Vacina contra a dengue é suspensa após casos graves e mortes sob investigação; veja quem deve procurar atendimento

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan em todo o país. A medida preventiva foi adotada após o registro de 42 casos de reações adversas graves em pessoas imunizadas. Dentre os pacientes, três precisaram de internação hospitalar e duas mortes estão sendo investigadas pelas autoridades de saúde para apurar uma possível relação com o imunizante.

Segundo o governo federal, a suspensão tem caráter cautelar e não significa que a vacina seja insegura. O Ministério da Saúde reforçou que os mais de 500 mil brasileiros já vacinados continuam protegidos contra a dengue. Em entrevista à Rádio Nacional, o diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, destacou que a eficácia do imunizante foi comprovada em estudos e que a investigação busca esclarecer as causas dos eventos registrados.

As autoridades orientam que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias fiquem atentas ao surgimento de sintomas semelhantes aos da dengue, como febre, dores no corpo, manchas na pele, sinais de sangramento e episódios de vômito. Esse período é conhecido como viremia vacinal, quando ainda há circulação da versão enfraquecida do vírus utilizada na vacina para estimular a produção de anticorpos. Em caso de qualquer sintoma, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação médica.

Incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano, a vacina do Butantan já foi aplicada em mais de 501 mil pessoas até o fim de maio. O imunizante apresenta eficácia de 65% na prevenção da dengue e superior a 80% contra casos graves e hospitalizações. Antes da aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a vacina passou por testes clínicos com mais de 11 mil voluntários monitorados por até cinco anos. O Ministério da Saúde reforça que pessoas vacinadas há mais de 21 dias e sem sintomas não precisam procurar atendimento e permanecem protegidas contra a doença.

Vacinas contra o câncer: Governo sanciona lei e anuncia investimentos milionários na saúde

Foi sanciononada, nesta sexta-feira (10), o novo marco regulatório para vacinas e medicamentos de alto custo contra o câncer no Brasil. A medida, prevista no Projeto de Lei 126/2025, estabelece diretrizes para pesquisa, produção, distribuição e acesso a tratamentos oncológicos no país, com foco na inovação científica e no acesso universal por meio do Sistema Único de Saúde. A iniciativa representa um avanço estratégico na saúde pública e busca ampliar a equidade no atendimento aos pacientes.

Durante agenda em São Paulo, o presidente também inaugurou o Centro de Ensino, Simulação e Inovação (Cesin) no Instituto do Coração (InCor). O evento contou com a presença de autoridades como o ministro da Saúde Alexandre Padilha, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Guilherme Boulos. Em discurso, Lula destacou a importância de investir em tecnologia, formação profissional e valorização do sistema público de saúde.

O Cesin surge como um dos mais modernos centros de capacitação em saúde do país, com estrutura voltada à simulação realística, inovação tecnológica e formação de profissionais. Instalado em um complexo de cinco andares, o espaço conta com salas que reproduzem ambientes hospitalares como UTI, centro cirúrgico e emergência, além de recursos como realidade virtual, biobanco e áreas dedicadas à pesquisa e desenvolvimento. Segundo o cardiologista Roberto Kalil, o centro deve elevar a qualidade do atendimento e a segurança dos pacientes atendidos pelo SUS.

Além da inauguração, o Ministério da Saúde anunciou investimentos de R$ 100 milhões no InCor, incluindo recursos para o funcionamento do novo centro e iniciativas como telessaúde e formação de especialistas. O projeto também prevê a criação de um hospital público inteligente no Hospital das Clínicas, com uso de inteligência artificial e tecnologia 5G para agilizar atendimentos de urgência. As ações reforçam a estratégia do governo federal de modernizar o SUS, ampliar o acesso à saúde de qualidade e acelerar a inovação no tratamento de doenças como o câncer.