O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra o herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU), após avaliação técnica sobre a viabilidade da inclusão do imunizante na rede pública.
De acordo com relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), a vacina foi considerada de alto custo em relação ao impacto esperado no combate à doença. O imunizante é indicado para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos. Apesar de reconhecer a importância da vacina, o comitê destacou a necessidade de negociação de preços para garantir sustentabilidade orçamentária ao SUS.
O documento aponta que a vacinação de 1,5 milhão de pessoas por ano teria custo estimado de R$ 1,2 bilhão anuais. No quinto ano, a imunização dos pacientes remanescentes exigiria R$ 380 milhões, totalizando um investimento de R$ 5,2 bilhões em cinco anos. Diante desses números, a vacina foi classificada como não custo-efetiva. A portaria ressalta que o tema pode ser reavaliado caso surjam novos dados que alterem essa análise.
O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora, que pode permanecer latente no organismo e ser reativado, sobretudo em idosos e pessoas com imunidade baixa. A doença geralmente evolui de forma benigna, mas pode causar complicações graves. No SUS, os casos leves recebem tratamento sintomático, enquanto pacientes com maior risco podem ser tratados com o antiviral aciclovir. Entre 2007 e 2023, foram registrados 1.567 óbitos por herpes-zóster no Brasil, sendo a maioria entre pessoas com 50 anos ou mais.






