Anvisa investiga 13 casos suspeitos de cegueira em usuários de canetas emagrecedoras

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de uma doença rara que pode provocar perda súbita da visão em pessoas que utilizavam medicamentos para obesidade ou diabetes. A condição é chamada de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noiana) e afeta o nervo óptico. Os registros estão sob análise: até agora, não é possível afirmar que os medicamentos causaram os episódios relatados.

Quais medicamentos aparecem nas notificações?

Os relatos mencionam Ozempic, Wegovy, Wegovy FlexTouch, Rybelsus e Mounjaro. Os quatro primeiros contêm semaglutida; o Mounjaro contém tirzepatida. Para avaliar cada caso, a Anvisa verifica se o diagnóstico foi confirmado, quando os sintomas começaram, quais outras condições de saúde o paciente apresenta e se há explicações alternativas para a perda de visão. Uma notificação de suspeita não comprova uma relação de causa e efeito.

O que é a Noiana?

A Noiana ocorre quando diminui o fluxo de sangue para uma parte do nervo óptico. Ela pode causar perda repentina da visão, geralmente sem dor, e deixar sequelas permanentes. Em 12/06/2025, a Anvisa já havia alertado que essa condição poderia ocorrer como evento adverso muito raro associado à semaglutida e informado que o risco seria incluído nas bulas dos medicamentos com essa substância. A notificação envolvendo tirzepatida permanece sob investigação.

O que fazer se a visão piorar?

Quem apresentar perda súbita ou piora rápida da visão deve procurar atendimento médico imediatamente e informar quais medicamentos utiliza. Pacientes em tratamento também devem conversar com o profissional que os acompanha para avaliar seus riscos individuais. As notificações não indicam que todos os usuários terão o problema nem são motivo, por si só, para interromper o tratamento sem orientação médica.

Uso indiscriminado de corticoides pode causar glaucoma e cegueira

O uso de corticoides sem orientação médica pode elevar a pressão intraocular, favorecer o desenvolvimento de glaucoma e agravar a condição de pacientes que já convivem com a doença. O alerta é do presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), Roberto Murad Vessani. Colírios utilizados para aliviar irritações nos olhos, além de pomadas, comprimidos e outros medicamentos com corticoides, não devem ser usados de forma prolongada ou adquiridos por conta própria.

O glaucoma afeta o nervo óptico e pode causar perda irreversível da visão quando não é diagnosticado e tratado adequadamente. Estima-se que pelo menos 1,7 milhão de brasileiros convivam com a doença. Segundo Vessani, cerca de 2,5% a 3,5% das pessoas com mais de 40 anos têm glaucoma. O risco aumenta com a idade e exige atenção especial, principalmente entre crianças, idosos e pacientes que precisam utilizar corticoides por períodos prolongados.

Os corticoides são usados no tratamento de inflamações, alergias, crises respiratórias, sinusites e irritações oculares. Apesar do alívio rápido dos sintomas, o uso contínuo pode dificultar a drenagem do líquido que circula dentro dos olhos, provocando aumento da pressão intraocular e lesões no nervo óptico. O uso inadequado também pode causar outros efeitos no organismo, como aumento da glicose, descontrole do diabetes, ganho de peso, retenção de líquidos, hipertensão, enfraquecimento dos ossos e maior risco de infecções.

Diante dos riscos, a SBG, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) encaminharam uma nota pública à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ao Ministério da Saúde, ao Congresso Nacional e a entidades médicas. As instituições defendem maior controle na comercialização dos corticoides, semelhante ao adotado para antibióticos, além do monitoramento da pressão ocular em pacientes que utilizam esses medicamentos por períodos prolongados. “É muito grave. Na verdade, é um problema de saúde pública”, destacou Vessani.