 0,47% para 0,66% no período.

Inflação do aluguel cai 0,73% em fevereiro

O IGP-M de fevereiro, conhecido como inflação do aluguel, registrou queda de 0,73%, revertendo a alta de 0,41% observada em janeiro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (26) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o IGP-M acumula recuo de 0,32% no ano e queda de 2,67% em 12 meses. Em fevereiro de 2025, o índice havia subido 1,06% no mês e acumulava alta de 8,44% no período de um ano, o que evidencia uma desaceleração significativa da inflação medida pelo indicador.

A retração foi puxada principalmente pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que caiu 1,18% em fevereiro, após avançar 0,34% em janeiro. De acordo com o economista da FGV, André Braz, o movimento reflete a forte queda nos preços de commodities importantes, como minério de ferro (-6,92%), soja (-6,36%) e café (-9,17%). Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desacelerou para 0,30%, ante 0,51% no mês anterior, com recuos nas taxas de Alimentação, Saúde e Cuidados Pessoais, Educação, Transportes e Vestuário, enquanto Habitação, Despesas Diversas e Comunicação apresentaram leve aceleração.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) também perdeu força, ao subir 0,34% em fevereiro, abaixo da alta de 0,63% registrada em janeiro. O grupo Mão de Obra desacelerou de 1,03% para 0,39%, enquanto Materiais e Equipamentos tiveram leve recuo e Serviços registraram pequena alta. Segundo Braz, além da queda das commodities no atacado, a perda de intensidade nos reajustes escolares e a desaceleração da mão de obra na construção contribuíram para o resultado mais brando do IGP-M, indicador amplamente utilizado para reajuste de contratos de aluguel.

Inflação oficial de janeiro fica em 0,33% e se mantém dentro da meta

Os preços da energia elétrica e da gasolina tiveram comportamentos opostos em janeiro e resultaram em uma inflação oficial de 0,33%, mesmo índice registrado em dezembro. No mesmo mês de 2025, o IPCA havia sido de 0,16%. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,44%, permanecendo dentro do limite máximo de tolerância da meta estabelecida pelo governo.

A gasolina foi o item que mais pressionou o índice para cima, com impacto de 0,10 ponto percentual, enquanto a redução na conta de luz contribuiu para conter a inflação, com efeito negativo de 0,11 ponto percentual. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Rio de Janeiro. A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%, intervalo no qual o IPCA se mantém desde novembro.

Entre os nove grupos de produtos e serviços analisados, dois registraram queda em janeiro: habitação (-0,11%) e vestuário (-0,25%). As maiores altas vieram de transportes (0,60%), saúde e cuidados pessoais (0,70%) e comunicação (0,82%). O IPCA mede o custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos e considera preços de 377 subitens. Segundo estimativas do Boletim Focus, do Banco Central, a inflação deve encerrar o ano em 3,97%.

Boa noticia para quem mora de aluguel. Inflação encerra 2025 com queda de 1,05%

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou variação negativa em dezembro, com recuo de 0,01%. Com o resultado, o indicador acumulou queda de 1,05% ao longo do ano, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

De acordo com o economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), o desempenho do índice aponta para um cenário de menor pressão de custos nos próximos anos. “O resultado sugere um ambiente de menor pressão de custos para 2026”, afirmou o especialista em nota.

Tradicionalmente utilizado como referência para o reajuste de contratos e preços, o IGP-M influencia valores de aluguéis, contas de energia elétrica e telefone, mensalidades escolares, planos de saúde e seguros.

Segundo Matheus Dias, o índice encerra 2025 refletindo um contexto econômico marcado pela desaceleração da atividade global e por um elevado nível de incerteza. “Esses fatores limitaram os repasses de custos, afetando principalmente os preços ao produtor. Além disso, a melhora das safras agrícolas ajudou a reduzir os preços das matérias-primas, reforçando o movimento de deflação observado no índice”, destacou.

Criado no final da década de 1980 a pedido de entidades privadas do setor financeiro, o IGP-M se diferencia de outros indicadores de inflação por sua metodologia. O cálculo considera a variação de preços entre os dias 21 de um mês e 20 do mês seguinte.

IPCA

Já em relação à inflação oficial do país, o mercado financeiro projeta um encerramento de ano dentro da meta. De acordo com o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (29), a estimativa é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o período em 4,32%.

A meta de inflação para 2025, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o IPCA pode variar entre 1,5% e 4,5% sem descumprimento da meta — faixa na qual a projeção atual do mercado está inserida.

Abaixo da meta – Mercado reduz previsão de inflação para 4,32% em 2025

O mercado financeiro projeta que a inflação de 2025 encerre o ano em 4,32%, abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A estimativa consta do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Banco Central, em Brasília. Para o crescimento da economia, a expectativa foi mantida em 2,26% para o Produto Interno Bruto (PIB).

Por se tratar do último mês do ano, quando os indicadores já estão praticamente consolidados, o relatório não trouxe novas projeções para a taxa básica de juros, a Selic, que permanece em 15% ao ano. Esse é o maior patamar desde julho de 2006, quando a taxa chegou a 15,25%. Após ter atingido 10,5% em maio do ano passado, a Selic voltou a subir a partir de setembro de 2024, alcançando 15% na reunião de junho, nível mantido desde então.

As expectativas para a inflação apresentaram leve recuo pela sétima semana consecutiva. Há uma semana, a projeção para o IPCA era de 4,33%, e há quatro semanas, de 4,43%. A meta de inflação para 2025 é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Em novembro, o IPCA registrou alta de 0,18%, influenciada principalmente pelo aumento das passagens aéreas, acumulando 4,46% em 12 meses. Para 2026 e 2027, o mercado estima inflação de 4,05% e 3,8%, respectivamente.

No câmbio, a projeção indica que o dólar deve encerrar o ano cotado a R$ 5,44, ligeiramente acima da estimativa da semana anterior, de R$ 5,43. Para o PIB, além da manutenção da previsão de 2,26% em 2025, o Focus também repetiu as estimativas de crescimento de 1,8% para 2026 e 2027. A economia brasileira cresceu 0,4% no segundo trimestre, impulsionada pelos setores de serviços e indústria, e fechou 2024 com alta de 3,4%, marcando o quarto ano consecutivo de expansão.

Vendas do Comércio de Ribeirão Preto caem 0,7% em outubro

Depois de pequeno crescimento em setembro (+3,5%), as vendas do Comércio Varejista de Ribeirão Preto tiveram leve queda média de -0,7%, em outubro de 2025, na comparação com o mesmo período do ano passado quando foi registrada variação negativa de -3,5% em relação a 2023. É o que aponta o CPV (Centro de Pesquisas do Varejo), mantido por SINCOVARP (Sindicato do Comércio Varejista) e CDL RP (Câmara de Dirigentes Lojistas).

“O ponto positivo é que as vendas de outubro caíram menos nesse ano. O consumidor pisou no freio, mesmo com Dia das Crianças e Halloween, e isso, claro, é reflexo do cenário macroeconômico. Se por um lado a taxa de desemprego caiu, por outro, a inflação continua acima da meta, a taxa de juros permanece em 15% ao ano, encarecendo o crédito, e os níveis de inadimplência e de endividamento das famílias seguem elevados. Esse conjunto de fatores mostra a diminuição do poder de compra do consumidor que tem priorizado os gastos mais necessários”, analisa o economista Diego Galli Alberto, pesquisador e coordenador do CPV SINCOVARP/CDL RP.

Ainda segundo Galli, “A aposta dos empreendedores lojistas é de que essa cautela do consumidor tenha gerado uma ‘demanda reprimida’ para o final de ano”, completa.

Empregabilidade
Em outubro, a variação entre vagas de trabalho abertas e fechadas, no Varejo local, registrou alta de 1,2% na comparação com o mesmo período de 2024. “Nessa época se intensifica a movimentação para as contratações temporárias de fim de ano que seguem até o início de dezembro. Assim como observamos no ano passado, os lojistas têm segurado as novas contratações o quanto podem. Os mutirões do Programa Emprega Ribeirão, co-realizados por SINCOVARP e CDL RP, têm ajudado os comerciantes na busca por mão de obra temporária”, observa o economista.

Índice de Confiança
Considerando uma escala de 1 a 5 pontos, em que 1 significa “muito pessimista” e 5 “muito otimista”, o Índice de Confiança SINCOVARP/CDL RP de curto prazo (olhando para os três meses seguintes) teve leve queda, em outubro, com média de 2,5 pontos (ante 2,8 pontos na pesquisa anterior). A avaliação é pessimista à regular.

Considerando o índice de longo prazo (olhando para os próximos 12 meses), a média de outubro permaneceu estável em 3,0 pontos (em relação à pesquisa anterior). A avaliação é regular.

“A queda no otimismo no curto prazo se deve muito à incerteza dos lojistas sobre o desempenho de vendas no final de ano. Historicamente é um período de alta, no entanto, fica a dúvida se será ou não suficiente para zerar os estoques e fechar o ano no azul. Se tivermos a Black Friday e o Natal, dentro do esperado, os lojistas começarão 2026 mais confiantes para enfrentar um ano que promete ser turbulento”, finaliza Diego Galli Alberto.

Inflação do aluguel cai 0,11% em 12 meses; 1º recuo desde maio de 2024

A chamada inflação do aluguel ficou negativa no acumulado de 12 meses pela primeira vez desde maio de 2024. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registra -0,11% no período de dezembro de 2024 a novembro de 2025.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (27) pela Fundação Getulio Vargas.

O comportamento do IGP-M em 12 meses é observado de forma atenta por inquilinos, sejam comerciais ou residenciais, porque o indicador costuma ser muito utilizado no cálculo do reajuste anuais dos contratos de aluguel.

Em maio de 2024, o acumulado era de -0,34%. Desde então, todas as taxas estavam positivas, chegando a atingir 8,58% em março de 2025.

Componentes

A FGV leva em conta três componentes para apurar o IGP-M. O maior peso é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a inflação sentida pelos produtores e responde por 60% do IGP-M cheio.

Outro componente é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do indicador. O terceiro elemento é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). 

O economista do Ibre Matheus Dias aponta que a deflação acumulada é explicada pelos preços no atacado, que recuaram 2,06%.

“Em boa parte de 2025 prevaleceram quedas expressivas de preços, tanto de produtos industriais quanto agropecuários.”

O IPC avançou 3,95%; e o INCC, 6,41%.

Mês atual

Especificamente no mês de novembro, o IGP-M marcou 0,27%, invertendo o resultado de queda de outubro (-0,36%).

Mesmo com a alta no mês, o acumulado de um ano passou de inflação (em outubro somava 0,92%) para deflação. Isso se explica porque saiu da conta o dado de novembro de 2024, quando a inflação do aluguel tinha subido 1,30%.

Queda no aluguel

Apesar de ser conhecido como a inflação do aluguel, o IGP-M negativo não é certeza de que os aluguéis serão reajustados para baixo. Isso acontece porque alguns contratos incluem a expressão “reajuste conforme variação positiva do IGP-M”, o que faz, na prática, que só haja reajuste se o índice for positivo.

O indexador também é utilizado para reajustar algumas tarifas públicas e serviços essenciais.

A FGV faz a coleta de preços em Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O período de levantamento do IGP-M foi 21 de outubro a 20 de novembro.