Agência Nacional de Saúde incorpora novo medicamento para tratar câncer raro

Em sua primeira reunião colegiada do ano, a diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou nessa segunda-feira, 26/1, a inclusão ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde do Momelotinibe, para o tratamento de mielofibrose, um tipo raro de câncer, em que a medula vai sendo substituída por um tecido fibroso, o que atrapalha a produção normal do sangue.

O medicamento foi incorporado para os casos de risco intermediário e alto, incluindo mielofibrose primária, mielofibrose pós-policitemia vera ou mielofibrose pós-trombocitemia essencial em adultos com anemia.

O medicamento passará a integrar o grupo “Terapia Antineoplásica Oral para Tratamento do Câncer” do rol, sendo obrigatoriamente coberto pelas operadoras de planos de saúde a partir de 2/3/2026.

Sobre o rol
O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde conta com tecnologias disponíveis aos beneficiários entre terapias, exames, procedimentos e cirurgias, atendendo às doenças listadas na Classificação internacional de Doenças (CID), da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Anvisa amplia o uso da cannabis medicinal no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (28) uma resolução que amplia o uso de terapias à base de cannabis. Com a norma, fica autorizada a venda do canabidiol em farmácias de manipulação e a produção da planta no país – por empresas – voltada para a fabricação de medicamentos e outros produtos aprovados.

A partir desta nova resolução do órgão fica permitida a comercialização de medicamentos usados via bucal, sublingual e dermatológica.

Outra possibilidade que se abre é a importação da planta ou do extrato dela para a fabricação de medicamentos.

Também ficou decidido na reunião da Anvisa um limite de até 0,3% de THC (Tetrahidrocanabinol), composto da planta, tanto para materiais importados como para adquiridos. O THC é usado para tratamento de pessoas que vivem com diversas doenças debilitantes e crônicas.

As mudanças nas regras do uso da cannabis no país atendem a pedido do Superior Tribuna Federal (STF) que, no fim do ano passado, determinou que a Anvisa regulamentasse o uso da planta desde que com fins medicinais.

Otimismo

A tomada de mais um passo na regulamentação da cannabis sativa como medicamento e objeto de pesquisa, em processo conduzido hoje, em Brasília, pela Anvisa, divide opiniões de especialistas. Embora haja otimismo de parcela significativa das entidades que levantam a bandeira, outras têm ressalvas e críticas pontuais.

Emilio Figueiredo, que participou da criação da primeira associação do país pensada para garantir o acesso de pacientes a medicamentos canábicos, celebra o avanço no debate e na concepção do ato normativo. “Foi muito interessante e surpreendente abrirem para a escuta”, afirmou o advogado, observando ser uma iniciativa inédita.

Cofundador da Rede Jurídica pela Reforma da Política de Drogas, Figueiredo aponta como maior tendência, a partir de agora, mais lucidez e assertividade sobre as soluções de ampliação do acesso. Ele comenta, ainda, o poder de atração da cannabis em diversos círculos, independentemente da posição política-ideológica, de modo que “a gente não tem nenhum modelo em que as pessoas se reúnem da mesma forma”.

Um dos representantes de associações que tomaram a palavra durante a reunião desta manhã, Jair Pereira Barbosa Júnior, da Federação das Associações de Cannabis Terapêutica (Fact), de Alto Paraíso (GO), salientou a capacidade de auto-organização do movimento associativo e a insegurança jurídica que a regulamentação poderia atenuar.

Aderência à cannabis no Brasil

Apesar dos obstáculos para obtenção dos remédios à base de cannabis, o Brasil da atualidade já soma 873 mil pessoas em tratamento, como documenta a última versão do anuário da Kaya Mind, de 2025. O número é recorde e aparece após uma curva ascendente, ano após ano.

No total, há 315 associações provedoras de cannabis medicinal, das quais 47 conquistaram avanços judiciais para cultivo. Ao todo, foram identificadas pela Kaya Mind 27 hectares de plantio mantido por essas organizações.

O faturamento anual também é uma demonstração da maior aceitação desse tipo de substância. Em 2025, houve uma alta de 8,4% na comparação com 2024, chegando a R$ 971 milhões. Por seu potencial de mercado, o Brasil sedia a ExpoCannabis (https://expocannabisbrasil.com/), que, ano passado, realizou sua terceira edição.

A proporção é de cerca de 2,7 médicos que prescrevem medicamentos canábicos para cada 10 mil pacientes, com uma média que fica entre 5,9 mil e 15.100 profissionais da saúde receitando mensalmente. Se, entre médicos, tem havido popularização, dentistas têm tido mais resistência. Apenas 0,2% deles os indicam aos pacientes que atendem.
Desde 2015, ao menos R$ 377,7 milhões foram gastos com fornecimento público de produtos à base de cannabis e somente cinco estados ainda não têm leis de fornecimento público de cannabis medicinal. Além disso, oito em cada dez (85%) dos municípios brasileiros já tiveram ao menos um paciente tratado com cannabis desde 2019. O relatório ressalta o encaminhamento, por 68 empresas, de 210 pedidos de Autorização Sanitária pela Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 327/19 desde 2020, com aprovação de 24 foram delas.

Doenças afastaram 4,1 milhões de trabalhadores de suas funções em 2025. Fores nas costas foi campeã dos afastamentos

Mais de 4,12 milhões de trabalhadores brasileiros precisaram se afastar temporariamente de suas atividades profissionais em 2025 por motivos de saúde. Os dados são do Ministério da Previdência Social e indicam que este é o maior número de concessões de benefícios por incapacidade temporária desde 2021, representando um crescimento de 15% em relação a 2024, quando foram registrados pouco mais de 3,58 milhões de afastamentos.

Pelo terceiro ano consecutivo, as dores nas costas lideraram o ranking das doenças e transtornos que mais motivaram a concessão de benefícios assistenciais no país. Apenas os afastamentos relacionados à dorsalgia (CID M54) somaram 237.113 casos em 2025. No ano anterior, a condição já ocupava a primeira posição, com 205.142 registros.

Na segunda colocação aparecem as lesões ou desgastes dos discos intervertebrais (CID M51) — como as hérnias de disco —, que totalizaram 208.727 afastamentos no ano passado. Em seguida, figuram as fraturas da perna e do tornozelo (CID S82), responsáveis por 179.743 concessões. Em ambos os casos, os números superaram os de 2024, quando foram registrados 172.452 e 147.665 benefícios, respectivamente.

Os transtornos mentais e comportamentais também tiveram destaque no levantamento. Em 2025, os transtornos ansiosos (CID F41) ocuparam a quarta posição, com 166.489 benefícios concedidos, enquanto os episódios depressivos ficaram em sexto lugar, com 126.608 registros. Assim como nos anos anteriores, os afastamentos por essas causas seguem em trajetória de alta: em 2024, foram 141.414 casos de ansiedade e 113.604 de depressão.

Ranking das doenças que mais afastaram trabalhadores em 2025

  1. Dores nas costas – 237.113 casos
  2. Lesões ou desgastes dos discos intervertebrais – 208.727 casos
  3. Fraturas da perna ou tornozelo – 179.743 casos
  4. Transtornos ansiosos – 166.489 casos
  5. Lesões de ombro – 135.093 casos
  6. Episódios depressivos – 126.608 casos

Diferenças por gênero

A análise por gênero revela diferenças na incidência das principais causas de afastamento. Em 2025, a maior parte das mulheres precisou se afastar do trabalho por dores na coluna, totalizando 121.586 casos. Entre os homens, o principal motivo foram as fraturas de perna e/ou tornozelo, que afastaram 116.235 trabalhadores.

Entre as mulheres, os transtornos ansiosos aparecem em segundo lugar, com 118.517 afastamentos, seguidos pelas lesões ou desgastes dos discos intervertebrais (98.305). Já no grupo masculino, a dorsalgia ocupa a segunda posição (115.527 casos), enquanto as lesões nos discos intervertebrais ficam em terceiro (110.422 registros).

Do total de 4.126.112 benefícios concedidos pelo INSS em 2025, mais de 2,10 milhões foram destinados a mulheres seguradas, enquanto pouco mais de 2,02 milhões beneficiaram homens.

Como funciona o benefício

O Auxílio por Incapacidade Temporária, anteriormente chamado de auxílio-doença, é um benefício federal concedido ao segurado do INSS que comprove, por meio de perícia médica, estar temporariamente incapacitado de exercer sua atividade habitual por período superior a 15 dias consecutivos, em decorrência de doença ou acidente.

A concessão do benefício pode ser precedida por perícia presencial ou por análise documental. A avaliação médica pode resultar tanto no reconhecimento de incapacidade temporária, com a concessão do auxílio, quanto de incapacidade permanente, situação que pode levar à Aposentadoria por Incapacidade Permanente, antiga aposentadoria por invalidez.

Alerta: Em uma década, casos de câncer de pele no Brasil saltam de 4 mil para 72 mil

O número de diagnósticos de câncer de pele no Brasil cresceu de forma expressiva na última década, passando de 4.237 casos em 2014 para 72.728 em 2024, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A incidência da doença apresenta forte desigualdade regional, com maiores taxas concentradas nos estados do Sul e do Sudeste, regiões que historicamente lideram os registros da enfermidade no país.

Em 2024, a projeção nacional foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, índice ligeiramente inferior ao pico observado em 2023. Espírito Santo (139,37) e Santa Catarina (95,65) lideraram o ranking nacional, seguidos por Rondônia (85,11), que se destacou fora do eixo tradicional. Para a SBD, os números refletem fatores como maior exposição solar, envelhecimento da população e predominância de pessoas de pele clara nessas regiões.

Apesar de apresentarem taxas mais baixas, as regiões Norte e Nordeste registraram aumento de casos em alguns estados, como Ceará e Rondônia. A entidade avalia que, em unidades federativas historicamente marcadas por baixa notificação, o crescimento pode estar relacionado à melhoria da vigilância epidemiológica, embora a subnotificação ainda persista, especialmente em áreas rurais e de difícil acesso.

A SBD também aponta que o avanço nos diagnósticos está associado à ampliação da exigência de registros padronizados em exames laboratoriais desde 2018, além do maior acesso à avaliação dermatológica na rede privada. Segundo a entidade, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam mais dificuldades para consultar especialistas, o que reforça a necessidade de ampliar o diagnóstico precoce, fundamental para aumentar as chances de cura e reduzir a complexidade dos tratamentos.

Ribeirão Preto realiza Dia D de Multivacinação neste sábado, 31

A Prefeitura de Ribeirão Preto realiza neste sábado, dia 31, o Dia D de Multivacinação, por meio da Secretaria Municipal da Saúde. A mobilização acontece em todas as 39 salas de vacina do município, das 8h às 16h30, com o objetivo de atualizar a caderneta de vacinação de crianças e adolescentes. Para o atendimento, é necessário apresentar documento de identificação e, se possível, a carteira de vacinação.

Um dos principais focos da ação são os adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam a vacina contra o HPV na faixa etária recomendada, entre 9 e 14 anos. Atualmente, a cobertura vacinal contra o HPV é de 84,9% entre as meninas e 73,2% entre os meninos. O vírus está associado a infecções que podem evoluir para diversos tipos de câncer. Também devem ser vacinadas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos que ainda não iniciaram ou não completaram o esquema vacinal contra a dengue, que prevê duas doses. A cobertura da primeira dose é de 84,5%, enquanto a da segunda é de 35,4%.

Segundo a subsecretária de Vigilância em Saúde, Luzia Márcia Romanholi Passos, o Dia D é uma estratégia importante para alcançar famílias que não conseguem comparecer às unidades durante a semana. O secretário municipal da Saúde, Maurício Godinho, reforça que a vacinação é uma das formas mais eficazes de prevenção de doenças e complicações graves. Os endereços das salas de vacina estão disponíveis para consulta no link oficial da Prefeitura.

Anvisa determina recolhimento e apreensão de suplemento alimentar irregular. Saiba qual

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu três suplementos da marca Cycles Nutrition por conterem substâncias que não passaram por testes de segurança. A decisão foi publicada nesta terça-feira (20) no Diário Oficial da União e inclui a determinação de recolhimento dos produtos.

A medida atinge os suplementos Recover Cycles Nutrition, Shot Ritual Cycles Nutrition e Relax Ritual Cycles Nutrition, fabricados pela Sylvestre Indústria e Comércio de Insumos Alimentícios. Segundo a Anvisa, os itens não podem ser fabricados, comercializados, distribuídos, importados, divulgados nem consumidos.

De acordo com o órgão regulador, os produtos contêm ingredientes cuja segurança não foi comprovada para uso em suplementos alimentares, o que pode representar graves riscos à saúde dos consumidores.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Cycles Nutrition afirmou que utiliza, sempre que possível, ingredientes compostos principalmente por frutas e vegetais, submetidos a rigorosos processos de escolha, qualidade e certificação. A empresa declarou ainda que os extratos citados são amplamente utilizados no Brasil e no exterior e que está prestando todos os esclarecimentos técnicos necessários, mantendo clientes e parceiros informados com transparência.

O que fazer quando alguém tem uma crise convulsiva ao seu lado como aconteceu com Henry Castelli no BBB

A crise convulsiva, ou convulsão, ocorrida com o ator Henri Castelli, participante do BBB acendeu um alerta sobre a convulsão no Brasil. O que fazer se isso acontecer com alguém ao seu lado, perto de você ? Vamos lá. Ela ocorre devido a um aumento excessivo e desorganizado da atividade elétrica no cérebro. Os neurônios se comunicam por meio de impulsos elétricos e, quando essa atividade se torna anormal, pode provocar os abalos musculares característicos das crises, geralmente descritos como movimentos rápidos, repetitivos e desordenados de todo o corpo.

Durante uma convulsão, outros sinais e sintomas também podem estar presentes, como perda temporária da consciência, aumento da salivação, ranger de dentes, mordedura da língua, além de perda do controle urinário e intestinal.

As crises convulsivas nem sempre estão associadas à epilepsia. Elas podem ser desencadeadas por diferentes fatores, como febre alta, queda do nível de açúcar no sangue (hipoglicemia), desidratação, pancadas fortes na cabeça, perda excessiva de sangue, presença de tumores, bem como intoxicações por álcool, medicamentos ou drogas ilícitas, entre outros. A epilepsia, por sua vez, é caracterizada pela ocorrência repetida de crises convulsivas sem a presença de um fator desencadeante identificável.

Ao presenciar uma crise convulsiva, é comum que as pessoas fiquem assustadas e hesitem em prestar ajuda. No entanto, o auxílio é fundamental, pois durante a convulsão há risco de ferimentos causados pela perda súbita da consciência e pela queda desprotegida ao chão, podendo resultar em lesões e até fraturas.

É importante destacar que a crise convulsiva não é contagiosa nem transmissível. Portanto, não há qualquer risco para quem presta auxílio à pessoa que está convulsionando.

O que fazer em caso de crise convulsiva:

  • Mantenha a calma e, se possível, evite que a pessoa caia de forma brusca ao chão;
  • Coloque o indivíduo em um local seguro, afastando objetos que possam causar ferimentos, como mesas e cadeiras;
  • Retire os óculos, caso a pessoa esteja usando;
  • Apoie a cabeça com um objeto macio, mantendo-a levemente elevada em relação ao corpo, como um travesseiro, almofada, casaco ou toalha dobrada;
  • Posicione a pessoa de lado, para evitar engasgos com saliva ou vômito;
  • Afrouxe roupas apertadas, especialmente ao redor do pescoço, como camisas ou gravatas;
  • Permaneça ao lado da vítima até que ela recupere a consciência;
  • Após o término da crise, é comum que a pessoa apresente cansaço e confusão mental. Explique o que aconteceu e ofereça ajuda para entrar em contato com um familiar ou conhecido.

O que NÃO fazer:

  • Não impedir os movimentos da vítima;
  • Nunca se deve colocar objetos, a mão ou os dedos dentro da boca da vítima, pois as contrações musculares durante a crise convulsiva são fortes e inconscientes e pode ferir tanto a pessoa em convulsão (por exemplo: fraturas nos ossos faciais) quanto quem está tentando ajudar;
  • Não jogue água ou qualquer outra substância líquida no rosto da vítima.

Tudo o que você precisa saber sobre a vacina da Dengue do Instituto Butantã que começa a ser aplicada na população

O Governo de São Paulo avança no combate à dengue com o início da vacinação em massa contra a doença em Botucatu, cidade do interior do estado, neste domingo (18). A Butantan-DV, desenvolvida pelo Instituto Butantan, é a primeira vacina contra a dengue em dose única do mundo e pode ser uma arma eficaz para combater o avanço da doença no Brasil e em países de toda a América Latina. Saiba mais sobre o imunizante.

1 – Qual é a eficiência da vacina contra a doença?

A aprovação da vacina é sustentada pelos resultados de cinco anos de acompanhamento dos voluntários do ensaio clínico de fase 3, encaminhados à Anvisa. De acordo com o estudo, no público de 12 a 59 anos, o imunizante mostrou 74,7% de eficácia geral, 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme e 100% de eficácia contra hospitalizações por dengue. O estudo, conduzido entre 2016 e 2024, avaliou a Butantan-DV em mais de 16 mil voluntários residentes de 14 estados brasileiros. Resultados anteriores do acompanhamento de dois e 3,7 anos foram publicados no The New England Journal of Medicine e na The Lancet Infectious Diseases, respectivamente.

2 –  A vacina atua em quais sorotipos da dengue?

A vacina é tetravalente e foi desenvolvida para proteger contra os quatro sorotipos conhecidos do vírus da dengue. Isso é relevante porque a predominância do sorotipo circulante varia de um ano para outro. Composta pelos quatro vírus atenuados, ela induz a produção de anticorpos sem causar a doença e com poucas reações adversas.

3 –  A Butantan-DV é segura?

Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o vírus. A maioria das reações à aplicação foi leve a moderada, sendo as principais dor e vermelhidão no local da injeção, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina aconteceram em uma parcela reduzida dos imunizados, e todos se recuperaram completamente.

4 – Quem pode se vacinar?

A vacina pode ser recebida por pessoas que já tiveram ou que nunca tiveram dengue. O público-alvo da vacinação determinado pelo Programa Nacional de Imunização nesta primeira etapa são pessoas entre 15 e 59 anos.

5 – Quais as vantagens da Butantan-DV sobre as outras vacinas:

A Butantan-DV é a primeira vacina de dose única aprovada contra a dengue no mundo, uma conquista da ciência brasileira. A estratégia tem potencial de facilitar a adesão do público e a logística da campanha. Os benefícios da dose única foram descritos em um relatório publicado por pesquisadores do Reino Unido na Human Vaccines & Immunotherapeutics, em 2018. O estudo apontou que programas de imunização com menos doses estão associados a uma melhor cobertura vacinal e menos impactos na economia.

6 – A vacina é em pó?

A tecnologia utilizada é chamada de liofilização. Nela, a vacina é transformada em pó após o congelamento e remoção da água. Isso torna o produto mais estável durante o transporte e o armazenamento, uma vantagem para países de dimensões continentais, como o Brasil.

Enquanto algumas vacinas podem exigir temperaturas mais rigorosas, a versão liofilizada necessita apenas de refrigeração padrão (entre 2°C e 8°C), a mesma utilizada para a maior parte das vacinas do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Isso reduz perdas e ajuda a manter a segurança do imunizante mesmo em trajetos longos.

7 – Quanto tempo dura a proteção?

Os voluntários dos ensaios foram acompanhados por cinco anos, período em que a vacina permaneceu eficaz. A partir da utilização em larga escala, os dados de vida real indicarão se haverá necessidade de reforço.

8 – Qual é a capacidade de produção?

O Butantan tem capacidade inicial estimada em 1,2 milhão de doses por ano, com ampliação em andamento. Para atender à demanda imediata, houve transferência de tecnologia para um laboratório parceiro (a chinesa Wuxi). Com a parceria, será possível entregar para o Ministério da Saúde até 30 milhões de doses já em 2026.

Estado de São Paulo confirma primeira morte por dengue em 2026

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou a morte de um homem por dengue no município de Nova Guataporanga, no Oeste do estado, próximo a Presidente Prudente e na divisa com o Mato Grosso do Sul. Este é o primeiro óbito pela doença registrado neste ano. Embora os sintomas tenham começado em 3 de janeiro, o caso é computado epidemiologicamente como de 2025, por se enquadrar em uma semana iniciada no ano anterior.

Em 2025, São Paulo contabilizou 881.280 casos confirmados de dengue, com 1.122 mortes confirmadas, 56 óbitos ainda em investigação e 1.461 casos de dengue grave. Já em 2026, o estado registra até o momento 971 casos confirmados e 3.389 em investigação, incluindo dois óbitos suspeitos, além de três casos graves confirmados. As regiões de Araçatuba e Presidente Prudente apresentam as maiores taxas de incidência, com 13,58 e 8,57 casos por 100 mil habitantes, respectivamente.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil soma em 2026 um total de 9.667 casos prováveis de dengue e três óbitos em investigação. Em 2025, foram registrados 1.665.793 casos prováveis e 1.780 mortes no país. Dados dos últimos dois anos indicam que o período de maior incidência da doença ocorre entre o início de março, na oitava semana epidemiológica, e o final de maio, na vigésima semana.

Ministério da Saúde decide não incorporar vacina herpes-zóster ao SUS

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra o herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU), após avaliação técnica sobre a viabilidade da inclusão do imunizante na rede pública.

De acordo com relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), a vacina foi considerada de alto custo em relação ao impacto esperado no combate à doença. O imunizante é indicado para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos. Apesar de reconhecer a importância da vacina, o comitê destacou a necessidade de negociação de preços para garantir sustentabilidade orçamentária ao SUS.

O documento aponta que a vacinação de 1,5 milhão de pessoas por ano teria custo estimado de R$ 1,2 bilhão anuais. No quinto ano, a imunização dos pacientes remanescentes exigiria R$ 380 milhões, totalizando um investimento de R$ 5,2 bilhões em cinco anos. Diante desses números, a vacina foi classificada como não custo-efetiva. A portaria ressalta que o tema pode ser reavaliado caso surjam novos dados que alterem essa análise.

O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora, que pode permanecer latente no organismo e ser reativado, sobretudo em idosos e pessoas com imunidade baixa. A doença geralmente evolui de forma benigna, mas pode causar complicações graves. No SUS, os casos leves recebem tratamento sintomático, enquanto pacientes com maior risco podem ser tratados com o antiviral aciclovir. Entre 2007 e 2023, foram registrados 1.567 óbitos por herpes-zóster no Brasil, sendo a maioria entre pessoas com 50 anos ou mais.