Ribeirão Preto cria atendimento psicológico para pessoas com dependência em apostas online

A Prefeitura de Ribeirão Preto passou a oferecer atendimento psicológico para pessoas com dependência de jogos de azar e apostas online por meio do aplicativo Cuidar Mais On. O serviço funciona 24 horas por dia, sem necessidade de agendamento, e é gratuito para moradores da cidade com cadastro atualizado em uma Unidade Básica de Saúde. Para acessar, é necessário atualizar o aplicativo, disponível para Android e iOS, fazer login novamente, selecionar “Teleconsulta” e, em seguida, “Pronto Atendimento Emocional”. O acompanhamento em psicologia pode ter até 12 sessões, com possibilidade de prorrogação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a dependência de jogos como transtorno de saúde mental na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), abrangendo jogos digitais, videogames e ludopatia. O uso compulsivo pode estar relacionado a ansiedade, depressão, isolamento social e queda no desempenho escolar e profissional. “A teleconsulta tem um papel importante de quebrar barreiras. Quando alguém percebe que tem um problema com jogos, é comum que sinta vergonha de procurar ajuda presencialmente. No conforto e na privacidade de casa, em um ambiente em que se sinta seguro, essa pessoa consegue dar o primeiro passo e fazer a chamada”, afirma o secretário municipal de Saúde, Mauricio Godinho.

Desde o lançamento do Cuidar Mais On, em agosto de 2025, foram registrados 25.150 atendimentos com psicólogo. A faixa etária entre 20 e 49 anos é a que mais utiliza o serviço e, neste mês, somou 1.636 consultas, sendo 81% realizadas por mulheres. Além do atendimento online, o município mantém o PAM (Pronto Atendimento em Saúde Mental), que oferece atendimento presencial de urgência e emergência 24 horas por dia, sem agendamento. Em dois meses desde a inauguração, o serviço recebeu 3.957 pacientes distintos, incluindo 62 crianças de até 9 anos e 444 pessoas entre 10 e 19 anos, faixa em que os casos mais relatados envolvem TDAH, TOD e TEA. Entre os adultos de 20 a 49 anos, foram contabilizados 2.462 atendimentos, com prevalência de ansiedade e depressão.

Governo aperta e publicidade de bets terá aviso sobre risco de dependência e perdas

As empresas de apostas esportivas online, conhecidas como bets, terão que seguir regras mais rígidas para veicular campanhas publicitárias no Brasil. As novas normas foram anunciadas nesta quinta-feira (9) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, serão publicadas na sexta-feira (10) e passam a valer em 17 de julho.

Entre as principais mudanças está a obrigatoriedade de mensagens de advertência em todas as publicidades de empresas autorizadas. Os anúncios deverão trazer alertas como: “Ministério da Fazenda adverte: apostar faz você perder dinheiro”, “apostar pode causar dependência” ou “aposta não é investimento”. A medida busca conscientizar a população sobre os riscos financeiros e comportamentais ligados às apostas.

As novas regras também proíbem campanhas que apresentem apostas como investimento, ganho fácil ou oportunidade de enriquecimento rápido. Também ficará proibido criar senso de urgência para estimular apostas, divulgar históricos de premiações como forma de convencimento e usar comentaristas, especialistas ou influenciadores para induzir o público a apostar.

Segundo Durigan, o governo quer evitar que análises esportivas ou comentários técnicos sejam usados como estratégia para dar aparência de segurança às apostas. A publicidade também não poderá ser direcionada a crianças e adolescentes, ponto tratado pelo Ministério da Fazenda como de “tolerância zero”.

O governo informou ainda que manterá fiscalização rigorosa contra empresas ilegais. Bets sem autorização não podem operar no país nem anunciar em veículos de comunicação, redes sociais ou plataformas digitais. Empresas, influenciadores e veículos que descumprirem as regras poderão ser responsabilizados.

As penalidades previstas incluem multa de até 20% do faturamento da operadora, suspensão das atividades por até 180 dias e cassação da autorização de funcionamento em casos de reincidência grave. Desde a regulamentação do setor, o governo afirma já ter retirado do ar 56 mil sites de apostas ilegais, derrubado cerca de mil perfis de influenciadores e determinado a autoexclusão de aproximadamente 1 milhão de apostadores em desacordo com a legislação.