Agência Nacional de Saúde incorpora novo medicamento para tratar câncer raro

Em sua primeira reunião colegiada do ano, a diretoria da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou nessa segunda-feira, 26/1, a inclusão ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde do Momelotinibe, para o tratamento de mielofibrose, um tipo raro de câncer, em que a medula vai sendo substituída por um tecido fibroso, o que atrapalha a produção normal do sangue.

O medicamento foi incorporado para os casos de risco intermediário e alto, incluindo mielofibrose primária, mielofibrose pós-policitemia vera ou mielofibrose pós-trombocitemia essencial em adultos com anemia.

O medicamento passará a integrar o grupo “Terapia Antineoplásica Oral para Tratamento do Câncer” do rol, sendo obrigatoriamente coberto pelas operadoras de planos de saúde a partir de 2/3/2026.

Sobre o rol
O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde conta com tecnologias disponíveis aos beneficiários entre terapias, exames, procedimentos e cirurgias, atendendo às doenças listadas na Classificação internacional de Doenças (CID), da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Alerta: Em uma década, casos de câncer de pele no Brasil saltam de 4 mil para 72 mil

O número de diagnósticos de câncer de pele no Brasil cresceu de forma expressiva na última década, passando de 4.237 casos em 2014 para 72.728 em 2024, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). A incidência da doença apresenta forte desigualdade regional, com maiores taxas concentradas nos estados do Sul e do Sudeste, regiões que historicamente lideram os registros da enfermidade no país.

Em 2024, a projeção nacional foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, índice ligeiramente inferior ao pico observado em 2023. Espírito Santo (139,37) e Santa Catarina (95,65) lideraram o ranking nacional, seguidos por Rondônia (85,11), que se destacou fora do eixo tradicional. Para a SBD, os números refletem fatores como maior exposição solar, envelhecimento da população e predominância de pessoas de pele clara nessas regiões.

Apesar de apresentarem taxas mais baixas, as regiões Norte e Nordeste registraram aumento de casos em alguns estados, como Ceará e Rondônia. A entidade avalia que, em unidades federativas historicamente marcadas por baixa notificação, o crescimento pode estar relacionado à melhoria da vigilância epidemiológica, embora a subnotificação ainda persista, especialmente em áreas rurais e de difícil acesso.

A SBD também aponta que o avanço nos diagnósticos está associado à ampliação da exigência de registros padronizados em exames laboratoriais desde 2018, além do maior acesso à avaliação dermatológica na rede privada. Segundo a entidade, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam mais dificuldades para consultar especialistas, o que reforça a necessidade de ampliar o diagnóstico precoce, fundamental para aumentar as chances de cura e reduzir a complexidade dos tratamentos.

Anvisa determina recolhimento e apreensão de suplemento alimentar irregular. Saiba qual

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu três suplementos da marca Cycles Nutrition por conterem substâncias que não passaram por testes de segurança. A decisão foi publicada nesta terça-feira (20) no Diário Oficial da União e inclui a determinação de recolhimento dos produtos.

A medida atinge os suplementos Recover Cycles Nutrition, Shot Ritual Cycles Nutrition e Relax Ritual Cycles Nutrition, fabricados pela Sylvestre Indústria e Comércio de Insumos Alimentícios. Segundo a Anvisa, os itens não podem ser fabricados, comercializados, distribuídos, importados, divulgados nem consumidos.

De acordo com o órgão regulador, os produtos contêm ingredientes cuja segurança não foi comprovada para uso em suplementos alimentares, o que pode representar graves riscos à saúde dos consumidores.

Em nota divulgada nas redes sociais, a Cycles Nutrition afirmou que utiliza, sempre que possível, ingredientes compostos principalmente por frutas e vegetais, submetidos a rigorosos processos de escolha, qualidade e certificação. A empresa declarou ainda que os extratos citados são amplamente utilizados no Brasil e no exterior e que está prestando todos os esclarecimentos técnicos necessários, mantendo clientes e parceiros informados com transparência.

O calor vai continuar. Temperatura estão 5º acima da média. Saiba como proteger toda sua família nos dias quentes

Com a chegada oficial do verão, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para a elevação das temperaturas em diversas regiões do Brasil. Estados do Sul e Sudeste, como Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro, têm registrado marcas de até 5 °C acima da média histórica. Já no interior do Nordeste, o destaque é o clima extremamente seco, com índices de umidade relativa do ar abaixo de 30%, o que agrava a sensação de desconforto térmico.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde chama atenção para os riscos associados ao calor excessivo, que afetam principalmente idosos, crianças, gestantes e pessoas com doenças crônicas. A exposição prolongada às altas temperaturas pode causar desidratação e insolação, condição em que a temperatura corporal ultrapassa os 40 °C, levando à perda intensa de água, sais minerais e nutrientes essenciais. Além disso, a exposição solar sem proteção adequada aumenta o risco de câncer de pele, o tipo mais comum no país.

Para reduzir os impactos do calor, a orientação é evitar o sol entre 10h e 16h, usar roupas leves, chapéus, óculos escuros e protetor solar com FPS acima de 30, além de manter a hidratação constante. Sintomas como cansaço excessivo, tontura, dor de cabeça, náuseas e boca seca exigem atenção. Em casos mais graves, como febre alta, confusão mental ou desmaios, a recomendação é procurar atendimento médico imediato nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

  • Evite permanecer sob o sol entre 10h e 16h;
  • Use roupas leves, de cores claras e que não fiquem apertadas ao corpo;
  • Use óculos de sol e chapéu;
  • Opte pelo protetor solar com fator de proteção solar (FPS) acima de 30 para evitar queimaduras na pele;
  • Beba líquidos durante todo o tempo, com prioridade para água, água de coco e sucos de frutas naturais;
  • Tenha cuidado com as bebidas alcoólicas que, em excesso, causam desidratação;
  • Diminua os esforços físicos, principalmente em momentos de calor intenso.

Dica Unimed Ribeirão – Equilíbrio e saúde para o novo ano: como cuidar do corpo e da mente no ciclo que se inicia

Todo novo ano chega carregado de simbolismos, expectativas e a chance de começar de novo. É como abrir uma página em branco, seja para um projeto, um sonho ou uma nova fase da vida. Nesse momento de renovação, sentimos naturalmente o impulso de reorganizar prioridades, bem-estar e propósitos. E é justamente nesse período que o equilíbrio físico, mental e emocional se torna essencial.

Vivemos tempos acelerados, repletos de estímulos constantes e cada vez mais expectativas. Por isso, ao entrar em um novo ciclo, cuidar do corpo e da mente deixa de ser uma opção e passa a ser um compromisso diário consigo mesmo, que deve ser contínuo.

Que tal aproveitar o início de um novo ano para construir uma rotina mais equilibrada, que promova bem-estar físico e mental a longo prazo? Essa é a chance de fazer com que os próximos meses sejam mais leves, conscientes e alinhados com quem você deseja se tornar.

Vamos iniciar o novo ciclo com saúde?

Por que o equilíbrio é tão importante?

Certamente, em algum momento, você já ouviu a frase “equilíbrio é tudo”. Essa afirmativa é verdadeira e serve para todos os âmbitos da vida. 

Quando corpo e mente caminham em harmonia, nossa energia flui com mais leveza. Dormimos melhor, temos mais clareza para tomar decisões, lidamos com desafios com mais serenidade e fortalecemos nossa imunidade. 

O equilíbrio impacta diretamente a forma como você se relaciona com o mundo e consigo mesmo.

Por outro lado, a falta de equilíbrio nos afasta do que realmente importa. O estresse, a sobrecarga mental e os hábitos desajustados prejudicam a saúde de maneira silenciosa, mas profunda.

Cuidando do corpo
 


Realize consultas e exames de rotina

Não deixe consultas e exames de rotina de lado. Aproveite o início do ano para listar os profissionais que você evitou no ano anterior.

Organize-se e agende consultas e exames para garantir que sua saúde física esteja em dia e para identificar precocemente possíveis problemas.

Prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais!

Movimente-se
 

Não é preciso estabelecer metas inalcançáveis, com rotinas intensas, longas e cansativas. Caminhar, alongar, dançar, pedalar. O segredo é escolher algo que seja prazeroso. 

Lembre-se: a atividade física fortalece não só o corpo, mas também tem um impacto positivo importante na saúde mental, ajudando, inclusive, a reduzir o estresse.

Mantenha uma alimentação balanceada
 

A alimentação é o pilar de qualquer estilo de vida saudável, não é mesmo? Então, que tal iniciar este novo ciclo com uma dieta equilibrada, capaz de gerar benefícios ao longo de todo o ano?
 

Priorize alimentos naturais e deixe o prato mais colorido. Quanto mais cores, melhor. Para isso, reduza o consumo de alimentos ultraprocessados, que são ricos em açúcar, sódio, gorduras e aditivos químicos. Sim! Esses alimentos são ricos também em aditivos químicos.


Ah, e não se esqueça: hidrate-se!
 

Beber água é fundamental para a saúde celular, regular a temperatura corporal, além de favorecer a digestão e a concentração. 

Tenha sempre a sua garrafinha por perto. Com o tempo, esse hábito simples se tornará natural.

Atente-se à qualidade do sono

Dormir é uma necessidade biológica, mas ainda assim subestimada por muitas pessoas. É durante o sono que o corpo se recupera, relaxa e fortalece o sistema imunológico.

Estabeleça uma rotina de sono, evite telas antes de dormir e crie um ambiente relaxante.

Um sono de qualidade faz toda a diferença para a saúde física e mental. Experimente!

Cuidando da mente

Momentos de pausa são essenciais

Desacelerar não é perder tempo. Pequenas pausas ao longo do dia ajudam a reorganizar 

emoções e aliviar o estresse. Pare e respire fundo! Esses simples atos acalmam a mente, reduzem a ansiedade e melhoram a concentração.

Limites saudáveis

Aprender a dizer “não” também é uma forma de cuidado. Escolher onde colocar sua energia faz parte do equilíbrio emocional.

Dedique tempo aos hobbies

Retome ou descubra atividades que proporcionam alegria e relaxamento, como ler, ouvir música, pintar, cozinhar, cuidar de plantas. São muitas as opções que podem contribuir para o bem-estar mental. Aproveite o novo ano para encontrar as suas.

Mantenha conexões sociais

A interação social é essencial para o bem-estar físico e emocional. A convivência com amigos e familiares fortalece vínculos e melhora a qualidade de vida. Relacionamentos saudáveis têm um papel que vai muito além do que simplesmente compartilhar momentos prazerosos.

Estabeleça limites digitais

É isso mesmo que você leu: estabeleça limites digitais. Defina horários para o uso de redes sociais e aparelhos eletrônicos. A desconexão regular ajuda a reduzir a sobrecarga de informações e melhora a qualidade do descanso.

Seja gentil consigo mesmo e pratique a gratidão

Sempre reconheça suas conquistas. E mais: entenda que erros fazem parte do aprendizado. Evite a autocrítica excessiva. 

A gratidão é um hábito simples e poderoso, que promove satisfação e otimismo, além de reduzir o estresse e contribuir para o bem-estar emocional.

Embora simples, essas práticas podem transformar o seu ano e o modo como você encara e vive o dia a dia.

Um novo ciclo, uma nova chance

O verdadeiro bem-estar nasce quando entendemos que corpo e mente não são áreas separadas, mas interligadas. Cuidar de uma é cuidar da outra.


Este novo ciclo que se inicia pode ser o momento ideal para construir hábitos mais saudáveis, reconectar-se consigo mesmo e estabelecer um ritmo de vida mais alinhado ao que você deseja viver.

Comece devagar, incorporando uma ou duas mudanças de cada vez, para que os novos hábitos se tornem sustentáveis e prazerosos a longo prazo. 

Cuidado – Consumo de álcool nas festas de fim de ano aumenta riscos à saúde

O consumo de bebidas alcoólicas costuma aumentar durante as festas de fim de ano, impulsionado por confraternizações e encontros familiares. Segundo a psiquiatra Alessandra Diehl, integrante do conselho consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abad), esse cenário amplia os riscos à saúde física e mental e pode gerar impactos negativos nas relações sociais.

A especialista ressalta que não existe um nível seguro de consumo de álcool. De acordo com ela, documentos recentes ratificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçam que qualquer quantidade ingerida pode causar prejuízos.

“Entre os principais problemas observados nesse período estão quedas, intoxicações e a diminuição da supervisão de crianças em ambientes onde há adultos alcoolizados”, afirma.

Ela destaca que, nessa época do ano, é comum o aumento de atendimentos em prontos-socorros pediátricos envolvendo crianças que ingeriram bebidas alcoólicas de forma acidental. “Isso acontece, muitas vezes, pela falta de supervisão adequada dos adultos”, completa.

Outro ponto de atenção é o aumento de episódios de agressividade e os riscos associados à combinação do álcool com medicamentos. “A pessoa perde o senso crítico e acaba se expondo a situações perigosas, como dirigir sob efeito do álcool, além do crescimento de conflitos familiares”, explica a psiquiatra.

Para quem já enfrenta problemas relacionados ao consumo de álcool, o fim de ano representa um período especialmente sensível, com maior risco de recaídas. “A bebida é amplamente oferecida, e a nossa cultura ainda glamouriza muito o álcool, o que aumenta a vulnerabilidade de quem está em recuperação”, alerta.

Segundo a especialista, o álcool não deve ocupar um papel central nas celebrações. “Quando a bebida se torna protagonista, ela pode funcionar como gatilho para pessoas emocionalmente vulneráveis”, afirma.

A psiquiatra também chama atenção para os impactos na saúde mental. De acordo com ela, muitas pessoas recorrem ao álcool como uma forma de lidar com sentimentos de tristeza, ansiedade e frustração, comuns nesse período do ano. “O álcool acaba sendo usado como uma espécie de anestesia emocional, mas isso tende a agravar quadros de ansiedade e depressão já existentes”, diz.

Álcool e juventude

O aumento do consumo de álcool entre adolescentes é outro fator de preocupação. Dados do 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), divulgado em setembro de 2025 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostram que, enquanto o consumo entre adultos diminuiu, houve crescimento entre os mais jovens.

Entre os adultos, a proporção de pessoas que bebem regularmente caiu de 47,7% em 2012 para 42,5% em 2023. Já o consumo pesado de álcool — definido como a ingestão de 60 gramas ou mais em uma única ocasião — aumentou entre menores de idade, passando de 28,8% para 34,4% no mesmo período.

“Não existe ‘beber com moderação’ para adolescentes. Além de ser proibido por lei, o cérebro ainda está em desenvolvimento e pode sofrer impactos significativos com o consumo de álcool”, ressalta Alessandra Diehl.

A psiquiatra também critica a postura de famílias que permitem ou incentivam o consumo dentro de casa. “A ideia de que é melhor o adolescente beber sob supervisão é extremamente permissiva e equivocada. A prevenção exige uma presença familiar mais ativa e mensagens claras de que o álcool não deve estar no centro das celebrações”, afirma.

“É possível estabelecer limites claros, dizendo que, naquela família, a bebida não é o principal e que adolescentes não devem consumir álcool”, conclui.

Lei garante mamografia pelo SUS para mulheres a partir dos 40 anos

O exame de mamografia gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS) passa a ser garantido para todas as mulheres a partir dos 40 anos. A mudança foi estabelecida pela Lei nº 15.284, sancionada nesta sexta-feira (19) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União. Antes, a recomendação do SUS contemplava apenas mulheres entre 50 e 69 anos, com realização do exame a cada dois anos.

O câncer de mama é a principal causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que cerca de 20 mil mulheres morreram pela doença em 2023, e a estimativa para 2025 é de mais de 73 mil novos casos. A faixa etária de 40 a 49 anos concentra aproximadamente 23% da incidência, reforçando a importância do diagnóstico precoce para aumentar as chances de cura.

Com a nova lei, a mamografia passa a ser assegurada pelo SUS mesmo para mulheres que não apresentem sinais ou sintomas da doença, ampliando o acesso ao rastreamento preventivo. A proposta é de autoria do senador Plínio Valério (PSDB-AM) e contou com apoio do Executivo, sendo assinada também pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Márcia Lopes (Mulheres).

Especialistas destacam que o rastreamento por mamografia é a forma mais eficaz de enfrentar o câncer de mama, embora a cobertura do exame ainda esteja abaixo do ideal no país. Além do diagnóstico precoce, a prevenção inclui hábitos saudáveis, como a prática de atividades físicas, manutenção do peso adequado, redução do consumo de álcool e amamentação, fatores que contribuem para a diminuição do risco da doença.

Sífilis continua em ritmo acelerado de crescimento no país e no mundo. A situação grave está entre mulheres grávidas

Dados do Ministério da Saúde, divulgados em outubro deste ano, mostram que a sífilis continua em ritmo acelerado de crescimento no Brasil, acompanhando uma tendência mundial. A situação é mais grave entre as gestantes: entre 2005 e junho de 2025, o país registrou 810.246 casos de sífilis em gestantes, com 45,7% dos diagnósticos na Região Sudeste, 21,1% no Nordeste, 14,4% no Sul, 10,2% no Norte e 8,6% no Centro-Oeste.

A taxa nacional de detecção alcançou 35,4 casos por mil nascidos vivos em 2024, o que revela o avanço da transmissão vertical, quando a infecção passa da mãe para o bebê.

Segundo a ginecologista Helaine Maria Besteti Pires Mayer Milanez, membro da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a luta para controlar os números da sífilis congênita se estende desde a década de 1980.

“Na realidade, sempre tivemos problema com a questão da sífilis no Brasil. Ainda não conseguimos encarar a redução dessas cifras há muitos anos”, disse à Agência Brasil.

Apesar de ser uma doença mais fácil de diagnosticar, rastrear e barato de tratar, em relação ao HIV, por exemplo, ainda não conseguimos o enfrentamento adequado para a redução significativa entre as mulheres jovens e também em fetos recém-nascidos.

“Então, temos um problema sério no Brasil, tanto com relação à população adulta jovem e,  consequentemente, na população em idade reprodutiva, e daí o aumento na transmissão vertical.” Para a médica, a sífilis é um desafio que ainda não conseguiu resultados positivos, diferentemente do que foi conseguido em relação ao HIV.

Subdiagnóstico

Helaine apontou que, “infelizmente”, a população da área da saúde subdiagnostica a infecção. O exame que se realiza para fazer a identificação da sífilis através do sangue é o VDRL (do inglês Venereal Disease Research Laboratory), teste não treponêmico, mais usado no Brasil.

Ele não é específico do treponema, mas tem a vantagem de indicar a infecção e acompanhar a resposta ao tratamento. Outro teste é o treponêmico, que fica positivo e nunca mais negativo.

A ginecologista explicou que o que tem acontecido, na prática, é o profissional da saúde ao ver o exame treponêmico positivo e o não treponêmico negativo, assumir que aquilo é uma cicatriz e não precisa tratar.

“Esse é o grande erro. A maioria das grávidas estará com um teste não treponêmico ou positivo ou com título baixo. Aí, ela mantém o ciclo de infecção que infecta o parceiro sexual e seu feto dentro do útero”. A interpretação inadequada da sorologia do pré-natal tem sido um problema, segundo a médica.

Outro  problema é o não tratamento da parceria sexual.

“Muitas vezes, os parceiros ou são inadequadamente tratados ou não tratados,  e aí as bacatérias continuam circulando na gestante e no parceiro que não foi tratado e ele reinfecta a mulher grávida e, novamente, ela tem risco de infectar a criança.”

O não diagnóstico adequado, a não valorização da sorologia no pré-natal acabam levando ao desfecho de uma criança com sífilis congênita.

A Febrasgo promove cursos de prevenção e tratamento das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) aos profissionais de saúde, além de produzir vários materiais técnicos de esclarecimento da população de médicos para que abordem de modo adequado as pacientes. 

Helaine Martinez participa ainda do grupo de transmissão vertical do Ministério da Saúde, que tem, há muitos anos, protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da transmissão vertical de sífilis, HIV e hepatites virais. O material está disponível online para qualquer pessoa que queira acessá-lo.

“A gente fala que não é falta de informação. Mas precisa aplicar e estudar para ter o conhecimento adequado. Hoje a ocorrência de sífilis congênita é um dos melhores marcadores da atenção pré-natal”.

Infectados

 A população que mais infecta agora por sífilis e HIV no Brasil é a situada entre 15 e 25 anos e também a terceira idade. “A população jove, porque caiu o medo em relação às infecções sexualmente transmissíveis, e acabou abandonando os métodos de barreir. Quanto ao HIV, não existe mais aquele terror, porque é uma doença crônica tratável. Isso fez com que os adultos jovens baixassem a guarda na prevenção das infecções sexualmente transmissíveis”.

Já a terceira idade, com o consequente aumento da vida sexual ativa, com uso de remédios como o Viagra, que melhora a performance sexual dos homens mais velhos, e a falta do receio, porque não tem o risco de gravidez, contribui para o abandono dos métodos de barreira.

Um problema sério no Brasil é que a maioria das mulheres grávidas, mais de 80%, não tem sintoma da doença durante a gestação. Elas têm a forma assintomática, chamada forma latente. Com isso, se o exame não for interpretado da maneira adequada, a doença não será tratada e ela vai evoluir para a criança infectada.

Helaine Martinez afirmou que o homem também tem grande prevalência da doença assintomática atualmente. A partir do momento em que o indivíduo entra em contato com o treponema, ele desenvolve uma úlcera genital, que pode também ser na cavidade oral. Aí, esse cancro, na maior parte das vezes, aparece no órgão genital externo, na coroa do pênis. Já na mulher, a lesão fica escondida no fundo da vagina ou no colo do útero. Não é comum ela ficar na vulva. Portanto, ela passa despercebida para a mulher.

Riscos

O que acaba acontecendo é que no homem, mesmo sem tratar a sífilis, a lesão desaparece. Se ele não tiver agilidade e buscar atendimento, a lesão pode desaparecer, ele acaba não sendo tratado e acumula alto risco de transmitir para sua parceira sexual

Tanto a lesão da parte primária, que é o cancro, desaparece sem tratamento. Pode aparecer uma vermelhidão no corpo todo que também desaparece mesmo sem tratamento. O grande problema da sífilis é que a doença tem um marcador clínico de lesão na fase primária e secundária, mas a parte latente é assintomática e, mesmo nessa fase, o homem transmite a doença. A maioria desses homens não tem sintoma e, se não fizerem exame, não são identificados, indicou a especialista.

O único método que identifica o paciente é raspar a lesão e fazer a pesquisa do treponema porque, na fase inicial, os exames laboratoriais do sangue do paciente podem ser negativos. Mas eles positivam em média em duas ou três semanas.

Carnaval

A ginecologista afirmou que com a proximidade das festas carnavalescas, o contágio por sífilis é uma ameaça constante, porque as práticas sexuais com proteção nem sempre são utilizadas nessa época do ano.

“O abandono dos métodos de barreira tem feito crescer, infelizmente, as infecções sexualmente transmissíveis”.

Ela lembrou que, atualmente, já existe um recurso para o HIV, que é a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição). Trata-se de um medicamento antirretroviral tomado por pessoas sem HIV 24 horas antes de a pessoa se expor a uma relação de risco, para prevenir a infecção. O medicamento reduz o risco em mais de 90% quando usado corretamente, através de comprimidos diários ou injeções, sendo ideal para populações-chave em maior risco e disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.

Sem tratamento, a infecção pode evoluir para a fase secundária, caracterizada por um exantema difuso (manchas na pele), que atinge inclusive as palmas das mãos e as plantas dos pés. A doença também pode provocar alopecia em “caminho de rato” e condiloma plano (lesão genital).

“A fase secundária apresenta grande quantidade de treponemas circulantes (altos níveis da bactéria no sangue). Em gestantes, a chance de acometimento fetal chega a 100% quando a gestante apresenta a sífilis recente, o que torna o diagnóstico e o tratamento ainda mais urgentes”, destacou a médica. 

ALERTA – Estado de SP reforça alerta para vacinação após novo caso importado de sarampo

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) reforça o alerta para a prevenção do sarampo após a confirmação de um novo caso da doença na capital paulista. Trata-se de um homem de 27 anos, não vacinado, com histórico recente de viagem ao exterior. O paciente recebeu atendimento médico e já teve alta.

Este é o segundo caso de sarampo registrado no estado neste ano. O primeiro ocorreu em abril, também na capital, conforme monitoramento epidemiológico realizado pela vigilância estadual.

De acordo com as orientações da vigilância epidemiológica, todo caso suspeito de sarampo deve ser notificado e investigado imediatamente, em razão da alta transmissibilidade do vírus e do risco de disseminação da doença. Assim que o diagnóstico do paciente foi confirmado, todas as medidas de controle e prevenção foram imediatamente adotadas, incluindo investigação epidemiológica, busca ativa de contatos e intensificação da vacinação, em conjunto com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) e o Ministério da Saúde.

A SES-SP reforça que a vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo. A vacina tríplice viral é segura, eficaz e protege também contra a rubéola e a caxumba. O Estado mantém estoques regulares do imunizante e orienta a população a verificar a situação vacinal, especialmente antes de viagens nacionais ou internacionais.

Quem deve se vacinar

Crianças de 6 a 11 meses

  • Dose Zero (D0), indicada em situações de risco aumentado de exposição ao vírus.
    Observação: esta dose não substitui as doses do calendário de rotina, que devem ser mantidas.

Crianças a partir de 12 meses

  • Primeira dose (D1) aos 12 meses, com a tríplice viral.
  • Segunda dose (D2) aos 15 meses, com a vacina tetraviral (ou tríplice viral + varicela).

Pessoas de 5 a 29 anos

  • Devem iniciar ou completar o esquema de duas doses da tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas.

Pessoas de 30 a 59 anos

  • Devem receber uma dose da tríplice viral caso não haja comprovação de vacinação anterior.

Profissionais dos setores de saúde, turismo, hotelaria, transporte, alimentação e educação devem manter o esquema vacinal completo, conforme recomendação do Ministério da Saúde.

Dúvidas sobre vacinação

O Governo de São Paulo disponibiliza o portal Vacina 100 Dúvidas, que reúne as perguntas mais frequentes da população sobre vacinação, efeitos colaterais, eficácia dos imunizantes, doenças imunopreveníveis e riscos da não vacinação.
O acesso está disponível em: www.vacina100duvidas.sp.gov.br.

Ribeirão Preto inicia vacinação contra Vírus Sincicial Respiratório para gestantes

A partir desta terça-feira (9), Ribeirão Preto dará início à aplicação da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em suas 39 salas de vacina municipais. A primeira remessa enviada pelo Ministério da Saúde contém 2.005 doses, e a expectativa é de que novos lotes cheguem nas próximas semanas.

A imunização será oferecida a gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A estratégia da vacina é permitir que os anticorpos gerados pela mãe sejam transferidos ao bebê antes do nascimento, garantindo proteção nos primeiros meses de vida — período de maior vulnerabilidade a complicações respiratórias.

O VSR é uma das principais causas de doenças graves em bebês, como bronquiolite e pneumonia, e responde por uma parcela significativa das internações respiratórias de lactentes, especialmente nos meses de outono e inverno. Para os especialistas, oferecer essa vacina pela rede pública representa um avanço importante, já que, anteriormente, a imunização estava restrita à rede privada.

As gestantes que fazem pré-natal nas unidades básicas de saúde poderão se vacinar sem necessidade de agendamento — basta comparecer à sala de vacina mais próxima e apresentar documento de identificação e carteira de vacinação, se houver.

Para as autoridades de saúde local, a introdução da vacina no cronograma municipal representa um passo decisivo na prevenção de internações pediátricas graves, com potencial de reduzir riscos significativos de doença grave e óbitos entre recém-nascidos nos primeiros meses de vida.