Veja dicas para proteger seu celular de golpes virtuais no carnaval

Blocos lotados, turistas distraídos e alto volume de transações fazem do Carnaval 2026 um dos períodos mais críticos para golpes financeiros e fraudes digitais. Mesmo quando não há furto ou roubo físico, o celular se tornou a principal porta de entrada para criminosos acessarem aplicativos bancários e esvaziarem contas em poucos minutos. Especialistas alertam que, durante a folia, o aumento das transações via Pix, pagamentos por aproximação e compras rápidas cria o cenário ideal para ataques, elevando o risco de prejuízo financeiro.

Embora muitos golpes no Carnaval aconteçam presencialmente — como maquininhas adulteradas e cobranças indevidas —, o smartphone virou o grande alvo dos estelionatários. Redes wi-fi falsas, mensagens com links maliciosos e ataques de engenharia social estão entre as principais estratégias usadas para invadir dispositivos. Segundo José Oliveira, Diretor de Tecnologia (CTO) da Certta, eventos de grande porte criam o ambiente perfeito para fraudes. “Há quebra de rotina, decisões rápidas e um senso de urgência que inibe a reflexão. É exatamente isso que o fraudador explora”, afirma.

O risco aumenta no Carnaval por três fatores principais: alta concentração de pessoas, que facilita furtos e camufla criminosos; quebra de rotina, que dificulta sistemas automáticos de detecção de fraude; e decisões emocionais, marcadas por pressa e distração. Com o celular desbloqueado — ou após tentativas rápidas de adivinhar senhas — golpistas conseguem transferir valores via Pix, solicitar empréstimos, alterar senhas e recuperar acessos por e-mail ou SMS. Além disso, o uso de inteligência artificial já permite aplicar golpes com deepfakes de voz e imagem, tornando as fraudes ainda mais sofisticadas.

Para evitar golpes no Carnaval, especialistas recomendam ativar biometria facial ou digital nos aplicativos bancários, reduzir temporariamente o limite do Pix, desativar o pagamento por aproximação em ambientes lotados e evitar conexões wi-fi públicas. Também é essencial saber como apagar o aparelho remotamente e bloquear contas imediatamente em caso de roubo. A principal orientação, porém, é simples: desacelerar. Antes de clicar em links, digitar senhas ou confirmar pagamentos, faça uma pausa. Em meio à festa, a tecnologia ajuda, mas a primeira linha de defesa contra fraudes ainda é o comportamento atento do próprio usuário.

Roubaram seu celular ? Celular Seguro passa a bloquear também aparelhos sem o app instalado

A partir de agora, quem for vítima de furto ou roubo de celular ou quem perdeu o aparelho pode registrar a ocorrência pelo aplicativo Celular Seguro usando outro aparelho telefônico, tablet ou computador. E não é mais necessário informar o IMEI do celular, uma espécie de CPF do aparelho, nem ter registro prévio no aplicativo. 

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (11) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. 

Basta baixar o app e entrar no Celular Seguro por meio de outro dispositivo, fazer o registro em até 15 dias, indicando a data e o horário do ocorrido, bem como a linha telefônica utilizada no celular. 

Segundo o Ministério da Justiça, com isso, é possível bloquear a linha telefônica, os aplicativos financeiros, o IMEI do aparelho ou, ainda, cadastrar no modo recuperação. 

Lançado em dezembro de 2023, o Celular Seguro tem hoje 3,6 milhões de pessoas cadastradas, de acordo com o governo.

E o objetivo é que o usuário, a partir do aplicativo, emita um único alerta para agilizar o bloqueio de aparelhos, reduzindo prejuízos financeiros por golpes digitais, além de facilitar a recuperação de celulares pelas polícias estaduais. 

A tela em branco apavora’: pesquisa revela que 63% dos brasileiros pedem ajuda à IA para escrever mensagens pessoais”

Um levantamento da consultoria Página 3, chamado Mais do Mesmo, mostra que 63% dos brasileiros já recorreram à inteligência artificial (IA) para compor mensagens pessoais, como no WhatsApp ou e-mail, o que indica uma tendência de terceirização do pensamento.

O uso crescente da IA para atividades que antes eram consideradas quase íntimas — como conversar, refletir ou tomar decisões — aponta para uma padronização de comportamentos e ideias. Segundo a pesquisa, 48% dos entrevistados dizem notar que “todo mundo está ficando igual”, e 49% afirmam já ter recebido conteúdos com “cara de IA”. Ainda assim, 72% gostariam de ser mais autênticos.

Para os autores do estudo, essa dependência pode diminuir a capacidade de pensar por conta própria, reduzir a criatividade e levar a um empobrecimento da individualidade. Eles destacam que ler, escrever, dialogar e conviver com diferentes opiniões são práticas importantes para preservar a diversidade de pensamento.

Em resumo: embora a IA facilite a vida — inclusive ajudando a lidar com o “medo” da tela em branco —, o uso frequente para funções pessoais levanta o alerta de que precisamos usá-la com consciência, mantendo práticas que estimulem nossa própria reflexão e criatividade.

TV e videogames podem melhorar foco, mas redes sociais reduzem atenção, indica estudo

Um estudo conduzido pela Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, revela que diferentes usos de telas geram efeitos distintos no cérebro de jovens adultos entre 18 e 25 anos. A pesquisa aponta que assistir televisão ou jogar videogame está ligado a um aumento no foco, enquanto o uso de redes sociais provoca queda na atenção e alterações negativas no humor.

Durante os testes, a neurocientista Alexandra Gaillard e sua equipe observaram que já após três minutos de exposição aos dispositivos ocorriam mudanças mensuráveis no humor, energia, tensão, foco e até felicidade dos participantes. A queda de concentração ao acessar redes sociais foi confirmada por marcadores de redução da atividade cerebral.

Segundo Gaillard, embora o estudo tenha se concentrado em cérebros adultos já desenvolvidos, os impactos em adolescentes e crianças — cujos cérebros ainda estão em formação — podem ser ainda mais significativos. “Se este é o efeito em um cérebro totalmente desenvolvido, precisamos considerar urgentemente os impactos em adolescentes e crianças que estão usando cada vez mais essas tecnologias.”

Os pesquisadores ressaltam que não se trata de demonizar todas as telas: TV e videogame podem trazer estímulos positivos quando bem utilizados, enquanto redes sociais tendem a oferecer estímulos rápidos, fragmentados, que não exigem atenção sustentada. O alerta principal é para o tipo de atividade, mais do que para o tempo de uso.

Diante dos achados, especialistas defendem que jovens, pais e educadores atentem para a qualidade do uso de telas. Atividades com início, meio e fim bem definidos — como séries, filmes ou jogos com enredo — podem favorecer o foco. Já o uso passivo e contínuo de redes sociais, com rolagem infinita e estímulos instantâneos, exige maiores cuidados.