Minha casa, minha vida amplia faixa de renda e benefícios para classe média

Governo amplia teto de renda e financiamento para famílias com salários de até R$ 12 mil

O Ministério das Cidades anunciou uma importante ampliação nas faixas de renda do programa Minha Casa, Minha Vida, permitindo que famílias com rendimentos de até R$ 12 mil possam acessar o benefício. Anteriormente, o programa atendia apenas aqueles com salários de até R$ 8 mil, mas com a mudança, a medida visa beneficiar uma maior parcela da classe média.

A nova linha do programa oferece a possibilidade de financiamento de até 420 meses, com taxas de juros de 10,50% ao ano, e o financiamento pode ser destinado à aquisição de imóveis de até R$ 500 mil. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) continuará sendo utilizado como uma das principais fontes de financiamento, facilitando o acesso à casa própria para mais brasileiros.

Com essa mudança, estima-se que mais de 120 mil famílias serão diretamente beneficiadas, especialmente aquelas que se encontram na faixa de renda entre R$ 8 mil e R$ 12 mil. Para garantir a ampliação, o Fundo Social do Pré-Sal será incorporado ao orçamento das faixas 1 e 2 do programa, assegurando sua viabilidade financeira.

A medida também tem como objetivo estimular o setor imobiliário brasileiro, um dos principais motores da economia nacional. O ministro das Cidades, Jader Filho, destacou que essa expansão do programa é uma forma de reforçar a oferta de habitação, atendendo, agora, também à classe média. A expectativa é de que essa ampliação traga mais opções de moradia para uma parcela significativa da população.

O programa Minha Casa, Minha Vida, com essa ampliação, se consolida como uma das principais políticas públicas de habitação do Brasil, oferecendo mais acesso à casa própria para diferentes classes sociais e impulsionando o mercado imobiliário em todo o país

Pagamento do 13º salário para aposentados e pensionistas será antecipado

Medida beneficiará milhões de brasileiros e garantirá mais recursos nas mãos dos segurados

Nesta quinta-feira (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que antecipa o pagamento do 13º salário para aposentados e pensionistas. A medida permitirá que os beneficiários recebam as parcelas mais cedo, nos meses de abril e maio, em vez de esperar pelo final do ano, como ocorre normalmente. De acordo com o governo, 34,2 milhões de pessoas serão beneficiadas com essa antecipação, com base na folha de pagamento de fevereiro.

O pagamento será feito em duas parcelas, junto aos depósitos regulares das aposentadorias. A primeira parcela será depositada entre 24 de abril e 8 de maio, junto com a aposentadoria de abril, enquanto a segunda parcela ocorrerá entre 25 de maio e 8 de junho, juntamente com a de maio. A medida se aplica a beneficiários da Previdência Social, incluindo aqueles que receberam aposentadoria, pensão por morte, auxílio-reclusão, auxílio-acidente ou auxílio por incapacidade temporária em 2025.

Vale destacar que o Benefício de Prestação Continuada (BPC) não está incluído nessa antecipação, pois a legislação atual não prevê o pagamento do 13º para esse benefício. A medida tem como objetivo proporcionar um alívio financeiro antecipado aos segurados da Previdência, especialmente em um período de desafios econômicos.

Com apenas 10% Brasil fica entre os países com menor tarifa aplicada por Trump, entenda o motivo;

Taxação mais baixa foi conquistada com base em argumentos estratégicos e pragmatismo comercial

O recente acordo entre o Brasil e os Estados Unidos, que resultou em uma taxação mais baixa para o país na nova rodada de tarifas anunciada por Donald Trump, teve como principal ponto de partida o etanol. O governo brasileiro, por meio do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, trabalhou para garantir que o Brasil fosse tratado de forma mais favorável no novo pacote de tarifas. A negociação foi delicada, já que os produtores de etanol dos EUA possuem grande influência política na Casa Branca, o que poderia prejudicar os interesses brasileiros.

Os negociadores brasileiros destacaram que, em fevereiro, o etanol brasileiro já havia sido tarifado, uma medida que o governo Trump classificou como de “reciprocidade”. Além disso, os representantes brasileiros argumentaram que o açúcar, por exemplo, enfrenta tarifas muito mais altas quando exportado para os EUA, o que representa um desequilíbrio para o Brasil. Outra questão relevante foi o comércio deficitário do Brasil com os Estados Unidos, que, nos últimos 15 anos, acumulou um superávit de US$ 410 bilhões para os americanos.

O resultado dessa negociação foi que o Brasil ficou entre os países com as tarifas mais baixas, com uma taxa de 10%, o mesmo tratamento recebido pela Argentina, aliado de Trump. Essa decisão reflete o estilo pragmático do presidente americano, que busca negociar em termos de interesses financeiros e comerciais, sem priorizar a construção de alianças políticas. Para Trump, a negociação sempre pesa mais do que os discursos populistas que costumam acompanhar suas ações.

Em um cenário de incertezas, o governo brasileiro soube conduzir a negociação com habilidade, destacando os interesses econômicos que favorecem o relacionamento bilateral. Mesmo com as ameaças típicas de Trump, o que prevaleceu foi a análise pragmática do impacto financeiro, que resultou em um acordo vantajoso para o Brasil, mesmo diante das tensões comerciais globais.

“Tarifaço” de Trump causa queda do dólar e das bolsas dos EUA, Europa e Ásia, brasileira sobe

Dólar e bolsas internacionais enfrentam forte desvalorização nesta quinta-feira (3)

Nesta quinta-feira (3), os mercados financeiros globais experimentam uma queda acentuada, com destaque para o dólar e as bolsas de valores, que registram perdas em diversos países. No Brasil, às 11h35, o dólar recuava 1,76%, cotado a R$ 5,5985, enquanto o Ibovespa, principal índice da B3, apresentava um crescimento de 0,55%, contrariando a tendência global. O principal fator por trás desse movimento foi o anúncio das novas tarifas recíprocas impostas pelos Estados Unidos sobre uma série de países, afetando diretamente o cenário financeiro mundial.

De acordo com especialistas, as novas tarifas dos EUA, que afetam vários produtos importados, geraram preocupação no mercado internacional, principalmente porque essas taxas elevadas tendem a aumentar o custo de insumos essenciais, prejudicando a produção e levando a uma possível desaceleração econômica nos Estados Unidos. No entanto, as tarifas para o Brasil foram de 10%, abaixo de outros países, o que pode abrir oportunidades para exportadores brasileiros, que podem ganhar espaço com novos parceiros comerciais.

Globalmente, os mercados de ações enfrentaram uma queda generalizada. Nos Estados Unidos, as principais bolsas de valores apresentaram perdas expressivas, com o Dow Jones recuando 3,73% e o Nasdaq 100 caindo 4,92%. Na Europa, a situação não foi diferente: o índice Euro Stoxx 50, que reúne as 50 maiores empresas do continente, caiu 3,60%. As perdas foram ainda mais pronunciadas em bolsas de países como Alemanha, França e Itália.

No continente asiático, a repercussão também foi negativa, com mercados de várias nações registrando quedas. Hong Kong viu uma diminuição de 1,52% em seu índice Hang Seng, enquanto o Japão enfrentou uma queda de 2,73% no Nikkei 225. A China, segunda maior economia do mundo, foi especialmente impactada, com tarifas de 34% sobre seus produtos, enquanto outros países asiáticos, como o Vietnã e Bangladesh, sofreram tarifas ainda mais altas.

Esses movimentos refletem a preocupação global com os efeitos colaterais do pacote de tarifas recíprocas anunciado por Donald Trump, que tem como objetivo reduzir a dependência dos EUA de produtos estrangeiros. As tarifas, que variam de 10% a mais de 40% dependendo do país, têm causado tensões econômicas, especialmente na Ásia e Europa, que são regiões fortemente impactadas.

Com a imposição de tarifas tão elevadas, especialistas alertam para um possível aumento da inflação nos Estados Unidos, o que poderia prejudicar o consumo e até mesmo levar a uma recessão. No entanto, o Brasil, apesar de afetado, foi um dos países menos impactados, com taxas menores, o que pode ser interpretado como uma oportunidade para alguns setores do país. A situação continua em evolução e o impacto completo ainda está sendo avaliado pelos analistas de mercado.

Brasil aprova projeto para retaliação a barreiras comerciais externas

Medidas visam garantir proteção ao mercado brasileiro frente a tarifas de outros países

Na noite de terça-feira (1º), o Senado Federal aprovou em regime de urgência um projeto que autoriza o governo brasileiro a adotar medidas retaliatórias contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais aos produtos nacionais. A proposta, que recebeu apoio amplo no Congresso, ganha relevância diante da ameaça de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de aumentar tarifas para produtos de países que cobram impostos sobre produtos americanos, incluindo o Brasil.

Atualmente, o Brasil segue as diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC), que proíbe a imposição de tarifas discriminatórias entre seus membros. O projeto, no entanto, visa estabelecer um marco legal para que o governo brasileiro possa responder a ações comerciais unilaterais, com o objetivo de proteger o mercado interno de medidas consideradas injustas ou prejudiciais.

O que muda com a aprovação do projeto?

Caso o projeto seja aprovado pela Câmara dos Deputados e sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele permitirá que o Brasil adote medidas de retaliação contra países que adotem barreiras comerciais desfavoráveis aos produtos brasileiros. Entre as ações possíveis estão a imposição de sobretaxas sobre importações, a suspensão de acordos comerciais e, em casos extremos, a suspensão de direitos de propriedade intelectual, como patentes e royalties.

A proposta altera o princípio da “nação mais favorecida”, uma das regras fundamentais da OMC, que exige que os países tratem todos os membros de forma igualitária. Com a nova legislação, o Brasil poderá adotar tarifas diferenciadas para países que aplicarem barreiras comerciais sem a necessidade de seguir a dinâmica prevista pela OMC.

Reações e implicações do projeto

O projeto está em trâmite no Congresso, com a expectativa de ser aprovado na Câmara dos Deputados ainda esta semana. O governo brasileiro, no entanto, tem demonstrado cautela, priorizando o diálogo com os Estados Unidos e buscando uma solução diplomática para a questão das tarifas. Apesar disso, o novo marco legal abre a possibilidade de ações mais agressivas, caso as negociações com os EUA não avancem.

Especialistas alertam que, embora o projeto ofereça ferramentas para proteger o mercado brasileiro, ele pode gerar repercussões no comércio internacional. Caso o Brasil adote medidas de retaliação fora das normas da OMC, isso poderia desencadear disputas comerciais com outros países, prejudicando, em especial, setores como o agronegócio, que dependem de mercados internacionais para suas exportações.

A trajetória do Brasil nas disputas comerciais

O Brasil tem uma longa história de seguir as regras da OMC e do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), tratado que regula o comércio internacional. Desde sua adesão ao GATT e, posteriormente, à OMC, o Brasil tem se alinhado com os princípios que buscam evitar discriminação no comércio e promover a redução de barreiras comerciais. No entanto, a crescente postura protecionista dos Estados Unidos pode forçar uma reavaliação dessa estratégia.

O especialista em comércio internacional, Luciano Bravo, destaca que qualquer mudança no comportamento comercial do Brasil pode resultar em retaliações por parte de outros países. Ele observa que, embora o Brasil tenha usado mecanismos da OMC para resolver disputas anteriores, a adoção de retaliações unilaterais sem a devida negociação pode levar a sérios problemas econômicos e comerciais.

Possíveis consequências para o mercado brasileiro

O projeto em discussão no Congresso permite que o governo brasileiro adote uma série de contramedidas, incluindo a suspensão de obrigações comerciais com outros países, a imposição de sobretaxas em importações e a suspensão de direitos de propriedade intelectual. Essas ações, embora focadas em proteger o comércio brasileiro, podem afetar negativamente a relação do Brasil com seus parceiros comerciais e impactar setores exportadores, como o agronegócio e a indústria de tecnologia.

Em resumo, o projeto em análise no Congresso representa uma mudança significativa na forma como o Brasil pode responder a barreiras comerciais externas. Se aprovado, ele permitirá ao governo adotar medidas mais assertivas, mas também exige cautela para evitar reações adversas de outros países e proteger a economia brasileira a longo prazo.

Senado aprova projeto de Lei para retaliação comercial contra taxações de Trump

Governo poderá adotar contramedidas contra países ou blocos que impuserem restrições aos produtos brasileiros

Na terça-feira (1º), a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou um projeto de lei que autoriza o governo federal a adotar contramedidas contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais aos produtos brasileiros. O objetivo é proteger a balança comercial do Brasil e garantir que acordos internacionais sejam cumpridos de forma justa. O projeto visa combater medidas que prejudicam os interesses brasileiros, como a imposição de sobretaxas ou regras ambientais mais rigorosas para os produtos brasileiros.

A proposta ganhou apoio significativo do governo e da bancada do agronegócio, especialmente em resposta a medidas da União Europeia, que têm afetado a agropecuária brasileira devido a questões ambientais. Além disso, o projeto busca lidar com a pressão exercida pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que frequentemente ameaçava impor tarifas sobre produtos importados. De acordo com a relatora do projeto, senadora Tereza Cristina (PP-MS), a proposta não se trata de uma retaliação, mas sim de uma proteção contra práticas prejudiciais ao comércio exterior do Brasil.

O projeto propõe que o Brasil possa adotar diversas formas de retaliação, como a aplicação de sobretaxas em importações de produtos de países que adotem medidas prejudiciais ou até suspender acordos comerciais com essas nações. Em casos mais extremos, o governo poderá até suspender direitos de propriedade intelectual, como royalties e registros de patentes, a empresas do país ou bloco retaliador. No entanto, essa medida só seria adotada caso outras contramedidas se mostrassem ineficazes. As ações de retaliação poderão ser temporárias ou durar enquanto durar o impasse comercial.

Atualmente, o Brasil não adota tarifas discriminatórias contra países específicos, pois segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), que defende o princípio da “nação mais favorecida”. Isso significa que o Brasil não pode aplicar tarifas diferentes para diferentes países sem justificativas comerciais claras. No entanto, a aprovação desse projeto no Senado representa uma mudança significativa, permitindo ao governo brasileiro responder de forma mais assertiva a ações que prejudiquem seus interesses econômicos.

Agora, o projeto seguirá para análise na Câmara dos Deputados, onde deve ser discutido com urgência. O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que esforços serão feitos para garantir que a proposta seja apreciada rapidamente pela Câmara. O governo espera que, se aprovado, o projeto traga mais equilíbrio para as relações comerciais internacionais do Brasil, permitindo que o país se defenda de barreiras que possam afetar sua economia.

Taxas sobre compras internacionais aumenta em dez estados a partir de amanhã

Tributação sobre encomendas internacionais será elevada para 20% em dez estados

A partir desta terça-feira (1º), o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado nas compras internacionais subirá de 17% para 20% em dez estados brasileiros. A medida, que entra em vigor em abril, afeta as compras realizadas por meio de plataformas de comércio eletrônico internacional. Até agora, o imposto era uniformemente de 17% em todos os 26 estados e no Distrito Federal.

Os estados que terão a alíquota elevada para 20% são: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Sergipe. Além dessa tributação estadual, as compras internacionais de até US$ 50 também são sujeitas a um imposto de importação de 20%, que entrou em vigor em agosto de 2023. Com a combinação dessas taxas, a tributação total sobre produtos de até US$ 50 pode chegar a 50% do valor do item. Por exemplo, um produto que custa R$ 100 pode ter um “preço total” de R$ 150 após as cobranças fiscais.

Essa medida foi decidida pelo Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda (Comsefaz) em dezembro de 2023, e visa proteger o mercado interno e garantir maior competitividade entre os produtos nacionais e importados. Segundo os secretários, o aumento da alíquota busca fomentar a indústria nacional e incentivar a produção local, além de promover uma tributação mais equitativa para os consumidores.

Embora a alta do ICMS tenha gerado preocupações no setor de importação, grandes varejistas nacionais destacam que a carga tributária sobre as empresas brasileiras ainda é mais elevada. Eles argumentam que a medida tem o objetivo de alcançar uma “isonomia tributária”, equilibrando a concorrência entre produtos importados e os fabricados no Brasil.

Os governos estaduais defendem que o aumento do ICMS é uma resposta à crescente competição com plataformas de comércio eletrônico transnacional, e afirmam que a medida contribuirá para fortalecer o setor produtivo interno e gerar mais empregos no país. A decisão de aumentar o ICMS para 25% chegou a ser considerada em 2024, mas foi adiada para uma análise posterior.

Petrobras anuncia redução de R$ 0,17 no preço do Diesel nas distribuidoras

Novo corte no valor do combustível pode impactar a inflação e reduzir custos de transporte no país

A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (31) uma redução de R$ 0,17 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras. A partir de terça-feira (1º), o preço médio do diesel A nas distribuidoras será de R$ 3,55 por litro, o que representa uma queda de 4,78%. Para os consumidores, a mudança pode refletir uma redução de R$ 0,15 por litro no preço do diesel B, que é composto por 86% de diesel A e 14% de biodiesel, com a parcela da Petrobras passando a ser de R$ 3,05 por litro.

Com essa diminuição, a Petrobras informou que desde dezembro de 2022, o preço do diesel nas distribuidoras caiu em R$ 0,94 por litro, ou uma redução de 20,9%. No entanto, a redução anunciada nesta segunda-feira ainda não compensou totalmente o aumento de R$ 0,22 por litro que havia sido implementado em janeiro deste ano, o que reflete um cenário de volatilidade no mercado de combustíveis.

O preço do diesel nas distribuidoras é composto por vários fatores, incluindo o valor de venda do combustível pela Petrobras, os impostos federais (PIS e Cofins), o imposto estadual (ICMS), o custo do biodiesel e as margens de distribuição e revenda. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço do diesel vendido pela Petrobras estava, nesta segunda-feira, acima da paridade internacional em R$ 0,08 por litro.

Esse novo ajuste no preço do diesel pode ter implicações diretas para a inflação do país, principalmente devido ao papel essencial do combustível no transporte de mercadorias. A maior parte dos produtos consumidos no Brasil é transportada por caminhões, o que faz com que qualquer alteração no preço do diesel afete significativamente os custos de logística e, consequentemente, o valor final dos produtos.

Especialistas apontam que a redução no preço do diesel pode ajudar a aliviar a pressão inflacionária, especialmente nos preços dos alimentos, que são mais sensíveis ao custo do transporte. Produtos alimentícios, em particular, tendem a ser mais impactados por alterações no preço do combustível do que itens como eletrodomésticos, eletrônicos e carros, que têm uma maior margem de valor agregado.

A decisão da Petrobras ocorre em um momento em que o governo federal, liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, busca controlar a inflação no país. A redução nos custos do diesel é vista como uma medida importante para tentar mitigar os impactos inflacionários, ao mesmo tempo que atende a um cenário de aumento constante dos preços dos combustíveis nos últimos meses.

Lula ameaça taxar produtos americanos em retaliação às tarifas de Trump

Presidente brasileiro critica medidas e afirma que usará reciprocidade caso negociação não avance

Em entrevista concedida nesta quarta-feira (26) durante sua visita oficial ao Japão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre o aço e o alumínio brasileiros. Lula afirmou que, caso o recurso do Brasil à Organização Mundial do Comércio (OMC) não traga resultados, o país adotará medidas de retaliação, utilizando a reciprocidade para taxar produtos americanos.

O presidente brasileiro, que está na Ásia buscando expandir a presença dos produtos brasileiros no continente, destacou que a medida de Trump afeta diretamente o Brasil, um dos maiores exportadores desses materiais para os Estados Unidos. “Se não tiver resultado na OMC, vamos utilizar os instrumentos que temos, que é a reciprocidade, e taxar os produtos americanos. É isso que vamos fazer”, afirmou Lula, ressaltando que o Japão também poderia seguir um caminho semelhante.

Atualmente, o governo brasileiro não adotou nenhuma medida de retaliação, preferindo iniciar um diálogo com as autoridades americanas. As negociações estão sendo coordenadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro da Indústria, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores. No entanto, a manifestação do Brasil, já enviada ao governo dos Estados Unidos, alerta sobre os impactos negativos das tarifas, que poderiam afetar gravemente as relações comerciais entre os dois países.

Lula também mencionou a “Lei da Reciprocidade”, enfatizando que o Brasil não pode permanecer inativo diante das tarifas impostas unilateralmente. “Não dá para ficar quieto achando que só eles podem taxar outros produtos”, disse, reforçando a ideia de que o Brasil deve se defender. No entanto, ainda não há uma data definida para formalizar o recurso à OMC.

Nos bastidores, diplomatas brasileiros estão céticos quanto à eficácia da OMC, alegando que a organização está “paralisada” e sem poder para intervir devido à falta de juízes no órgão de solução de controvérsias, uma situação que foi provocada pela falta de indicações dos Estados Unidos. Diante disso, a alternativa considerada mais viável é uma negociação direta entre autoridades brasileiras e americanas, já que os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil.

Exportações de ovos brasileiros aos EUA aumentam em meio à escassez de oferta local

Alta nas importações reflete escassez de ovos nos Estados Unidos devido à gripe aviária

As importações de ovos do Brasil pelos Estados Unidos aumentaram significativamente em fevereiro de 2025, com um crescimento de 93% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Esse aumento ocorre em meio a um surto de gripe aviária nos EUA, que tem afetado severamente a oferta de ovos no país, resultando em dificuldades de abastecimento e preços elevados para os consumidores.

O Brasil, que até janeiro de 2025 exportava ovos apenas para ração animal, agora tem a autorização para enviar ovos para processamento em alimentos destinados ao consumo humano, como misturas para bolos ou sorvetes. No entanto, a venda de ovos in natura nos supermercados americanos ainda não é permitida. Além disso, as autoridades americanas estão considerando flexibilizar as regulamentações para permitir a comercialização de ovos postos para a indústria de frangos de corte, ou seja, ovos fecundados, para consumo humano. No entanto, alguns especialistas em segurança alimentar alertaram sobre o risco de contaminação por bactérias nocivas, como a salmonela.

Desafios e flexibilização das regras nos EUA

Em janeiro de 2025, o governo Trump permitiu a importação de ovos brasileiros para uso em produtos alimentícios, após a liberação para ração animal. A ABPA confirmou que o Brasil atende aos requisitos exigidos pelos EUA para a exportação de ovos para processamento. Contudo, o país enfrenta restrições devido à presença da doença de Newcastle, que frequentemente mata aves, o que impede a exportação de ovos in natura ou ovos líquidos pasteurizados para consumo direto.

Além disso, a escassez de ovos nos Estados Unidos levou alguns estados, como Nevada e Arizona, a suspenderem as políticas de bem-estar animal que exigem ovos de galinhas livres de gaiolas. A medida visa aliviar a falta de oferta e combater o aumento dos preços dos ovos, que, em fevereiro, subiram 53,6% no atacado. A escassez também levou a uma alta de 15% no preço dos ovos no Brasil, segundo o IPCA.

O impacto do vírus da gripe aviária e a destruição de ovos nos EUA

A escassez de ovos nos EUA é um reflexo da crise provocada pelo vírus da gripe aviária, que dizimou quase 170 milhões de aves desde o início de 2022, afetando principalmente galinhas, perus e outras aves. Para lidar com a escassez, os EUA estão promovendo importações de países como o Brasil, além de buscar alternativas como a importação de ovos de outras nações, incluindo Turquia e Coreia do Sul, que tradicionalmente enviam poucas quantidades para o mercado americano.

A Wayne-Sanderson Farms, uma das principais produtoras de carne de frango dos EUA, revelou que destrói cerca de 500 mil ovos por semana que não atendem às especificações necessárias para o mercado. O conselho da indústria defende que esses ovos são pasteurizados e, portanto, seguros para consumo, embora especialistas alertem para o risco de contaminação caso a refrigeração inadequada torne a pasteurização menos eficaz.

Plano do governo dos EUA e projeções futuras

O governo dos EUA anunciou um plano de US$ 1 bilhão para reduzir os preços dos ovos, incluindo medidas para ajudar os agricultores a conter a disseminação do vírus da gripe aviária e investir em pesquisas sobre vacinas para aves. Embora as importações de ovos brasileiros tenham aumentado, a situação de escassez e o alto preço do produto continuam a pressionar a inflação de alimentos nos EUA, afetando principalmente os consumidores e aumentando os custos dos restaurantes.

A pressão sobre os preços dos ovos pode continuar, à medida que os EUA buscam alternativas para equilibrar a oferta e demanda, e enquanto as autoridades brasileiras continuam a explorar formas de aumentar suas exportações para atender à crescente demanda internacional.