Ministério da Saúde decide não incorporar vacina herpes-zóster ao SUS

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina contra o herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU), após avaliação técnica sobre a viabilidade da inclusão do imunizante na rede pública.

De acordo com relatório da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), a vacina foi considerada de alto custo em relação ao impacto esperado no combate à doença. O imunizante é indicado para idosos com 80 anos ou mais e para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos. Apesar de reconhecer a importância da vacina, o comitê destacou a necessidade de negociação de preços para garantir sustentabilidade orçamentária ao SUS.

O documento aponta que a vacinação de 1,5 milhão de pessoas por ano teria custo estimado de R$ 1,2 bilhão anuais. No quinto ano, a imunização dos pacientes remanescentes exigiria R$ 380 milhões, totalizando um investimento de R$ 5,2 bilhões em cinco anos. Diante desses números, a vacina foi classificada como não custo-efetiva. A portaria ressalta que o tema pode ser reavaliado caso surjam novos dados que alterem essa análise.

O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster, o mesmo da catapora, que pode permanecer latente no organismo e ser reativado, sobretudo em idosos e pessoas com imunidade baixa. A doença geralmente evolui de forma benigna, mas pode causar complicações graves. No SUS, os casos leves recebem tratamento sintomático, enquanto pacientes com maior risco podem ser tratados com o antiviral aciclovir. Entre 2007 e 2023, foram registrados 1.567 óbitos por herpes-zóster no Brasil, sendo a maioria entre pessoas com 50 anos ou mais.

Justiça determina que SUS forneça remédio para tratar câncer raro de graça

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) determinou que a União forneça o medicamento Mitotano a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) diagnosticados com carcinoma adrenocortical (CAC), câncer raro e agressivo. A decisão atendeu parcialmente a um pedido de tutela provisória de urgência feito pelo Ministério Público Federal (MPF), após a negativa em primeira instância, ao reconhecer o risco concreto à vida dos pacientes que estavam sem acesso ao tratamento.

No entendimento do MPF, o Mitotano — comercializado no Brasil como Lisodren — é utilizado no tratamento do carcinoma adrenocortical desde a década de 1960 e é considerado a principal e mais eficaz opção terapêutica disponível. O medicamento é indicado tanto para casos inoperáveis, metastáticos ou recorrentes quanto como terapia adjuvante após cirurgia, para reduzir o risco de recidiva. Segundo o órgão, não há alternativa com a mesma eficácia e segurança, o que torna o fornecimento contínuo indispensável no SUS.

Com a liminar, a União deverá apresentar um plano de ações e um cronograma detalhado para garantir o acesso contínuo ao fármaco. O MPF destaca que a crise de abastecimento se agravou em março de 2022, quando a empresa detentora do registro no país informou à Anvisa a interrupção definitiva da fabricação e importação por razões comerciais. Desde então, hospitais de referência, como o Instituto Nacional de Câncer (Inca), enfrentam estoques zerados, obrigando pacientes a custear o medicamento por conta própria ou a depender de empréstimos entre unidades de saúde.

Lei garante mamografia pelo SUS para mulheres a partir dos 40 anos

O exame de mamografia gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS) passa a ser garantido para todas as mulheres a partir dos 40 anos. A mudança foi estabelecida pela Lei nº 15.284, sancionada nesta sexta-feira (19) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União. Antes, a recomendação do SUS contemplava apenas mulheres entre 50 e 69 anos, com realização do exame a cada dois anos.

O câncer de mama é a principal causa de morte por câncer entre mulheres no Brasil. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que cerca de 20 mil mulheres morreram pela doença em 2023, e a estimativa para 2025 é de mais de 73 mil novos casos. A faixa etária de 40 a 49 anos concentra aproximadamente 23% da incidência, reforçando a importância do diagnóstico precoce para aumentar as chances de cura.

Com a nova lei, a mamografia passa a ser assegurada pelo SUS mesmo para mulheres que não apresentem sinais ou sintomas da doença, ampliando o acesso ao rastreamento preventivo. A proposta é de autoria do senador Plínio Valério (PSDB-AM) e contou com apoio do Executivo, sendo assinada também pelos ministros Alexandre Padilha (Saúde), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Márcia Lopes (Mulheres).

Especialistas destacam que o rastreamento por mamografia é a forma mais eficaz de enfrentar o câncer de mama, embora a cobertura do exame ainda esteja abaixo do ideal no país. Além do diagnóstico precoce, a prevenção inclui hábitos saudáveis, como a prática de atividades físicas, manutenção do peso adequado, redução do consumo de álcool e amamentação, fatores que contribuem para a diminuição do risco da doença.

Alerta: Internações de bebês por bronquiolite alertam para a importância da vacinação de gestantes

Às vésperas do período de maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), o Ministério da Saúde intensifica a orientação para a vacinação de gestantes como forma de proteger recém-nascidos contra formas graves da bronquiolite. Desde a inclusão do imunizante no Sistema Único de Saúde (SUS), em dezembro, cerca de 88,4 mil gestantes já foram vacinadas.

A enfermeira Lúcia Soares, mãe de duas crianças, conhece de perto os riscos da doença. A filha mais velha precisou ser internada após infecções respiratórias que evoluíram para bronquiolite. “Foram duas internações, uma com 1 ano e 3 meses e outra com 1 ano e 7 meses. Foi muito angustiante, porque ela precisou de oxigênio e monitoramento. Passamos uma noite na UTI até a Isabella estabilizar. Depois disso, o medo da doença voltar sempre permaneceu”, relata.

Com a ampliação da vacinação, a expectativa do Ministério da Saúde é evitar cerca de 28 mil internações por bronquiolite por ano, além de beneficiar aproximadamente dois milhões de recém-nascidos. Para isso, já foram adquiridas 1,8 milhão de doses do imunizante contra o VSR.

A incorporação da vacina à rede pública é motivo de alívio para famílias como a de Lúcia. “Saber que hoje existe essa proteção traz uma tranquilidade enorme. Minha irmã está grávida e tenho amigas esperando bebês. Todas ficaram muito mais seguras ao saber que a vacina está disponível no SUS. Nenhuma mãe merece ver seu filho internado”, afirma.

O que é o VSR

A bronquiolite é uma infecção respiratória comum na infância, especialmente em bebês menores de 2 anos. A vacinação durante a gestação, a partir da 28ª semana, permite a transferência de anticorpos da mãe para o bebê, garantindo proteção nos primeiros meses de vida — período de maior vulnerabilidade às complicações da doença.

Apesar de muitos casos serem leves, a bronquiolite pode evoluir para quadros graves, sobretudo em recém-nascidos, prematuros e crianças com comorbidades. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que gestantes procurem a unidade de saúde mais próxima para se informar sobre a vacinação e manter o calendário vacinal atualizado.