No dia 22 de março comemora-se o Dia Mundial da Água. Um novo relatório da Universidade das Nações Unidas, braço de pesquisa da Organização das Nações Unidas, alerta que o planeta já enfrenta uma era de “falência hídrica”. O conceito descreve uma condição crônica em que o consumo de água supera a capacidade natural de reposição. Segundo o diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da UNU, Kaveh Madani, o fenômeno é resultado direto do uso insustentável dos recursos hídricos ao longo das últimas décadas.
Os sinais da crise são amplos e preocupantes: cerca de 70% dos aquíferos subterrâneos estão em declínio de longo prazo, metade dos grandes lagos do mundo está diminuindo e eventos de seca têm se tornado mais frequentes e intensos. Atualmente, aproximadamente 4,4 bilhões de pessoas enfrentam escassez de água por pelo menos um mês ao ano. Grandes cidades como Teerã, São Paulo, Cidade do Cabo e Chennai já convivem com o risco do chamado “dia zero”, quando o abastecimento pode entrar em colapso. Estimativas indicam ainda que 75% da população mundial vive em países com algum nível de insegurança hídrica.
O estudo aponta que os impactos já ultrapassam o meio ambiente e atingem a economia e a estabilidade social, com aumento de migrações e conflitos relacionados à água. Dados recentes mostram que disputas por recursos hídricos saltaram de 20 casos em 2010 para mais de 400 em 2024. Para Madani, o cenário exige mudanças urgentes, especialmente no setor agrícola, responsável por cerca de 70% do consumo global de água. Apesar da gravidade, há caminhos possíveis: a recuperação de áreas úmidas e o uso de técnicas que aumentem a retenção de água no solo podem não apenas aliviar a crise, mas também gerar benefícios ambientais e de saúde pública.






