China supreende com DeepSeek: Concorrência pela liderança em IA ganha novos contornos
O lançamento do DeepSeek, o chatbot chinês, provocou uma reviravolta no mercado, sendo rapidamente comparado ao impacto do lançamento do satélite Sputnik pela União Soviética em 1957. Lançado no mesmo dia da posse de Donald Trump, em 20 de janeiro, o DeepSeek rapidamente ganhou destaque, superando o ChatGPT em número de downloads na App Store dos EUA em apenas uma semana. Em 26 de janeiro, essa ascensão levou grandes empresas de tecnologia a perderem US$ 1 trilhão na Bolsa de Nova York.
O termo “momento Sputnik” se refere à surpresa e à aceleração da corrida pela liderança na inteligência artificial, especialmente considerando os custos muito mais baixos do DeepSeek em comparação com os gigantes americanos. Enquanto as empresas dos EUA gastam bilhões para treinar seus modelos de IA, a startup chinesa treinou seu robô com um investimento de apenas US$ 6 milhões, um valor consideravelmente menor. Isso tem gerado preocupações sobre a sustentabilidade dos altos gastos no setor, afetando diretamente as grandes empresas, como a Meta, que planeja investir US$ 65 bilhões em IA neste ano.
A competição entre os EUA e a China na área de inteligência artificial está se intensificando. Apesar das restrições impostas pelos EUA, como a limitação de exportação de chips avançados para a China, o sucesso do DeepSeek coloca em xeque a ideia de que os EUA manterão a liderança global nessa tecnologia. A China, que não possui acesso a chips tão avançados quanto os disponíveis para empresas americanas, encontrou alternativas para treinar seus modelos de IA com menos recursos, surpreendendo analistas e investidores.
O impacto geopolítico dessa disputa vai além da tecnologia. A inteligência artificial tem sido vista como a chave para a nova Revolução Industrial, com a capacidade de transformar produtos e gerar influência global. Para os EUA, perder a liderança em IA para a China pode afetar sua posição estratégica e econômica no cenário global, conforme destacado por especialistas como Anderson Soares, da Universidade Federal de Goiás.
Apesar do impressionante avanço da DeepSeek, alguns analistas consideram a reação exagerada. Embora o modelo chinês tenha apresentado um desempenho competitivo, há limitações, como a incapacidade de processar informações visuais, algo que outras IA, como o ChatGPT, já conseguem fazer. Além disso, alguns questionam se o custo informado de US$ 6 milhões é realmente verdadeiro, sugerindo que o DeepSeek pode ter investido mais do que foi divulgado. No entanto, o sucesso inicial do DeepSeek reflete a crescente força da China na corrida pela supremacia tecnológica, um objetivo declarado para 2030.