Comer muito é o único fator que determina a obesidade? Especialistas explicam

Cerca de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS), e esses índices crescem em crianças e adolescentes. Mas, apesar desse cenário crítico, o desconhecimento e a falta de informação sobre essa doença ainda são preocupantes.

Segundo a endocrinologista e vice-presidente da área médica da Novo Nordisk, Priscilla Mattar, é fundamental esclarecer que a obesidade não é uma questão de falta de caráter, falta de vontade, preguiça, desleixo ou indisciplina.

“A obesidade é uma doença crônica, multifatorial, progressiva que requer tratamento médico, uma vez que está associada a mais de 200 enfermidadesCompreender a complexidade e os fatores que determinam o diagnóstico é crucial para que a obesidade possa ser evitada e, uma vez diagnosticada, ser tratada de maneira efetiva, o que traz ganhos à saúde física, mental e qualidade de vida do paciente”, ressalta.

A endocrinologista desmistifica abaixo alguns conceitos sobre essa preocupante doença crônica.

Apenas comer muito não determina a obesidade. VERDADE.

A obesidade não decorre somente de maus hábitos alimentares. A ingestão calórica superior ao gasto energético é um fator que influencia o aparecimento da doença, mas não é o único. Essa doença é complexa, e está relacionada a uma série de causas: genéticas, ambientais, hormonais, comportamentais e fisiológicas.

Dieta restritiva é o suficiente para driblar a doença. MITO.

Dietas restritivas podem levar a déficit nutricionais. Segundo a endocrinologista, o correto é optar por uma reeducação alimentar. “A dificuldade de adequação do corpo às restrições extremas não torna essas estratégias funcionais, mas causam estresse, insatisfação e tristeza. Dietas equilibradas garantem energia e disposição, facilitam a adaptação e diminuem o peso de maneira sustentada e eficaz”, esclarece.

Dormir pouco aumenta as chances de obesidade. VERDADE.

Pessoas que dormem menos têm mais chances de ter obesidade. Assim como o sedentarismo, alterações hormonais e genética, a qualidade do sono também pode ser determinante. Horas insuficientes de sono geram aumento do apetite e resistência à insulina, favorecendo o ganho de peso e o desencadeamento de doenças.

Saúde mental não pode contribuir com o surgimento da doença. MITO.

Pessoas com problemas de saúde mental têm mais chances de desenvolver obesidade. Assim como a condição pode ser determinante para o surgimento de danos psicológicos ocasionados pelos estereótipos negativos e dificuldades de socialização, pessoas que já se encontram emocionalmente abaladas correm o risco de chegarem a um quadro de obesidade.

Desigualdade social impacta nos casos de obesidade. VERDADE.

Estudos apontam aumento da prevalência da obesidade em países subdesenvolvidos devido à falta de acesso a informações, oportunidades e alimentação equilibrada. A rotina corrida e exaustiva de grupos sociais mais vulneráveis impacta diretamente a saúde. A facilidade de consumo e a acessibilidade econômica de produtos industrializados é evidentemente maior do que a de uma dieta balanceada e rica em nutrientes.

Sobre a Novo Nordisk

Novo Nordisk é uma empresa líder global em saúde, fundada em 1923 e com sede na Dinamarca. Nosso propósito é impulsionar mudanças para derrotar doenças crônicas graves, inspirados pela nossa história centenária relacionada ao diabetes. Fazemos isso sendo pioneiros em descobertas científicas, expandindo acesso aos nossos medicamentos e trabalhando para prevenir e, até mesmo, curar doenças. A Novo Nordisk emprega mais de 64 mil pessoas em 80 países e comercializa seus produtos em cerca de 170 nações. No Brasil desde 1990, a empresa conta atualmente com mais de 2 mil funcionários. Está presente em três estados, com um escritório administrativo em São Paulo (SP), um centro de distribuição em São José dos Pinhais (PR) e um site produtivo em Montes Claros (MG), reconhecido como a maior fábrica de insulinas do Brasil e América Latina. Para mais informações, visite o site e siga nossos perfis oficiais nas redes sociais InstagramFacebookLinkedIn e YouTube.

Crianças brasileiras estão mais altas e mais obesas, revela estudo

Uma pesquisa conduzida por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Cidacs/Fiocruz Bahia), em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a University College London, revelou que as crianças brasileiras estão crescendo em altura, mas também estão enfrentando um aumento preocupante na obesidade.

Os resultados do estudo, baseados na observação das medidas de mais de 5 milhões de crianças brasileiras entre 2001 e 2014, mostraram que a estatura média infantil aumentou em cerca de 1 centímetro nesse período. No entanto, houve um considerável aumento na prevalência de excesso de peso e obesidade entre os grupos analisados, com a taxa de obesidade aumentando em até cerca de 3%.

Publicado na revista The Lancet Regional Health – America, o estudo ressalta que o Brasil, assim como outros países, ainda está longe de alcançar a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de deter o aumento da obesidade até 2030. A obesidade infantil é especialmente preocupante devido aos riscos que representa para a saúde, aumentando as chances de desenvolver doenças como doenças cardiovasculares, diabetes e hipertensão.

A pesquisa analisou dados de mais de 5.750.000 crianças entre 3 e 10 anos, coletados de três sistemas administrativos. Os resultados mostraram um aumento na prevalência de excesso de peso e obesidade em ambos os sexos, assim como um aumento na altura média das crianças. No entanto, a pesquisadora Carolina Vieira ressalta que, apesar do crescimento em altura estar associado a melhores condições de vida, o aumento da obesidade é alarmante e reflete a necessidade de ações coordenadas para enfrentar esse problema de saúde pública.

Além do aumento da obesidade, o Brasil também enfrenta o desafio da fome, com cerca de 20 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar grave. Essa situação representa uma dupla carga de má nutrição, com prevalência tanto de crianças desnutridas quanto de crianças com obesidade. Para Carolina Vieira, é essencial abordar esses dois extremos simultaneamente para garantir a saúde e o bem-estar das crianças brasileiras.

*Com informações de Agência Brasil

USP busca voluntários para pesquisa sobre obesidade e saúde renal

A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP) está em busca de voluntários para participar de um estudo sobre a deposição de gordura nos rins e suas possíveis complicações em pacientes com obesidade grau I. A pesquisa, coordenada pela doutoranda Giovana Azevedo, tem como objetivo comparar a quantidade de gordura renal em pacientes com peso normal e acima do peso, além de avaliar os impactos dessa condição na função renal e na microcirculação.

Os participantes do estudo devem ter entre 18 e 35 anos e um Índice de Massa Corporal (IMC) entre 30 e 34,4 kg/m². Os voluntários serão submetidos a uma série de exames, incluindo análises de sangue e urina, densitometria óssea, ressonância magnética abdominal e avaliação cardiovascular não invasiva. A pesquisa é supervisionada pelo professor José Francisco Albuquerque de Paula, da FMRP-USP.

Interessados em participar ou obter mais informações sobre o estudo podem entrar em contato com Giovana Azevedo pelo telefone (19) 99267-2741 ou pelo e-mail gi.dgazevedo@usp.br.

Pesquisa da USP busca voluntários para estudo sobre gordura nos rins

A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP está em busca de voluntários com obesidade grau I para participar de uma pesquisa sobre deposição de gordura nos rins e suas possíveis complicações renais.

Pessoas com idades entre 18 e 35 anos e com IMC entre 30 e 34,4 kg/m2 são elegíveis para participar do estudo, que visa comparar a quantidade de gordura nos rins entre pacientes com peso normal e pacientes acima do peso, além de avaliar consequências como piora na função renal, perda de proteína na urina e alterações na microcirculação.

Os voluntários selecionados serão submetidos a uma série de exames, incluindo análises de sangue e urina, densitometria óssea para avaliação da composição corporal, ressonância magnética do abdômen e avaliação cardiovascular não invasiva.

A pesquisa é conduzida pela doutoranda Giovana Azevedo, do Programa de Clínica Médica, sob supervisão do professor José Francisco Albuquerque de Paula. Os interessados em participar ou obter mais informações podem entrar em contato pelo telefone (19) 99267-2741 ou pelo e-mail gi.dgazevedo@usp.br.

Fórum Econômico Mundial acende alerta vermelho contra os alimentos ultraprocessados

Davos, na Suíça, torna-se palco de discussões cruciais durante o Fórum Econômico Mundial de 2024, onde líderes políticos e empresariais exploram questões prementes. Um estudo apresentado destaca a necessidade urgente de transformações profundas na qualidade alimentar, especialmente no que diz respeito aos alimentos ultraprocessados. Alertas também são emitidos sobre a falta de comprometimento das gigantes agropecuárias com práticas regenerativas.

O professor Ricardo Abramovay, titular da Cátedra Josué de Castro na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), discute mudanças no sistema agropecuário para promover transformações significativas na alimentação da sociedade, destacando a importância do FEM em acender o alerta para esse tema.

Desafios e Mudanças no Sistema Alimentar Global:

Abramovay ressalta que o antigo método, resultado da Revolução Verde nos anos 1960, não é mais viável diante da crise climática. Com eventos climáticos extremos cada vez mais recorrentes, o modelo precisa ser repensado. O Brasil, sendo pioneiro na pesquisa científica em Nutrição, destaca-se internacionalmente com abordagens inovadoras que priorizam não apenas os nutrientes, mas a forma como os alimentos são processados.

Existem quatro tipos de alimentos: naturais, minimamente processados, industrializados e ultraprocessados. Estes últimos, manipulados pela indústria para criar sabor, textura e aparência, representam um grave problema global. Países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, enfrentam altos índices de obesidade devido ao alto custo de manter uma dieta saudável, levando as pessoas a recorrerem a alimentos ultraprocessados.

Mais de 2 bilhões de pessoas enfrentam obesidade e deficiências nutricionais, contribuindo para doenças graves, incluindo cardiovasculares e câncer. O Fórum Econômico Mundial destaca a urgência de diversificar o sistema agroalimentar para enfrentar esses desafios.

Brasil no G20 e Desafios Futuros:

Como líder do G20 desde dezembro de 2023, o Brasil, representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destaca a luta contra a pobreza, a desigualdade e as preocupações climáticas. A transformação do sistema agroalimentar torna-se essencial para avançar na luta contra a fome e as desigualdades.

Abramovay destaca a necessidade de a conferência do G20, prevista para setembro no Brasil, focar nessa temática. A participação ativa da USP na reunião ministerial do G20, agendada para fevereiro, destaca a urgência de superar a monotonia do sistema agroalimentar global em busca de um desenvolvimento sustentável.