Anvisa alerta para riscos de canetas emagrecedoras manipuladas

Popularizadas por influenciadores e celebridades, as chamadas canetas emagrecedoras, como Mounjaro e Ozempic, vêm sendo cada vez mais buscadas por pessoas que desejam emagrecer de forma rápida, muitas vezes sem orientação médica e sem nenhum critério.

Diante da procura desenfreada, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre a compra e consumo desses medicamentos. Segundo a Anvisa, a venda e o uso de canetas emagrecedoras falsas representam um sério risco à saúde e é considerado um crime hediondo no país.

A farmacêutica Natally Rosa esclarece que o uso de versões manipuladas ou de origem desconhecida é uma prática perigosa.

“Uma pessoa que ela se submete, que ela é exposta ao uso de um medicamento fora dessas regulamentações, os riscos dela, com certeza, estão exacerbados. Desde a ausência de uma resposta ideal, como as contaminantes.”

A farmacêutica destaca o que observar na embalagem e no produto para conferir sua autenticidade:

“Temos alguns sinais. A própria embalagem já chama a atenção, já que as bulas são de fácil acesso na internet. Então, qual é a apresentação física dessa embalagem? De que forma que ela se apresenta? Como está o rótulo? O rótulo está no idioma do Brasil? Do nosso idioma aqui? Não deve estar em outras línguas, por exemplo. Existe lote e validade de fácil acesso? Você consegue identificar? A leitura, a descrição do medicamento, o princípio ativo, ela precisa estar bem legível. Todas as informações precisam estar bem claras.”

Ela também chama a atenção para valores: preços muito abaixo do praticado no mercado são sinal de alerta grave. O medicamento só é vendido com apresentação e retenção da receita médica.

Lei garante mamografia pelo SUS para mulheres a partir dos 40 anos

O exame de mamografia gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS) passa a ser garantido para todas as mulheres a partir dos 40 anos. A mudança foi estabelecida pela Lei nº 15.284, sancionada nesta sexta-feira (19) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União. Antes, a recomendação do SUS contemplava apenas mulheres entre 50 e 69 anos, com realização do exame a cada dois anos.

O câncer de mama é a principal causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que cerca de 20 mil mulheres morreram pela doença em 2023, e a estimativa para 2025 é de mais de 73 mil novos casos. A faixa etária de 40 a 49 anos concentra aproximadamente 23% da incidência, reforçando a importância do diagnóstico precoce para aumentar as chances de cura.

Com a nova lei, a mamografia passa a ser assegurada pelo SUS mesmo para mulheres que não apresentem sinais ou sintomas da doença, ampliando o acesso ao rastreamento preventivo. A proposta é de autoria do senador Plínio Valério (PSDB-AM) e contou com apoio do Executivo, sendo assinada também pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Márcia Lopes (Mulheres).

Especialistas destacam que o rastreamento por mamografia é a forma mais eficaz de enfrentar o câncer de mama, embora a cobertura do exame ainda esteja abaixo do ideal no país. Além do diagnóstico precoce, a prevenção inclui hábitos saudáveis, como a prática de atividades físicas, manutenção do peso adequado, redução do consumo de álcool e amamentação, fatores que contribuem para a diminuição do risco da doença.

Alerta: Internações de bebês por bronquiolite alertam para a importância da vacinação de gestantes

Às vésperas do período de maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), o Ministério da Saúde intensifica a orientação para a vacinação de gestantes como forma de proteger recém-nascidos contra formas graves da bronquiolite. Desde a inclusão do imunizante no Sistema Único de Saúde (SUS), em dezembro, cerca de 88,4 mil gestantes já foram vacinadas.

A enfermeira Lúcia Soares, mãe de duas crianças, conhece de perto os riscos da doença. A filha mais velha precisou ser internada após infecções respiratórias que evoluíram para bronquiolite. “Foram duas internações, uma com 1 ano e 3 meses e outra com 1 ano e 7 meses. Foi muito angustiante, porque ela precisou de oxigênio e monitoramento. Passamos uma noite na UTI até a Isabella estabilizar. Depois disso, o medo da doença voltar sempre permaneceu”, relata.

Com a ampliação da vacinação, a expectativa do Ministério da Saúde é evitar cerca de 28 mil internações por bronquiolite por ano, além de beneficiar aproximadamente dois milhões de recém-nascidos. Para isso, já foram adquiridas 1,8 milhão de doses do imunizante contra o VSR.

A incorporação da vacina à rede pública é motivo de alívio para famílias como a de Lúcia. “Saber que hoje existe essa proteção traz uma tranquilidade enorme. Minha irmã está grávida e tenho amigas esperando bebês. Todas ficaram muito mais seguras ao saber que a vacina está disponível no SUS. Nenhuma mãe merece ver seu filho internado”, afirma.

O que é o VSR

A bronquiolite é uma infecção respiratória comum na infância, especialmente em bebês menores de 2 anos. A vacinação durante a gestação, a partir da 28ª semana, permite a transferência de anticorpos da mãe para o bebê, garantindo proteção nos primeiros meses de vida — período de maior vulnerabilidade às complicações da doença.

Apesar de muitos casos serem leves, a bronquiolite pode evoluir para quadros graves, sobretudo em recém-nascidos, prematuros e crianças com comorbidades. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que gestantes procurem a unidade de saúde mais próxima para se informar sobre a vacinação e manter o calendário vacinal atualizado.

Mais precisão e recuperação rápida: cirurgia robótica se expande em Ribeirão Preto

A cirurgia robótica vive um dos períodos de maior expansão no Brasil, e Ribeirão Preto acompanha esse movimento. Antes restrita a poucos centros de excelência, a tecnologia tornou-se mais acessível e passou a transformar a assistência médica em diversas especialidades, como urologia, ginecologia, cirurgia geral e torácica.

Entre 2018 e 2022, foram realizadas cerca de 88 mil cirurgias robóticas no país, um crescimento de 417% em relação ao período de 2009 a 2018, quando foram registrados 17 mil procedimentos, segundo dados da Associação Médica Brasileira (AMB). Esse avanço está diretamente ligado ao aumento da concorrência entre fornecedores, que elevou o número de robôs cirúrgicos de 51 para 111, reduzindo os custos em até 50% e ampliando a presença da tecnologia em diferentes regiões.

Em Ribeirão Preto, a cirurgia robótica é utilizada desde 2019 em três hospitais — um público e dois privados. Juntas, as instituições já ultrapassaram 2.800 procedimentos realizados até novembro de 2025, com maior concentração nas áreas de urologia, ginecologia, proctologia e cirurgia torácica. Atualmente, o município conta com pelo menos 30 cirurgiões habilitados para operar com a plataforma robótica.

Para o urologista e uro-oncologista Dr. Luís César Zaccaro, delegado da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo e referência nacional na técnica, os benefícios são evidentes.

“A cirurgia robótica traz mais precisão, menos sangramento, menos dor pós-operatória e uma recuperação significativamente mais rápida”, afirma. “Ao preservar melhor nervos e estruturas vitais, ela impacta diretamente a reabilitação sexual e a recuperação da continência urinária, que são dois fatores muito importantes no tratamento do câncer de próstata”, completa.

A primeira cirurgia robótica no Brasil ocorreu há 16 anos e, desde 2022, a prática é regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que estabeleceu critérios específicos para a capacitação dos profissionais e para o credenciamento de centros aptos a realizar procedimentos de alta complexidade.

Sífilis continua em ritmo acelerado de crescimento no país e no mundo. A situação grave está entre mulheres grávidas

Dados do Ministério da Saúde, divulgados em outubro deste ano, mostram que a sífilis continua em ritmo acelerado de crescimento no Brasil, acompanhando uma tendência mundial. A situação é mais grave entre as gestantes: entre 2005 e junho de 2025, o país registrou 810.246 casos de sífilis em gestantes, com 45,7% dos diagnósticos na Região Sudeste, 21,1% no Nordeste, 14,4% no Sul, 10,2% no Norte e 8,6% no Centro-Oeste.

A taxa nacional de detecção alcançou 35,4 casos por mil nascidos vivos em 2024, o que revela o avanço da transmissão vertical, quando a infecção passa da mãe para o bebê.

Segundo a ginecologista Helaine Maria Besteti Pires Mayer Milanez, membro da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a luta para controlar os números da sífilis congênita se estende desde a década de 1980.

“Na realidade, sempre tivemos problema com a questão da sífilis no Brasil. Ainda não conseguimos encarar a redução dessas cifras há muitos anos”, disse à Agência Brasil.

Apesar de ser uma doença mais fácil de diagnosticar, rastrear e barato de tratar, em relação ao HIV, por exemplo, ainda não conseguimos o enfrentamento adequado para a redução significativa entre as mulheres jovens e também em fetos recém-nascidos.

“Então, temos um problema sério no Brasil, tanto com relação à população adulta jovem e,  consequentemente, na população em idade reprodutiva, e daí o aumento na transmissão vertical.” Para a médica, a sífilis é um desafio que ainda não conseguiu resultados positivos, diferentemente do que foi conseguido em relação ao HIV.

Subdiagnóstico

Helaine apontou que, “infelizmente”, a população da área da saúde subdiagnostica a infecção. O exame que se realiza para fazer a identificação da sífilis através do sangue é o VDRL (do inglês Venereal Disease Research Laboratory), teste não treponêmico, mais usado no Brasil.

Ele não é específico do treponema, mas tem a vantagem de indicar a infecção e acompanhar a resposta ao tratamento. Outro teste é o treponêmico, que fica positivo e nunca mais negativo.

A ginecologista explicou que o que tem acontecido, na prática, é o profissional da saúde ao ver o exame treponêmico positivo e o não treponêmico negativo, assumir que aquilo é uma cicatriz e não precisa tratar.

“Esse é o grande erro. A maioria das grávidas estará com um teste não treponêmico ou positivo ou com título baixo. Aí, ela mantém o ciclo de infecção que infecta o parceiro sexual e seu feto dentro do útero”. A interpretação inadequada da sorologia do pré-natal tem sido um problema, segundo a médica.

Outro  problema é o não tratamento da parceria sexual.

“Muitas vezes, os parceiros ou são inadequadamente tratados ou não tratados,  e aí as bacatérias continuam circulando na gestante e no parceiro que não foi tratado e ele reinfecta a mulher grávida e, novamente, ela tem risco de infectar a criança.”

O não diagnóstico adequado, a não valorização da sorologia no pré-natal acabam levando ao desfecho de uma criança com sífilis congênita.

A Febrasgo promove cursos de prevenção e tratamento das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) aos profissionais de saúde, além de produzir vários materiais técnicos de esclarecimento da população de médicos para que abordem de modo adequado as pacientes. 

Helaine Martinez participa ainda do grupo de transmissão vertical do Ministério da Saúde, que tem, há muitos anos, protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da transmissão vertical de sífilis, HIV e hepatites virais. O material está disponível online para qualquer pessoa que queira acessá-lo.

“A gente fala que não é falta de informação. Mas precisa aplicar e estudar para ter o conhecimento adequado. Hoje a ocorrência de sífilis congênita é um dos melhores marcadores da atenção pré-natal”.

Infectados

 A população que mais infecta agora por sífilis e HIV no Brasil é a situada entre 15 e 25 anos e também a terceira idade. “A população jove, porque caiu o medo em relação às infecções sexualmente transmissíveis, e acabou abandonando os métodos de barreir. Quanto ao HIV, não existe mais aquele terror, porque é uma doença crônica tratável. Isso fez com que os adultos jovens baixassem a guarda na prevenção das infecções sexualmente transmissíveis”.

Já a terceira idade, com o consequente aumento da vida sexual ativa, com uso de remédios como o Viagra, que melhora a performance sexual dos homens mais velhos, e a falta do receio, porque não tem o risco de gravidez, contribui para o abandono dos métodos de barreira.

Um problema sério no Brasil é que a maioria das mulheres grávidas, mais de 80%, não tem sintoma da doença durante a gestação. Elas têm a forma assintomática, chamada forma latente. Com isso, se o exame não for interpretado da maneira adequada, a doença não será tratada e ela vai evoluir para a criança infectada.

Helaine Martinez afirmou que o homem também tem grande prevalência da doença assintomática atualmente. A partir do momento em que o indivíduo entra em contato com o treponema, ele desenvolve uma úlcera genital, que pode também ser na cavidade oral. Aí, esse cancro, na maior parte das vezes, aparece no órgão genital externo, na coroa do pênis. Já na mulher, a lesão fica escondida no fundo da vagina ou no colo do útero. Não é comum ela ficar na vulva. Portanto, ela passa despercebida para a mulher.

Riscos

O que acaba acontecendo é que no homem, mesmo sem tratar a sífilis, a lesão desaparece. Se ele não tiver agilidade e buscar atendimento, a lesão pode desaparecer, ele acaba não sendo tratado e acumula alto risco de transmitir para sua parceira sexual

Tanto a lesão da parte primária, que é o cancro, desaparece sem tratamento. Pode aparecer uma vermelhidão no corpo todo que também desaparece mesmo sem tratamento. O grande problema da sífilis é que a doença tem um marcador clínico de lesão na fase primária e secundária, mas a parte latente é assintomática e, mesmo nessa fase, o homem transmite a doença. A maioria desses homens não tem sintoma e, se não fizerem exame, não são identificados, indicou a especialista.

O único método que identifica o paciente é raspar a lesão e fazer a pesquisa do treponema porque, na fase inicial, os exames laboratoriais do sangue do paciente podem ser negativos. Mas eles positivam em média em duas ou três semanas.

Carnaval

A ginecologista afirmou que com a proximidade das festas carnavalescas, o contágio por sífilis é uma ameaça constante, porque as práticas sexuais com proteção nem sempre são utilizadas nessa época do ano.

“O abandono dos métodos de barreira tem feito crescer, infelizmente, as infecções sexualmente transmissíveis”.

Ela lembrou que, atualmente, já existe um recurso para o HIV, que é a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição). Trata-se de um medicamento antirretroviral tomado por pessoas sem HIV 24 horas antes de a pessoa se expor a uma relação de risco, para prevenir a infecção. O medicamento reduz o risco em mais de 90% quando usado corretamente, através de comprimidos diários ou injeções, sendo ideal para populações-chave em maior risco e disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.

Sem tratamento, a infecção pode evoluir para a fase secundária, caracterizada por um exantema difuso (manchas na pele), que atinge inclusive as palmas das mãos e as plantas dos pés. A doença também pode provocar alopecia em “caminho de rato” e condiloma plano (lesão genital).

“A fase secundária apresenta grande quantidade de treponemas circulantes (altos níveis da bactéria no sangue). Em gestantes, a chance de acometimento fetal chega a 100% quando a gestante apresenta a sífilis recente, o que torna o diagnóstico e o tratamento ainda mais urgentes”, destacou a médica. 

ALERTA – Estado de SP reforça alerta para vacinação após novo caso importado de sarampo

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) reforça o alerta para a prevenção do sarampo após a confirmação de um novo caso da doença na capital paulista. Trata-se de um homem de 27 anos, não vacinado, com histórico recente de viagem ao exterior. O paciente recebeu atendimento médico e já teve alta.

Este é o segundo caso de sarampo registrado no estado neste ano. O primeiro ocorreu em abril, também na capital, conforme monitoramento epidemiológico realizado pela vigilância estadual.

De acordo com as orientações da vigilância epidemiológica, todo caso suspeito de sarampo deve ser notificado e investigado imediatamente, em razão da alta transmissibilidade do vírus e do risco de disseminação da doença. Assim que o diagnóstico do paciente foi confirmado, todas as medidas de controle e prevenção foram imediatamente adotadas, incluindo investigação epidemiológica, busca ativa de contatos e intensificação da vacinação, em conjunto com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) e o Ministério da Saúde.

A SES-SP reforça que a vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo. A vacina tríplice viral é segura, eficaz e protege também contra a rubéola e a caxumba. O Estado mantém estoques regulares do imunizante e orienta a população a verificar a situação vacinal, especialmente antes de viagens nacionais ou internacionais.

Quem deve se vacinar

Crianças de 6 a 11 meses

  • Dose Zero (D0), indicada em situações de risco aumentado de exposição ao vírus.
    Observação: esta dose não substitui as doses do calendário de rotina, que devem ser mantidas.

Crianças a partir de 12 meses

  • Primeira dose (D1) aos 12 meses, com a tríplice viral.
  • Segunda dose (D2) aos 15 meses, com a vacina tetraviral (ou tríplice viral + varicela).

Pessoas de 5 a 29 anos

  • Devem iniciar ou completar o esquema de duas doses da tríplice viral, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas.

Pessoas de 30 a 59 anos

  • Devem receber uma dose da tríplice viral caso não haja comprovação de vacinação anterior.

Profissionais dos setores de saúde, turismo, hotelaria, transporte, alimentação e educação devem manter o esquema vacinal completo, conforme recomendação do Ministério da Saúde.

Dúvidas sobre vacinação

O Governo de São Paulo disponibiliza o portal Vacina 100 Dúvidas, que reúne as perguntas mais frequentes da população sobre vacinação, efeitos colaterais, eficácia dos imunizantes, doenças imunopreveníveis e riscos da não vacinação.
O acesso está disponível em: www.vacina100duvidas.sp.gov.br.

Médicos alertam para riscos de prescrição de testosterona para mulher

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) publicaram nota conjunta restringindo uso de testosterona em mulheres.

Conforme as três entidades médicas, “a prescrição de testosterona deve restringir-se estritamente à única indicação formalmente reconhecida (Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo -TDSH), após avaliação clínica adequada, sendo potencialmente danosa quando utilizada sem indicação, com base em dosagens isoladas ou com objetivos não terapêuticos.”

O comunicado alerta efeitos colaterais alguns com gravidade. “O uso de testosterona fora da única indicação em mulheres aumenta o risco de eventos adversos, incluindo: efeitos virilizantes como acne, queda de cabelo, crescimento de pelos, aumento do clitóris e engrossamento irreversível da voz, toxicidade e tumores de fígado, alterações psicológicas e psiquiátricas, infertilidade e potenciais repercussões cardiovasculares como hipertensão arterial, arritmias, embolias, tromboses, infarto, AVC e aumento da mortalidade, além de alterações de outros exames laboratoriais, como os de colesterol e triglicerídeos.”

A nota ainda ressalta que a Anvisa não aprovou nenhuma formulação de testosterona para uso em mulheres e que a agência reguladora também não reconhece “uso de testosterona para fins estéticos, de melhora de composição corporal, desempenho físico, disposição ou antienvelhecimento.”

Ribeirão Preto inicia vacinação contra Vírus Sincicial Respiratório para gestantes

A partir desta terça-feira (9), Ribeirão Preto dará início à aplicação da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) em suas 39 salas de vacina municipais. A primeira remessa enviada pelo Ministério da Saúde contém 2.005 doses, e a expectativa é de que novos lotes cheguem nas próximas semanas.

A imunização será oferecida a gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. A estratégia da vacina é permitir que os anticorpos gerados pela mãe sejam transferidos ao bebê antes do nascimento, garantindo proteção nos primeiros meses de vida — período de maior vulnerabilidade a complicações respiratórias.

O VSR é uma das principais causas de doenças graves em bebês, como bronquiolite e pneumonia, e responde por uma parcela significativa das internações respiratórias de lactentes, especialmente nos meses de outono e inverno. Para os especialistas, oferecer essa vacina pela rede pública representa um avanço importante, já que, anteriormente, a imunização estava restrita à rede privada.

As gestantes que fazem pré-natal nas unidades básicas de saúde poderão se vacinar sem necessidade de agendamento — basta comparecer à sala de vacina mais próxima e apresentar documento de identificação e carteira de vacinação, se houver.

Para as autoridades de saúde local, a introdução da vacina no cronograma municipal representa um passo decisivo na prevenção de internações pediátricas graves, com potencial de reduzir riscos significativos de doença grave e óbitos entre recém-nascidos nos primeiros meses de vida.

8 perguntas e respostas para conhecer a vacina da dengue

A Anvisa autorizou o uso da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. Com isso, o imunizante produzido em São Paulo poderá ser utilizado em todo o Brasil. A vacina foi desenvolvida para proteger contra os quatro tipos de dengue e é administrada em dose única, a primeira do mundo aprovada com essa característica. Confira mais detalhes do imunizante.

1 – Quais os próximos passos?

A aprovação da Anvisa autoriza o uso da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan em todo o Brasil. O Instituto Butantan já possui mais de um milhão de doses prontas para disponibilizar para o Ministério da Saúde. Quem definirá o início da campanha e o público alvo será o ministério da saúde.

2 – Quais os diferenciais da vacina do Butantan?

A dengue é uma doença infecciosa transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, que causa sintomas tanto leves quanto graves, e pode levar à morte. O mal-estar da doença pode durar até dez dias, mas dependendo do caso, permanece por semanas. 

A Butantan-DV é a primeira vacina de dose única aprovada contra a dengue no mundo, uma conquista da ciência brasileira. A vacina da dengue do Instituto Butantan é a primeira que pode ser aplicada em apenas uma dose no mundo, o que tem potencial de facilitar a adesão do público e a logística da campanha. Os benefícios da dose única foram descritos em um relatório publicado por pesquisadores do Reino Unido na Human Vaccines & Immunotherapeutics, em 2018. O estudo apontou que programas de imunização com menos doses estão associados a uma melhor cobertura vacinal e menos impactos na economia.

Ela foi desenvolvida para proteger contra os quatro sorotipos de dengue.

3 – A vacina contra a dengue é em pó?

A tecnologia utilizada é chamada de liofilização. Nela, a vacina é transformada em pó após o congelamento e remoção da água. Isso torna o produto mais estável durante o transporte e o armazenamento, uma vantagem para países de dimensões continentais, como o Brasil.

Enquanto algumas vacinas podem exigir temperaturas mais rigorosas, a versão liofilizada necessita apenas de refrigeração padrão (entre 2°C e 8°C), a mesma utilizada para a maior parte das vacinas do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Isso reduz perdas e ajuda a manter a segurança do imunizante mesmo em trajetos longos.

4 – A vacina protege contra quais sorotipos?

A vacina é tetravalente e foi desenvolvida para proteger contra os quatro sorotipos conhecidos do vírus da dengue. Isso é relevante porque a predominância do sorotipo circulante varia de um ano para outro. Composta pelos quatro vírus atenuados, ela induz a produção de anticorpos sem causar a doença e com poucas reações adversas.https://www.instagram.com/reel/DRxOWC1ka4V/embed/captioned/?cr=1&v=14&wp=540&rd=https%3A%2F%2Fwww.agenciasp.sp.gov.br&rp=%2Fperguntas-e-respostas-vacina-contra-dengue%2F#%7B%22ci%22%3A0%2C%22os%22%3A648.1000001430511%2C%22ls%22%3A39.40000009536743%2C%22le%22%3A39.40000009536743%7D

5 – Quem pode tomar a vacina contra a dengue?

A vacina pode ser recebida por pessoas que já tiveram ou nunca tiveram dengue. Ela se mostrou segura e eficaz. A definição de quem poderá tomar a vacina dependerá da aprovação da Anvisa e da definição do Ministério da Saúde para os públicos-alvo.

6 – A vacina do Butantan contra a dengue é segura?

Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o vírus. A maioria das reações à aplicação foi leve a moderada, sendo as principais dor e vermelhidão no local da injeção, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados à vacina aconteceram em uma parcela reduzida dos imunizados, e todos se recuperaram completamente.

7 – Quanto tempo dura a proteção?

Os voluntários dos ensaios foram acompanhados por cinco anos, período em que a vacina permaneceu eficaz. A partir da utilização em larga escala, os dados de vida real indicarão se haverá necessidade de reforço.

8 – Qual é a capacidade de produção?

O Butantan tem capacidade inicial estimada em 1,2 milhão de doses por ano, com ampliação em andamento. Para atender à demanda imediata, houve transferência de tecnologia para um laboratório parceiro (a chinesa Wuxi). Com a parceria, será possível entregar para o Ministério da Saúde até 30 milhões de doses já em 2026.

SP inicia vacinação de grávidas contra vírus sincicial respiratório

A partir deste sábado (6), as gestantes a partir da 28ª semana de gestação terão acesso à vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). A vacina previne infecções graves causadas pelo VSR em bebês menores de seis meses de idade.

O vírus é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos. A vacina oferece proteção imediata aos recém-nascidos, reduzindo hospitalizações. Não há restrição de idade para a mãe. A recomendação é tomar dose única a cada nova gestação.

Segundo a prefeitura, aos sábados, o serviço de vacinação acontece nas Assistências Médicas Ambulatoriais (AMAs)/Unidades Básicas de Saúde (UBSs) Integradas, das 7h às 19h. De segunda a sexta-feira, a imunização pode ser tomada nas UBSs, das 7h às 19h. Para se vacinar, a gestante precisa estar com um documento de identificação e comprovante de 28 semanas de gestação.

Para facilitar o acesso da população, a disponibilidade da vacina pode ser consultada pelo site Olho na Fila. A localização dos equipamentos da rede municipal pode ser consultada na plataforma Busca Saúde.

“A implementação dessa vacina é muito importante para a saúde dos bebês menores de seis meses. Vacinar a gestante garante a proteção dos recém-nascidos nos primeiros meses de vida, quando são mais vulneráveis e podem desenvolver formas graves da doença”, afirmou a coordenadora de Vigilância em Saúde, Mariana Araújo.

A prefeitura de São Paulo alerta ainda que, com a chegada das doses da VSR, que na rede privada pode custar até R$ 1,5 mil, é importante também atualizar a situação vacinal das gestantes, incluindo influenza e covid-19, já que a vacina contra o VSR pode ser administrada simultaneamente a esses imunizantes.

De acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação materna demonstrou uma eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR nos bebês durante os primeiros 90 dias após o nascimento.