O câncer de próstata é o tipo de câncer mais frequente entre os homens no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são esperados 77.920 novos casos por ano no País no triênio 2026-2028, o que representa um risco estimado de 74,62 casos para cada 100 mil homens. Uma resolução recente do Conselho Federal de Medicina (CFM) passou a autorizar duas novas opções de tratamento para pacientes com a doença.
As novas técnicas não são indicadas para todos os casos. Elas se destinam a pacientes com tumores localizados e restritos a uma única região da próstata. O médico urologista Maurício Cordeiro, do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), explica que os dois procedimentos utilizam temperaturas extremas para destruir o tumor.
“O HIFU produz altas temperaturas na próstata, enquanto a crioablação utiliza temperaturas muito baixas. Fazemos um tratamento localizado apenas na área em que os exames identificam a presença da doença, preservando o restante da glândula. O paciente precisa saber, porém, que continuará sendo acompanhado ao longo do tempo, com exames de PSA, ressonâncias magnéticas e, quando necessário, novas biópsias para verificar se ainda existe doença naquela região ou se surgiram novos focos”, explica o especialista.
Como funcionam os novos tratamentos
Os novos métodos são classificados como terapias focais, pois tratam apenas a área comprometida pelo tumor, preservando os tecidos saudáveis ao redor.
No HIFU (Ultrassom Focado de Alta Intensidade), feixes de ultrassom são direcionados ao tecido tumoral, elevando sua temperatura para cerca de 90 °C. O calor destrói as células cancerígenas sem comprometer significativamente as estruturas vizinhas.
Já a crioablação utiliza o princípio oposto. Durante o procedimento, agulhas são inseridas na próstata para resfriar intensamente a região afetada. As temperaturas extremamente baixas provocam o congelamento do tecido e a morte das células tumorais.
Segundo Maurício Cordeiro, uma das principais vantagens dessas terapias é reduzir o risco de efeitos colaterais frequentemente associados aos tratamentos convencionais. “A cirurgia tradicional e a radioterapia ainda podem causar sequelas importantes, como disfunção erétil, incontinência urinária e, no caso da radioterapia, retite actínica”, afirma.
Importância da prevenção
O especialista recomenda que todos os homens iniciem o rastreamento do câncer de próstata a partir dos 50 anos, com a realização anual dos exames de PSA e do toque retal. Segundo ele, o PSA é uma proteína produzida pela próstata, e sua dosagem no sangue auxilia na avaliação do risco de câncer. Homens com fatores de risco, como histórico familiar da doença, devem começar o acompanhamento aos 45 anos.
Maurício Cordeiro ressalta que, na maioria dos casos, o câncer de próstata é assintomático em sua fase inicial, o que torna o diagnóstico precoce fundamental. “Se o homem esperar o aparecimento dos sintomas para procurar atendimento, provavelmente estará diante de uma doença mais avançada, comprometendo toda a próstata ou já com metástases ósseas, que podem provocar dores na pelve ou na coluna. Nessa fase, as chances de cura são muito menores”, alerta.
Além do acompanhamento médico periódico, o urologista destaca que manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e adotar hábitos de vida saudáveis são medidas importantes para a promoção da saúde masculina e para a prevenção de diversas doenças.






